segunda-feira, 20 de junho de 2011

Corpus Christi

No final do século XIII surgiu em Lieja, Bélgica, um Movimento Eucarístico cujo centro foi a Abadia de Cornillon, fundada em 1124 pelo Bispo Albero. Este movimento deu origem a vários costumes eucarísticos, como por exemplo a Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento, o uso dos sinos durante sua elevação na Missa e a festa do Corpus Christi.

Santa Juliana de Mont Cornillon, naquela época priora da Abadia, foi a enviada de Deus para propiciar esta Festa. A santa nasceu em Retines, perto de Liège, Bélgica, em 1193. Ficou órfã muito pequena e foi educada pelas freiras Agostinas em Mont Cornillon. Quando cresceu, fez sua profissão religiosa e mais tarde foi superiora de sua comunidade. Morreu em 5 de abril de 1258, na casa das monjas Cistercienses, em Fosses, e foi enterrada em Villiers.


Desde jovem, Santa Juliana teve uma grande veneração ao Santíssimo Sacramento. E sempre esperava que se tivesse uma festa especial em sua honra. Este desejo se diz ter intensificado por uma visão que ela teve da Igreja, sob a aparência de lua cheia com uma mancha negra, que significada a ausência dessa solenidade.

Juliana comunicou estas aparições a Dom Roberto de Thorete, o então bispo de Lieja, a Dominico Hugh, mais tarde cardeal legado dos Países Baixos, e a Jacques Pantaleón, nessa época arquidiácolo de Lieja e mais tarde Papa Urbano IV.

O bispo ficou impressionado e, como nesse tempo os bispos tinham o direito de ordenar festas para suas dioceses, convocou um sínodo em 1246 e ordenou que a celebração fosse feita no ano seguinte. Ao mesmo tempo, o Papa ordenou que um monge, de nome João, escrevesse o ofício para essa ocasião. O decreto está preservado em Binterim (Denkwürdigkeiten, V.I. 276), junto com algumas partes do ofício.

Dom Roberto não viveu para ver a realização de sua ordem, já que morreu em 16 de outubro de 1246, mas a festa foi celebrada pela primeira vez no ano seguinte na quinta-feira posterior à festa da Santíssima Trindade. Mais tarde um bispo alemão conheceu esse costume e o estendeu por toda a atual Alemanha.

Naquela época, o Papa Urbano IV tinha sua corte em Orvieto, um pouco ao norte de Roma. Muito perto dessa localidade fica a cidade de Bolsena, onde em 1263 (ou 1264) aconteceu o famoso Milagre de Bolsena: um sacerdote que celebrava a Santa Missa teve dúvidas de que a Consagração da hóstia fosse algo real. No momento de partir a Sagrada Hóstia, viu sair dela sangue, que empapou o corporal (pequeno pano onde se apóiam o cálice e a patena durante a Missa). A venerada relíquia foi levada em procissão a Orvieto em 19 junho de 1264. Hoje se conserva o corporal, em Orvieto, onde também se pode ver a pedra do altar de Bolsena, manchada de sangue.

O Santo Padre, movido pelo prodígio, e por petição de vários bispos, fez com que a festa do Corpus Christi se estendesse por toda a Igreja por meio da bula "Transiturus", de 8 setembro do mesmo ano, fixando-a para a quinta-feira depois da oitava de Pentecostes, e outorgando muitas indulgências a todos que assistirem a Santa Missa e o ofício nesse dia.
Em seguida, segundo alguns biógrafos, o Papa Urbano IV encarregou de escrever um ofício - o texto da liturgia - a São Boa-ventura e também a Santo Tomás de Aquino. Quando o Pontífice começou a ler, em voz alta, o ofício feito por Santo Tomás, São Boa-ventura o achou tão bom que foi rasgando o seu em pedaços, para não concorrer com o de São Tomás de Aquino.

A morte do Papa Urbano IV (em 2 de outubro de 1264), um pouco depois da publicação do decreto, prejudicou a difusão da festa. Mas o Papa Clemente V tomou o assunto em suas mãos e, no concílio geral de Viena (1311), ordenou mais uma vez a adoção desta festa. Em 1317 foi promulgada uma recompilação das leis - por João XXII - e assim a festa foi estendida a toda a Igreja.

Nenhum dos decretos fala da procissão com o Santíssimo como um aspecto da celebração. Porém estas procissões foram dotadas de indulgências pelos Papas Martinho V e Eugênio IV, e se fizeram bastante comuns a partir do século XIV.

A festa foi aceita em Cologne em 1306; em Worms a adoptaram em 1315; em Strasburg em 1316. Na Inglaterra foi introduzida, a partir da Bélgica, entre 1320 e 1325. Nos Estados Unidos e nos outros países a solenidade era celebrada no domingo depois do domingo da Santíssima Trindade.
Na Igreja grega a festa de Corpus Christi é conhecida nos calendários dos sírios, armênios, coptos, melquitas e rutínios da Galícia, Calábria e Sicília.
Finalmente, o Concílio de Trento declarou que, muito piedosa e religiosamente, foi introduzida na Igreja de Deus o costume, que todos os anos, em determinado dia festivo, seja celebrado este excelso e venerável sacramento com singular veneração e solenidade; e reverente e honorificamente seja levado em procissão pelas ruas e lugares públicos. Dessa forma, os cristãos expressam sua gratidão por tão inefável e verdadeiramente divino benefício, pelo qual se faz novamente presente a vitória e triunfo sobre a morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Fonte: ACI Digital [9]

A celebração da festa de "CORPUS CHRISTI" no Vaticano
Em Roma começou-se, desde o século XV, com o Papa Nicolau XV (1447-1455) a celebrar a festa de "Corpus Christi", com a procissão de São João de Latrão até Santa Maria Maior. A atual Via Merulana, no entanto, só pôde ser percorrida a partir de 1575, quando foram terminadas as obras para construir o retilíneo, sob o pontificado de Gregório XIII.
Durante três séculos, manteve-se o costume de fazer a procissão eucarística guiada pelos Papas. Depois, a partir de 1870, ano da "tomada de Roma", o costume caiu em desuso, sendo retomado pelo Papa João Paulo II, em 1979.

História da festa de "CORPUS CHRISTI" no Brasil

A festa foi trazida para o Brasil pelos portugueses. No Brasil, numa carta de 9 de agosto de 1549, o Padre Manuel da Nóbrega, da Bahia, informava: “Outra procissão se fez dia de Corpus Christi, mui solene, em que jogou toda a artilharia, que estava na cerca, as ruas muito enramadas, houve danças e invenções à maneira de Portugal”. (Cartas do Brasil, 86, Rio de Janeiro, 1931).
As procissões portuguesas eram esplendorosas: tropas, fidalgos, cavaleiros, andores, danças e cantos. A imagem de São Jorge, padroeiro de Portugal, seguia a procissão montada em um cavalo, rodeada de oficiais de gala. [5]
A tradição de enfeitar as ruas surgiu em Ouro Preto, cidade histórica do interior de Minas Gerais.


Enfim, Corpus Christi é o próprio Cristo, o Corpo de Cristo.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Pentecostes

Pentecostes, do grego, pentekosté,
 é o qüinquagésimo dia após a
Páscoa. Comemora-se o envio
 do Espírito Santo à Igreja.
 A partir da
Ascensão de Cristo, os
 discípulos e a comunidade
 não tinham mais a presença
 física do Mestre. Em cumprimento à
 promessa de Jesus, o Espírito foi
enviado sobre os apóstolos. Dessa forma,
 Cristo continua presente na Igreja, que é
 continuadora da sua missão.

A origem do Pentecostes vem do Antigo Testamento
, uma celebração da colheita (Êxodo 23, 14),
 dia de alegria
 e ação de graças, portanto, uma festa agrária.
 Nesta, o povo oferecia a Deus os primeiros frutos que
 a terra tinha produzido.
 Mais tarde, tornou-se também a festa da renovação da
 Aliança
 do Sinai (Ex 19, 1-16).

No Novo Testamento, o Pentecostes
 está relatado no livro dos Atos dos
 Apóstolos 2, 1-13. Como era costume,
 os discípulos, juntamente com Maria,
 mãe de Jesus, estavam reunidos para
 a celebração do Pentecostes judaico.
 De acordo com o relato, durante a
 celebração, ouviu-se um ruído,
"como se soprasse um vento impetuoso".
 "Línguas de fogo" pousaram sobre os
 apóstolos e todos ficaram repletos do
 Espírito Santo e começaram a falar em
 diversas línguas.

Pentecostes é a coroação
 da Páscoa de Cristo.
 Nele, acontece a plenificação
 da Páscoa, pois a vinda do
 Espírito sobre os discípulos
 manifesta a riqueza da vida
 nova do Ressuscitado no coração,
 na vida e na missão dos discípulos.

Podemos notar a importância de
 Pentecostes nas palavras do Patriarca
 Atenágoras (1948-1972):
 "Sem o Espírito Santo, Deus está distante
, o Cristo permanece no passado,
 o evangelho uma letra morta, a
Igreja uma simples organização,
 a autoridade um poder, a missão
 uma propaganda, o culto um arcaísmo,
 e a ação moral uma ação de escravos".
O Espírito traz presente o Ressuscitado
 à sua Igreja e lhe garante a vida e a
 eficácia da missão.

Dada sua importância, a celebração
 do Domingo de Pentecostes inicia-se
 com uma vigília, no sábado. É a preparação
 para a vinda do Espírito Santo, que comunica
 seus dons à Igreja nascente.

O Pentecostes é, portanto, a celebração
 da efusão do Espírito Santo. Os sinais
 externos, descritos no livro dos Atos dos
 Apóstolos, são uma confirmação da
 descida do Espírito: ruídos vindos do
 céu, vento forte e chamas de fogo.
 Para os cristãos, o Pentecostes marca
 o nascimento da Igreja e sua vocação
 para a missão universal.