sábado, 24 de março de 2012

Campanha da Fraternidade 2012 - Que a Saúde se difunda sobre a terra!

Primeira Parte
Fraternidade e a
Saúde Pública
1. Saúde e Doença: dois lados da
mesma realidade
7. A vida, a saúde e a doença são realidades profundas, envoltas
em mistérios. Diante delas, as ciências não se encontram em
condições de oferecer uma palavra definitiva, mesmo com todo
o aparato tecnológico hoje disponível. Assim, as enfermidades,
o sofrimento e a morte apresentam-se como realidades duras de
serem enfrentadas e contrariam os anseios de vida e bem-estar
do ser humano.
8. Nas línguas antigas é comum a utilização de um mesmo termo
para expressar os significados de saúde e de salvação.
1
 Na língua
grega, soter é aquele que cura e ao mesmo tempo é salvador. Em
latim, ocorre o mesmo com salus. Verifica-se o mesmo em outras
línguas.
2
 Certamente, a convergência destes significados para
um único termo é reflexo da dura experiência existencial diante
destes fenômenos e a percepção de que o doente necessita ser
curado ou salvo da moléstia pela ação de outrem.
9. Outro elemento importante, na antiguidade, para a compreensão da convergência dos significados de saúde e de salvação,
é a antropologia de fundo. Sobretudo entre os orientais, o ser
humano era concebido de forma unitária, com suas distintas
1 “É o significado sânscrito de svastha (= bem estar, plenitude), que depois assumiu a forma do
nórdico heill e, mais recentemente, Heil, whole, hall nas línguas anglo-saxônicas, que indicam
integridade e plenitude. A mesma coisa acontece com o termo soteria na língua grega, segundo a qual justamente Asclépio é considerado sóter: aquele que cura e que é ao mesmo tempo
salvador”. TERRIN, A. N. O sagrado off limits: a experiência religiosa e suas expressões. Tradução
de Euclides Balancin. São Paulo: Loyola, 1998. p. 154.
2 Ibid.
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dimensões profundamente integradas. Eles concebiam doenças
de ordem corporal e de ordem espiritual, muitas vezes ligadas
à ação de espíritos maus e a castigos. Neste contexto, consideravam que não é só o corpo que adoece, nem só a medicina
que cura, o que conferia grande importância aos ritos religiosos
para a salvação do adoentado.
10. A estreita ligação entre saúde e salvação (cura) e a convergência
desses siginificados em um mesmo termo apontam, portanto,
para uma concepção mais abrangente do que seja a doença. As
tendências de excluir a dimensão espiritual na consideração do
que seja saúde e doença resultam, pois, em compreensões superficiais destas realidades. Como exemplo, temos a definição
de saúde que a OMS (Organização Mundial da Saúde) apresen- Organização Mundial da Saúde) apresentou, em 1946,  que não incluía a dimensão espiritual: “um estado
de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência
de doenças”.
3
11. Somente em 2003, a OMS incorporou a espiritualidade na reflexão e na definição da saúde, não sem polêmicas e posicionamentos contrários. Esta nova concepção vem, no entanto,
se firmando como uma direção a ser seguida, pois amplia os
elementos para a compreensão deste fenômeno, o que é mais
condizente com a natureza humana.
2. Saúde e salvação para a Igreja
12. A experiência da doença mostra que o ser humano é uma profunda unidade pneumossomática. Não é possível separar corpo
e alma. Ao paralisar o corpo, a doença impede o espírito de voar.
Mas se, de um lado, a experiência é de profunda unidade, de
outro, é de profunda ruptura. Com a doença passamos a perceber o corpo como um ‘outro’, independente, rebelde e opressor.
3 Esta definição consta na Constituição da Organização Mundial de Saúde, aprovada em 22 de
julho de 1946, Nova Yorque.
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Ninguém escolhe ficar doente. A doença se impõe. Além de não
respeitar nossa liberdade, ela também tolhe nosso direito de ir
e vir. A doença é, por isso, um forte convite à reconciliação e à
harmonização com nosso próprio ser.
13. A doença é também um apelo à fraternidade e à igualdade, pois
não discrimina ninguém. Atinge a todos: ricos, pobres, crianças,
jovens, idosos. Com a doença, escancara-se diante de todos nossa profunda igualdade. Diante de tal realidade, a atitude mais
lógica é a da fraternidade e da solidariedade.
14. Os temas da saúde e da doença exigem, portanto, uma abordagem ampla, como a proposta pelo Guia para a Pastoral da
Saúde, elaborado pelo CELAM (Conferência Episcopal LatinoAmericana). O GPS diz que a saúde é afirmação da vida, em suas
múltiplas incidências, e um direito fundamental que os Estados
devem garantir.
4
 O mesmo documento assim define saúde: “saú-
de é um processo harmonioso de bem-estar físico, psíquico, social e
espiritual, e não apenas a ausência de doença, processo que capacita o
ser humano a cumprir a missão que Deus lhe destinou, de acordo com
a etapa e a condição de vida em que se encontre”.
5
15. A vida saudável requer harmonia entre corpo e espírito, entre pessoa e ambiente, entre personalidade e responsabilidade.
6
 Nesse
sentido, o Guia Pastoral, entendendo que a saúde é uma condição essencial para o desenvolvimento pessoal e comunitário,
apresenta algumas exigências para sua melhoria:
a. articular o tema saúde com a alimentação; a educação; o
trabalho; a remuneração; a promoção da mulher, da criança,
da ecologia, do meio ambiente etc.;
b. a preocupação com as ações de promoção da saúde e defesa da vida, que respondem a necessidades imediatas das
4 Cf. CELAM. Guia para a Pastoral da Saúde na América Latina e no Caribe. Centro Universitário
São Camilo, São Paulo, 2010, nn. 6-7.
5 GPS, n. 8.
6 Ibid.
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pessoas, das coletividades e das relações interpessoais.
No entanto, que estas ações contribuam para a construção
de políticas públicas e de projetos de desenvolvimento nacional, local e paroquial, calcada em valores como: a igualdade, a solidariedade, a justiça, a democracia, a qualidade de
vida e a participação cidadã.
7
16. Trata-se de uma concepção dinâmica e socioeconômica da saú-
de que, ao tomar o tema da saúde, não restringe a reflexão a
causas físicas, mentais e espirituais, mas avança para as sociais.
Com esta abordagem, a Igreja objetiva apresentar elementos
para dialogar com a sociedade, a fim de melhorar a situação de
saúde da população.
8
3. Elementos da Doutrina Social da Igreja
pertinentes à saúde pública
17. A solidariedade, de acordo com a Doutrina Social da Igreja, é um
princípio com dois aspectos complementares: um social e outro
ligado à virtude moral. Esses aspectos da solidariedade devem
nortear as pessoas em suas relações, além de levá-las a compromissos em prol do bem comum e da transformação das estruturas injustas que ferem a dignidade da pessoa.
9
 A solidariedade
precisa se efetivar em ações concretas, convergindo para a caridade operativa. “Jesus de Nazaré faz resplandecer, aos olhos de todos
os homens, o nexo entre solidariedade e caridade, iluminando todo o
seu significado”.
10
18. Constata-se a proximidade entre justiça e solidariedade, de maneira especial, no âmbito da saúde pública, quando a pessoa
enferma e debilitada necessita de justo e qualificado cuidado
7 GPS, n. 9.
8 Ibid, n. 10.
9 PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ. Compêndio da Doutrina Social da Igreja. São Paulo:
Paulinas, 2005, n. 193, 116-117.
10 Ibid, n. 196. p. 119.
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médico, envolvido pelo solidário calor humano de quem serve.
Esses princípios inseridos na ação são enriquecidos pela prática da caridade, pois ela marca a justiça com o amor na condu-
ção das relações entre as pessoas. Por isso, Bento XVI afirma
que, mesmo em uma sociedade em que as relações e serviços
se pautem pela justiça, faz-se necessária a caridade, pois: “Não
há qualquer ordenamento estatal justo que possa tornar supérfluo o
serviço do amor”.
11
19. É oportuno salientar também a importância dos princípios de
subsidiariedade e de participação. Ambos constituem princípios
da Doutrina Social da Igreja
12
 que nos ajudam a compreender e
a iluminar a realidade da saúde pública e a buscar caminhos para
melhorá-la.
20. A subsidiariedade é um princípio que aponta para um modo de
relação e cooperação construtivo entre as instituições maiores,
de mais ampla abrangência, e entre as menores de uma sociedade. Essa cooperação deve se realizar em duas vias. Primeiro, que
as macro instituições subsidiem as pequenas no que é necessá-
rio, sem interferir ou restringir o espaço vital das células menores
e essenciais da sociedade,
13
 como família, associações e grupos
organizados, para que elas cumpram a própria missão. Segundo,
uma vez que estas instituições menores realizem suas funções,
11 Cf. BENTO XVI. Carta Encíclica Deus Caritas est. Brasília: Edições CNBB, 2006, n. 28.
12 O papa Bento XVI lembrou, em sua encíclica Caritas in veritate n. 15, a importância da Doutrina Social da Igreja para a evangelização: “Por sua vez, a exortação apostólica Evangelium
nuntiandi tem uma relação muito forte com o desenvolvimento, visto que “a evangelização
– escrevia Paulo VI – não seria completa, se não tomasse em consideração a interpelação
recíproca que se fazem constantemente o Evangelho e a vida concreta, pessoal e social,
do homem”. “Entre evangelização e promoção humana – desenvolvimento, libertação –
existem de fato laços profundos”: partindo dessa certeza, Paulo VI ilustrava claramente a
relação entre o anúncio de Cristo e a promoção da pessoa na sociedade. O testemunho da
caridade de Cristo através de obras de justiça, paz e desenvolvimento faz parte da evangelização, pois a Jesus Cristo, que nos ama, interessa o homem inteiro. Sobre estes importantes ensinamentos, está fundado o aspecto missionário da doutrina social da Igreja como
elemento essencial de evangelização. A doutrina social da Igreja é anúncio e testemunho
de fé; é instrumento e lugar imprescindível de educação para a mesma”.
13 PONTIFICIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ. Compêndio da doutrina social da Igreja. São Paulo:
Paulinas, 2005, p. 112.
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isto se reverte em benefício para as instituições macro. As instituições macro, como o Estado, devem, porém, se abster do
que possa “restringir o espaço vital das células menores e essenciais
da sociedade”.
14
 Deste modo, a aplicação do princípio de subsidiariedade estabelece condições irrenunciáveis para a vivência
da cidadania de modo democrático, “é impossível promover a dignidade da pessoa sem que se conceda o necessário espaço para sua
própria constituição e livre atuação.
15
 São espaços onde se expressa a
“subjetividade criadora do cidadão”.
16
21. O princípio da participação exprime-se numa série de “atividades mediante as quais o cidadão, como cidadão ou associado com
outros, contribui para a vida cultural, econômica, política e social da
sociedade civil a que pertence. A participação é um dever a ser conscientemente exercitado por todos de modo responsável e em vista do
bem comum”.
17
22. Estes princípios oferecem bases para uma reflexão oportuna
sobre as responsabilidades no campo da saúde. Se é dever do
Estado promover a saúde por meio de ações preventivas e oferecer um sistema de tratamento eficaz e digno a toda população,
especialmente aos mais desprovidos de recursos, é, também,
responsabilidade de cada família e cidadão assumir um estilo
de viver que, por meio de hábitos saudáveis e de exames preventivos, contribua para evitar as doenças. Se cabe ao Estado
providenciar toda a assistência médica aos enfermos, cabe à família o acompanhamento dedicado e carinhoso aos seus que
adoecem. A família, o Estado e a Igreja têm funções distintas,
mas complementares no processo de tratamento de seus membros adoecidos.
14 PONTIFICIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ. Compêndio da doutrina social da Igreja. São Paulo:
Paulinas, 2005, p. 112.
15 Ibid, p. 111.
16 SRS, n.15.
17 PONTIFICIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ. Compêndio da doutrina social da Igreja. São Paulo:
Paulinas, 2005, p. 114.
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23. Pelos princípios de subsidiariedade e de participação, infere-se
que os cidadãos e as entidades e organizações civis e religiosas
precisam colaborar com o Estado na implementação das polí-
ticas de saúde, por meio dos espaços de controle social. Desta
forma, cabe-lhes exigir do Estado o cumprimento de suas obrigações constitucionais, acompanhar e fiscalizar a qualidade dos
serviços oferecidos, verificando a situação das estruturas de
atendimento, a responsabilidade dos profissionais no exercício
de suas funções.
24. A reflexão sobre estes princípios orientadores são importantes
para que a ação evangelizadora, da Igreja e dos cristãos, possa
se revestir de contundência e profetismo na área da saúde. Além
da caridade na atenção aos enfermos, é necessário empenho
por mudanças nas estruturas que geram enfermidades e mortes.
Tais estruturas tornam-se visíveis nas situações de exclusão, na
falta de condições adequadas e dignas de vida e no descaso, em
certas circunstâncias, no atendimento oferecido aos usuários do
sistema de saúde.  Tudo isto é exposto não só pelos MCS, mas
também pelos rostos sofridos e pelas mortes causadas pelo indigno atendimento.
25. “A Igreja no Brasil sabe que ‘nossos povos não querem andar pelas
sombras da morte. Têm sede de vida e felicidade em Cristo’. Por isso,
proclama com vigor que ‘as condições de vida de muitos abandonados,
excluídos e ignorados em sua miséria e dor, contradizem o projeto do
Pai e desafiam os discípulos missionários a maior compromisso a favor
da cultura da vida”.
18
 A fidelidade ao projeto de salvação de nosso Senhor, que indicou o caminho do cuidado aos doentes como
um dos mais genuínos sinais da realização do Reino, reclama da
evangelização ações pela justiça em favor dos injustiçados, vivê-la
profeticamente é ser fiel ao Evangelho.
18 DGAE, n. 66.
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4. Contribuições recentes da Igreja no Brasil
para a Saúde Pública
26. Em mais uma manifestação da preocupação da Igreja com a re com a re--
alidade social da população, em 1981, a Campanha da Fraternidade (CF) “Saúde e Fraternidade” apresentou o lema “Saúde
para Todos”. A Campanha contribuiu para a reflexão nacional
do conceito ampliado de saúde. Na época, o Papa João Paulo II
escreveu, em sua mensagem para a Campanha, que a “boa saúde
não é apenas ausência de doenças: é vida plenamente vivida, em todas
as suas dimensões, pessoais e sociais. Como o contrário, a falta de
saúde, não é só a presença da dor ou do mal físico. Há tantos nossos
irmãos enfermos, por causas inevitáveis ou evitáveis, a sofrer, paralisados, ‘à beira do caminho’, à espera da misericórdia do próximo, sem a
qual jamais poderão superar o estado de ‘semimortos’”.
19
27. A discussão sobre a saúde foi retomada na CF de 1984, com o
tema ‘Fraternidade e Vida’ e o lema ‘Para que todos tenham vida’,
partindo da citação bíblica: “pois eu estava com fome, e me destes de
comer,... doente, e cuidastes de mim” (Mt 25,35-36). Esta Campanha
buscou ser um sinal de esperança para as comunidades cristãs e
para todo o povo brasileiro, a fim de que, em um panorama de
sombras e de atentados à vida, sentissem a luz de Cristo, que
vence o egoísmo, o pecado e a morte, reforçando os princípios
norteadores da valorização da vida, do início até o seu fim.
28. Tais iniciativas constituem em marcos importantes da ação da
Igreja, tanto no campo da saúde como no da saúde pública, em
nosso país. Por ser amplo o leque destas atividades, com satisfa-
ção identificam-se ações pastorais, próprias do múnus eclesial,
que resultam em contribuição da Igreja para o cumprimento das
‘Metas do Milênio’, com as quais o governo brasileiro comprometeu-se perante a comunidade internacional, mobilizando diretamente vários de seus setores.
19 JOÃO PAULO II, Mensagem ao povo brasileiro por ocasião da abertura da CF 1981.
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29. No início da década de 1990, a ONU (Organização das Nações
Unidas), estabeleceu 8 metas de melhorias sociais a serem implementadas pelos países com  deficits  nestes indicadores. As
“Metas do Milênio” tornaram-se referenciais para as ações sociais do governo e de entidades civis e religiosas, em prol da
melhoria das condições de vida das populações. A saúde não só
está contemplada entre as metas, como também ocupa o centro
de suas atenções, com objetivos estipulados para serem alcan-
çados até o ano de 2015. Desde então, são invidados esforços
para a consecução dos objetivos, resultando em ações concretas de governos, Igrejas e sociedade. A seguir, são elencadas as
“Metas do Milênio”. Na sequência, são abordadas as que estão
grafadas em negrito.
a. A Redução da Mortalidade Infantil (quarto objetivo)
30. O Brasil é um dos países onde mais se reduziu a mortalidade
infantil: de 69,12 óbitos por mil nascidos vivos, em 1980, para
19,88, em 2010, segundo dados da Revista The Lancet, em seu
estudo Saúde no Brasil (2011). Este decréscimo de 71,23% é
um avanço positivo e aconteceu basicamente graças ao SUS,
Reduzir pela metade o número de pessoas que vivem na miséria e
passam fome.
Educação básica de qualidade para todos.
Igualdade entre os sexos e mais autonomia para as mulheres.
Redução da mortalidade infantil.
Melhoria da saúde materna.
Combate a epidemias e doenças.
Garantia da sustentabilidade ambiental.
Estabelecer parcerias mundiais para o desenvolvimento.
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à participação da sociedade, ao maior incentivo ao aleitamento
materno. Segundo o mesmo estudo, de 1970 a 2007, a dura-
ção média da amamentação materna aumentou de 2,5 para 14
meses.
31. Destaca-se, neste âmbito, o trabalho da Igreja por meio do engajamento das Pastorais Sociais, da Pastoral da Criança e da Pastoral da Saúde. A Pastoral da Criança, em suas ações, promove
o desenvolvimento integral das crianças pobres, da concepção
aos seis anos de idade, em seu contexto familiar e comunitá-
rio, com ações de preventivas de saúde, nutrição, educação e
cidadania. O índice de mortalidade infantil, em 2010, foi de 9,5
mortes para cada mil nascidas vivas, quase metade da média
nacional. Segundo o IBGE,
20
 de 1998 a 2008, foram evitadas 205
mil mortes de crianças de zero a 1 ano de idade, havendo, neste
período, redução de cerca de 30% da taxa de mortalidade infantil no país. Trata-se, pois, de um grande benefício proporcionado ao nosso povo carente, a partir da solidariedade e da fé com
baixíssimo custo para a sociedade.
32. Uma das  razões da significativa redução da mortalidade infantil,
entre as crianças atendidas pela Pastoral da Criança, é o trabalho solidário e contínuo de inúmeros voluntários na promoção de ações
básicas de saúde. Dentre elas, salienta-se a campanha de incentivo
à utilização do soro caseiro, uma das mais conhecidas e bem sucedidas. Outra frente de mobilização dos agentes desta pastoral é a
campanha pelo registro civil de nascimento, com  grande impacto
nas políticas de prevenção à mortalidade infantil.
33. O grande desafio para a continuidade e o avanço na diminuição da mortalidade infantil é o combate às afecções
perinatais,relacionadas ao aparelho respiratório do bebê, às infecções intestinais (como as diarreias) e a outras complicações
20 Fonte: Dados da Pastoral da Criança. Fonte: Folhas de Acompanhamento, digitadas até
13/04/2011, disponível também na internet: www.pastoraldacrianca.org.br . Acesso em:
07/07/2011.
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de saúde antes, durante e logo após o parto, normalmente causadas por gestação de curta duração, baixo peso e infecções.
Estas moléstias normalmente ocorrem nos primeiros 28 dias de
vida da criança e são responsáveis, no país, por metade das mortes de crianças menores de 1 ano.
34. O quadro, a seguir, mostra o significativo decréscimo da mortalidade infantil, no Brasil, entre 1980 e 2009.
35. Os dados atuais indicam rápido declínio da mortalidade infantil
no Brasil. Assim, o país deverá cumprir o quarto dos objetivos
das ‘Metas do Milênio’. Pelo ritmo  atual de queda da taxa da
mortalidade infantil, haverá, em 2015, 15 óbitos de menores de
um ano para cada mil nascidos vivos. Para efeito de comparação,
o índice dos países mais desenvolvidos é de 2 a 5 em média.
b. Melhoria da saúde materna (quinto objetivo)
36. O quinto ojetivo das “Metas do Milênio” é a  saúde materna.
Graças ao envolvimento social, expandiu-se, no país, o apoio
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integral às gestantes, com o oferecimento de orientação e supervisão nutricional às futuras mães; a valorização da vida, a
partir da gestação; a preparação das gestantes para o aleitamento materno; o encaminhamento para as consultas de pré-natal.
37. Um dos temas preocupantes, ao se tratar do  assunto da maternidade, é o da gravidez na adolescência,  embora o Ministério da
Saúde tenha detectado, no período de 2000 e 2008, redução de
9% no número de partos de adolescentes. A Igreja, como toda a
sociedade, preocupa-se em  virtude das consequências para estas
parturientes e seus pais, para a comunidade e, principalmente,
para as crianças nascidas em um cenário nem sempre favorável.
Urge, pois, a oferta de melhor assistência às  adolescentes gestantes, a fim de transmitir-lhes orientações quanto à sua saúde e sobre os cuidados adequados com seus bebês e, em casos extremos
de gravidez indesejada, sobre o encaminhamento para adoção.
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38. O Ministério da Saúde considera precoce a idade em que, no
Brasil, ocorre a gravidez. Vinte por cento dos partos são de jovens entre 15 e 19 anos e 29%, entre 20 e 24 anos. O número de
partos através de cesariana cresceu muito no Brasil, detentor,
no presente, da maior taxa do mundo.
21
 Os partos por cesárea
passaram de 38%, em 2000, para 47%, em 2007. Este é um procedimento de maior morbidade para a mãe e para a criança,
Os bebês nascidos por este meio têm, em geral, peso menor
do que os nascidos por parto natural. O acompanhamento pré-
natal com, pelo menos, sete consultas ainda é baixo, mesmo
com a melhora de 43,7% para 55,8%, em 2008.
22
39. Nas visitas domiciliares, os agentes de pastoral, ao encontrarem adolescentes grávidas e passam a acompanhá-las de perto,
cooperando para que superem as dificuldades e os riscos que
enfrentam neste processo e também as encaminhando para a
supervisão pré-natal. Na visita domiciliar, os agentes procuram
orientar a família sobre a importância do apoio e da compreensão deles para que a adolescente viva esse momento com serenidade, responsabilidade e amor.
40. A Pastoral da Criança acompanha também a implementação da
Política de Humanização do Pré-Natal e do Nascimento, existente desde o ano 2000 (Portaria 569/MS). O Ministério da Saú-
de estabelece, como dever de toda Unidade de Saúde, oferecer
atendimento adequado, assistência médica, exames laboratoriais gratuitos, medicamentos, vacinas e outros tratamentos necessários (por exemplo, o odontológico e para anemias) a todas
as gestantes, garantindo seu acesso ao acompanhamento de
qualidade no pré-natal, na gestação, no parto e no puerpério.
21 The Lancet. Saúde no Brasil, maio de 2011. Acesse em: www.thelancet.com.br . Acesso em
07/06/2011.
22 Ministério da Saúde, 2010. Acesse em: www.portal.saude.gov.br . Acesso em: 07/06/2011.
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c. Combate a epidemias e doenças (sexto objetivo)
41. A Igreja, nos últimos anos, empreendeu ações de prevenção das
doenças sexualmente transmissíveis – DST, especialmente em
relação a AIDS e a sífilis. Seus agentes estendem sua solidariedade a pessoas e grupos portadores de outras doenças endêmicas,
como hanseníase, dengue, influenza, tuberculose, cooperando
na prevenção de tais enfermidades.
42. Desde abril de 2009,  a Igreja contribui com o Programa Nacional de DST/AIDS, do Ministério da Saúde, que visa incentivar
o diagnóstico precoce do HIV e da sífilis. Estão envolvidas, no
Programa, as Pastorais da AIDS, da Criança, da Saúde, Familiar e
as Sociais. Através de campanhas, orientam as pessoas a realizarem o teste anti-HIV a fim de evitar que a doença se manifeste.
O diagnóstico tardio é uma das principais causas de mortes de
quem tem HIV. A rede pública de saúde disponibiliza profissionais qualificados, testes, aconselhamento pré e pós-teste e vinculação à rede para os serviços de assistência, para as pessoas
cujo teste HIV tenha sido positivo.
43. As ações da Igreja também se pautam pela disseminação da cultura da prática de hábitos e estilos de vida saudáveis. Elas procuram
fazer eco aos alertas sobre os cuidados necessários em relação a
doenças que se disseminam como a hipertensão (pressão alta) e a
diabetes. Nos últimos anos, através de seus meios de comunica-
ção e de sua capilaridade, a Igreja tem marcado importante presença na participação em campanhas de esclarecimentos sobre o
câncer, o combate à dengue, ao consumo de álcool.
44. Em relação às doenças negligenciadas, as pastorais da Igreja
também colaboram no esforço para a eliminação da hansení-
ase e da tuberculose. Na última década, a Igreja, por meio de
suas pastorais afins, uniu-se aos grandes esforços para a eliminação da hanseníase, problema de saúde pública, divulgando
informações sobre a identificação e a cura da doença. Os trabalhos se efetivam por meio de campanhas de sensibilização e de
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educação em saúde, visando à promoção da saúde em todos os
seus aspectos.
d. Garantia da sustentabilidade ambiental
(sétimo objetivo)
45. Com o advento da industrialização, no século XVIII, o meio ambiente passou a sofrer alterações marcantes, cada vez mais aprofundadas, conforme se desenvolveram os meios tecnológicos e o consumo de bens industrializados. Na raiz deste processo, encontra-se a
corrida desenvolvimentista desenfreada, liderada pelos países detentores de capitais para investimento tecnológico. Este movimento teve um efeito “cascata” negativo na natureza, ao expor a vida e
o meio ambiente a elementos prejudiciais e agressores. Dentre tais
consequências estão a poluição dos mananciais de água potável; a
disseminação de campos eletromagnéticos; a poluição atmosférica; a contaminação por agrotóxicos; a contaminação de solos por
resíduos; a ocorrência de desastres ambientais.
23
46. O estilo de vida dos indivíduos e das comunidades tornou-se fator
preponderante no incremento das chamadas doenças da civiliza-
ção (cardiovasculares, obesidade, diabetes, câncer, entre outras).
Os danos causados ao meio ambiente provocam graves prejuízos à
saúde, razão pela qual o ser humano deve procurar conciliar o desenvolvimento com a sustentabilidade do meio ambiente. A atual
situação é grave, pois, segundo a OMS cerca de 2 milhões de pessoas morrem anualmente, no mundo, vítimas da poluição do ar. Em
certas regiões, especialmente nos países em desenvolvimento, ela
atinge níveis insuportáveis ao ser humano.
24
23 FILHO, J. K. A. eT aL.In. Neurobiologia, 73 (3) Julho/Setembro, 2010.
24 “a OMS apelou hoje a uma redução drástica dos níveis de poluentes nas cidades, propondo
limites muito mais rigorosos do que aqueles que estão actualmente a ser aplicados em
muitos países. A redução de 70 para 20 microgramas por metro cúbico dos níveis de um
poluente específico conhecido como PM10, produzido principalmente pela combustão de
combustíveis fósseis e de outros tipos, poderia fazer baixar em 15% por ano o número
de mortes nas cidades, diz OMS ao publicar as suas novas orientações sobre a qualidade do ar (Air Quality Guidelines)”. http://www.unric.org/pt/actualidade/6718 . Acesso em
28/06/2011. Acesso do site da OMS: www.who.int .
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47. A estimativa é de que 80% de todas as moléstias e mais de um
terço dos óbitos, nos países em desenvolvimento, sejam causados pelo uso de água contaminada. Em média, 10% do tempo
produtivo das pessoas afetadas são perdidos em virtude de doenças relacionadas à água “potável”. Estas condições propiciam
a disseminação de parasitoses intestinais, um grave problema
para a saúde pública em algumas regiões do país. Os esgotos estão entre as importantes causas da deterioração da qualidade da
água, em países em desenvolvimento, devido às toxinas que carregam, como pesticidas, metais pesados, resíduos industriais e
outras substâncias. Geralmente, estes produtos contaminantes
são oriundos de práticas amadoras e irregulares, por exemplo,
as capinas químicas, em doses excessivas, em áreas de constru-
ção urbana. O descaso com os esgotos resulta em contaminação
do lençol freático e compromete a pureza dos recursos hídricos,
gerando inúmeras enfermidades.
48. Um debate importante refere-se ao modelo de organização e
de ocupação do solo nas cidades. O crescimento contínuo da
população urbana requer políticas públicas que atentem para
questões como moradia, saneamento, transporte, acesso e
qualificação ao trabalho, saúde, educação, cultura, de modo a
viabilizar vida com qualidade e contribuir para a redução das
desigualdades existentes.
49. Há atividades que visam à educação das famílias para a valorização da riqueza que o meio ambiente pode oferecer à saúde.
Dentre elas, ressaltam especialmente a valorização das plantas
e o desenvolvimento de práticas de medicina natural e caseira,
uma tradição de nossa cultura, amplamente utilizada geração
após geração. É fundamental, no entanto, respeitar as normas
sanitárias vigentes e as condições de higiene recomendadas.
50. Catástrofes e tragédias de grandes proporções, como temporais, enchentes, secas, terremotos, deslizamentos de encostas
e maremotos, são inevitáveis e continuarão a ocorrer. Entretanto, no século XXI, as condições para amenizar estes danos são
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superiores às de outras épocas históricas. A ciência e a tecnologia disponíveis permitem ações de prevenção; políticas públicas
de médio e longo alcance; utilização sustentável do solo; comunicação à população sobre alterações significativas de condições climáticas que coloquem vidas em risco. É necessário,
porém, maior empenho na implantação de políticas públicas
preventivas de médio e longo prazo.
51. O sistema jurídico brasileiro contempla a relação entre meio ambiente e saúde. O artigo 225, da Constituição Federal do Brasil,
assegura que: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade
de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para a presente e futuras gerações”.
25
 Assim, um
meio ambiente ecologicamente equilibrado é vislumbrado por
nossa Carta Magna. Ele deve, portanto, ser pleiteado pela população, por ações cidadãs reivindicatórias em benefício de sua
saúde. A Igreja tem contribuído efetivamente neste sentido.
52. A temática do meio ambiente já foi, em anos anteriores, abordada pela Campanha da Fraternidade. Em 1979, com o tema “Por
um mundo mais humano” e o lema “Preserve o que é de todos”,
a CNBB propôs a discussão sobre a necessidade de despertar,
no ser humano, o compromisso com a preservação. Em 1986,
o tema foi “Fraternidade e terra” e o lema “Terra de Deus, terra de irmãos”; em 2002, “Fraternidade e povos indígenas” com
o lema: “Por uma terra sem males”; em 2004, “Fraternidade e
água” com o lema: “Água, fonte de vida”; em 2007, “Fraternidade e Amazônia” com o lema: “Vida e missão neste chão”; em
2011, “Fraternidade e a vida no planeta”, com o lema: “A criação
geme em dores de parto”.
53. Este breve histórico demonstra que a Igreja está permanentemente preocupada com a preservação do meio ambiente e
sua sustentabilidade. Ela o faz, impulsionada pela missão de
25 Constituição Federal do Brasil, 1988, n. 225.
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defender a obra da Criação de nosso Deus e seu projeto de
amor e vida. Neste sentido, tem procurado apontar soluções
viáveis que ajudem o ser humano em sua relação com a mãe
natureza e o engajamento efetivo nos grandes debates que
ocorrem na sociedade referentes à questão. A Igreja está consciente de que a temática do meio ambiente é transversal aos
assuntos pertinentes à saúde humana e fundamental para as
reflexões sobre a vida, especialmente sobre a vida humana, em
perspectiva de futuro.
5. Panorama atual da Saúde no Brasil
54. Nas últimas décadas, o setor da saúde passou por impressionantes transformações em importantes aspectos demográficos,
epidemiológicos, nutricionais e tecnológicos. Segue uma exposição sobre estas mudanças que interferem diretamente na
saúde da população.
5.1. Fatores intervenientes na saúde em geral
55. A transição demográfica – a expectativa de vida no Brasil tem
apresentado evolução significativa nas últimas décadas. Segundo o IBGE,
26
 em 2008, a esperança de vida dos brasileiros, ao
nascer, chegou a 72 anos, 10 meses e 10 dias. A média entre os
homens é de 69,11 anos e, entre as mulheres, 76,71. De 1980
a 2000, a população de idosos cresceu 107%, enquanto a dos
jovens de até 14 anos cresceu apenas 14%.
27
 Em 1980, as crian-
ças de 0 a 14 anos correspondiam a 38,25% da população e,
em 2009, elas representavam 26,04%. Entretanto, o contingente com 65 anos ou mais de idade pulou de 4,01% para 6,67%
no mesmo período. Em 2050, o primeiro grupo representará
26 IBGE. Diretoria de Pesquisa. Coordenação de População e indicadores Sociais. Projeção da
População do Brasil por sexo e idade 1980-2050 – Revisão 2008.
27 Ministério da Saúde. Vigilância de Doenças Crônicas não Transmissíveis, 2011. Acesse em:
www.saude.gov.br . Acesso em 07/06/2011.
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13,15%, ao passo que a população idosa ultrapassará os 22,17%
da população total.
56. A melhoria, no Brasil, das condições de vida em geral  trouxe
maior longevidade à população. O número de idosos aumentou
e já chega a 21 milhões de pessoas.  As projeções apontam para
a duplicação deste contingente nos próximos 20 anos, ou seja,
ampliação de 8% para 15%. Por outro lado, o percentual de crian-
ças e jovens está em queda. Uma das explicações para este fato é
a diminuição do índice de fecundidade por casal, que, em 2008,
caiu para 1,8 filhos, o que aproxima o Brasil dos países com
as menores taxas de fecundidade. Como a mortalidade infantil
ainda é alta em relação aos melhores indicadores - 19,88 óbitos
por mil nascidos vivos em 2010
28
 - verifica-se a preocupante diminuição percentual da faixa etária mais jovem. Portanto, uma
impactante transição demográfica está em curso no país.
57. A julgar pelas projeções, esta transição demográfica mudará a
face da população brasileira. Segundo estimativas, em 2050,
haverá 100 milhões de indivíduos com mais de 50 anos, causando reflexos diretos no campo da saúde. De acordo com o
28 The Lancet. Saúde no Brasil, maio de 2011. Acesse em: www.thelancet.com.br . Acesso em
07/06/2011.
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Suplemento de Saúde da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílio) e 2008, apenas 22,6% dos idosos declararam não
ter doenças. Entre aqueles com 75 anos ou mais, este percentual
caiu para 19,7%. Quase metade (48,9%) dos idosos sofria de mais
de alguma doença crônica, especificamente na faixa a partir de
75 anos, o percentual atingia 54%. A hipertensão afeta metade
dos idosos. Dores na coluna, artrite, reumatismo são doenças
muito comuns entre as pessoas de 60 anos ou mais.
58. A Igreja atenta a este novo perfil que se desenha na população
brasileira, por meio da Pastoral da Pessoa Idosa, empreende ações
para a consolidação dos direitos das pessoas nesta etapa da vida e
tenham acesso a políticas públicas de saúde e à assistência social,
que a idade requer. Contribui, assim, para que sejam valorizados
e tenham as condições para viver dignamente no ocaso da vida,
numa sociedade acostumada a descarta o que não se enquadra
na lógica da produtividade. Em 2010, a Pastoral da Pessoa Idosa
acompanhou 188.767 pessoas idosas, em 5.435 comunidades, de
1.343 paróquias, 878 municípios e 26 Estados.
59. Os dados desta projeção indicam que, se não for implantada uma
política agressiva de prevenção de doenças e promoção da vida
saudável, haverá uma população de idosos com vários problemas
de saúde, o que transtornará o sistema de saúde e dificultará seu
financiamento. Esta projeção aponta para o necessário trabalho
de identificação precoce dos fatores de risco para doenças como
problemas cardiovasculares (como a hipertensão arterial); tabagismo; diabetes; sedentarismo; obesidade; dislipidemias (colesterol e/ou triglicérides aumentados), bem como para doenças
relacionadas à dependência química. Por terem repercussões no
indivíduo, na família e na sociedade, elas devem ser prioridade de
qualquer gestor de saúde. Este diagnóstico indica a urgência da
implantação de políticas sérias e adequadas.
60. A transição epidemiológica também se faz presente como fator interveniente na saúde. No passado recente, doenças infecto-parasitárias, com desfecho rápido, eram as principais causas de morte
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na população brasileira, chegando a 26% do total de mortes.
29
 Nas
últimas décadas, porém, este cenário modificou-se e tais doenças,
atualmente, representam apenas 6,5% dos óbitos. No entanto, as
doenças crônico-degenerativas (como diabetes, hipertensão, demências), os cânceres (neoplasias) e as causas externas (mortes
violentas) assumiram o papel de principais causas de mortalidade.
O tratamento e a reabilitação dos pacientes acometidos por estas
doenças figuram entre os altos custos do sistema de saúde.
61. A transição tecnológica - na medicina atual, a tecnologia assume papel cada vez mais significativo. A incorporação de novos
artefatos é sempre bem vinda, pois adiciona qualidade aos tratamentos curativos ou paliativos. A agregação de tais avanços levanta, no entanto, algumas discussões, por implicar altos custos
e por trazer o perigo de relegar a plano secundário a necessária
humanização no tratamento dos pacientes.
62. A evolução tecnológica geralmente agrega benefícios, facilidades e precisão, mas é preciso lembrar que o incremento tecnológico não deve substituir a relação humana nem desumanizar
o atendimento à saúde. A incorporação dos avanços de última
geração no sistema de atendimento à saúde deve, portanto,
preservar o senso humanitário e o respeito ao ser humano.
29 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa de Orçamento Familiar (POF),
2009. Acesse em: www.ibge.gov.br . Acesso em 07/06/2011.
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63. A transição nutricional proporcionou mudança no padrão físico
do brasileiro. O excesso de peso ou sobrepeso e a obesidade
(índice de massa corpórea entre 25 e 30 e acima de 30, respectivamente) explodiram. Segundo o IBGE, em 2009, o sobrepeso
atingiu mais de 30% das crianças entre 5 e 9 anos de idade; cerca de 20% da população entre 10 e 19 anos; 48% das mulheres;
50,1% dos homens acima de 20 anos.
30
 Segundo dados,
31
 48,1%
da população brasileira estão acima do peso, 15% são obesos.
64. Esses números acenam para um quadro de verdadeira epidemia.
Desde 2003, a POF
32
 indica que as famílias estão substituindo a
alimentação tradicional na dieta do brasileiro (arroz, feijão, hortaliças), pela industrializada, mais calóricas e menos nutritiva,
com reflexos no equilíbrio do organismo, podendo resultar em
enfermidades, por exemplo, no descontrole da pressão arterial.
6. Grandes preocupações na saúde
pública no Brasil
65. Conforme o contexto delineado, é possível extrair 5 temas preocupantes para a saúde atualmente: doenças crônicas não transmissíveis (doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, cânceres, doenças renais crônicas e outras); doenças transmissíveis
(AIDS, tuberculose, hanseníase, influenzae ou gripe, dengue e outras); fatores comportamentais de risco modificáveis (tabagismo,
dislipidemias por consumo excessivo de gorduras saturadas de
origem animal, obesidade, ingestão insuficiente de frutas e hortaliças, inatividade física e sedentarismo); dependência química
e uso crescente e disseminado de drogas lícitas e ilícitas (álcool,
crack, oxi e outras); causas externas (acidentes e violências).
30 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). POF (Pesquisa de Orçamento Familiar),
2009. Acesse em: www.ibge.gov.br . Acesso em 07/06/2011.
31 VIGITEL Brasil 2010. Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Ministério da Saúde, 2011.
32 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). POF (Pesquisa de Orçamento Familiar),
2009. Acesse em: www.ibge.gov.br . Acesso em 07/06/2011.
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a. Doenças não Transmissíveis (DNT)
66. Essas doenças representam sério problema de saúde pública,
tanto nos países ricos quanto nos de média e baixa renda. Estimativas da OMS (Organização Mundial de Saúde) mostram
que as DNT são responsáveis por 58,5% das mortes ocorridas
no mundo e por 45,9% das enfermidades que acometem as populações. Em 2005, cerca de 35 milhões de pessoas no mundo
morreram por doenças crônicas, o que corresponde ao dobro
das mortes relacionadas às doenças infecciosas.
33
67. Em 2007, as DNT respondiam por aproximadamente 67,3% das
causas de óbitos no Brasil e representavam cerca de 75% dos
gastos com a atenção à saúde. As doenças cardiovasculares correspondiam às principais causas, com 29,4%, de todos os óbitos
declarados.
34
68. Segundo o Ministério da Saúde, estima-se que a hipertensão
atinja 23,3% dos brasileiros, ou seja, 44,7 milhões de pessoas.
Deste montante, apenas 33 milhões têm ciência de seu diagnóstico ou de diagnóstico autoreferido. Apenas 19% têm a pressão
33 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. POF (Pesquisa de Orçamento Familiar), 2009.
Acesse em: www.ibge.gov.br . Acesso em 06/07/2011.
34 Ministério da Saúde, 2010. Acesse em: www.portal.saude.gov.br . Acesso em:07/06/2011.
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sob controle entre aqueles que estão em tratamento. Em rela-
ção ao gênero, a hipertensão atinge mais as mulheres (25,5%) do
que os homens (20,7%). O diagnóstico de hipertensão arterial
torna-se mais comum com o avanço da idade, atingindo em torno de 50% das pessoas acima de 55 anos.
35
69. Em relação ao diabetes, estimativas apontam para 11 milhões
de portadores, sendo que somente 7,5 milhões sabem que são
portadores e nem todos se tratam adequadamente.
36
70. Em 2008, segundo a IARC (Agência Internacional para Pesquisa
em Câncer) e a OMS (Organização Mundial da Saúde), houve
12 milhões de novos casos de câncer em todo o mundo, com
7 milhões de óbitos por este motivo.
37
 No Brasil, para o ano
de 2011, as estimativas apontam para a ocorrência de 489.270
novos casos de câncer.
38
 Os tipos mais incidentes, excluindo o
câncer de pele, não melanoma (113 mil novos casos), devem
ser, nos homens, o câncer de próstata (52 mil), pulmão (18 mil),
35 MACHADO, C. A. O custo social das doenças cardiovasculares. Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2011.
36 VIGITEL Brasil 2010. Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Ministério da Saúde, 2011.
37 OLIVEIRA, C. Médicos elogiam remédio gratuito, mas defendem melhor atendimento e preven-
ção. Rede Brasil Atual, publicado em 05/02/2011. Acesse em: www.redebrasilatual.com.br/
temas/saude/2011. Acesso em 06/07/2011.
38 Instituto Nacional de Câncer (INCA). Introdução, Estimativa 2010. Relatório da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC)/OMS (World Cancer Report, 2008). Acesse em:
www.inca.gov.br . Acesso em 07/06/2011.
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estômago (14 mil), cólon e reto (13 mil) e, nas mulheres, o
câncer de mama (49 mil), colo de útero (18 mil), cólon e reto
(15 mil), pulmão (10 mil).
39
 Segundo o Ministério da Saúde,
40
desde 2003, as neoplasias malignas constituem a segunda causa
de morte na população. Em  2007, elas representaram cerca de
17% dos óbitos de causa conhecida no país.
71. Conforme dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia,
41
 quase
1 milhão de brasileiros têm problemas renais, no entanto 70%
ainda não o sabem. A doença renal crônica caracteriza-se por
um quadro de evolução lenta, progressiva até a perda irreversí-
vel da função renal (quando os rins deixam de filtrar o sangue).
As doenças renais matam pelo menos 15 mil pessoas por ano,
no Brasil. Esse tipo de enfermidade é responsável pelo consumo
de até 10% de toda a verba destinada a hospitais, clínicas, médicos e medicamentos, chegando a cerca de R$ 1,4 bilhão ao ano.
Dos 150 mil pacientes que deveriam estar em diálise, apenas 70
mil conseguem receber tal tratamento.
42
72. Pelos critérios do Ministério da Saúde, quando um paciente
atinge a média de 10% das funções renais, precisa entrar em di-
álise até conseguir o transplante, caso preencha os critérios de
receptor de órgãos.  A cada ano, 20 mil novos brasileiros entram
na fila do tratamento. Diante deste quadro, o número expressivo de procedimentos renais que ocorrem na rede pública a
cada ano – 3 mil transplantes e cerca de 25 mil transplantados
em acompanhamento – ainda fica bem aquém das necessidades
reais da população. Eis uma área da saúde que reclama mais
investimentos para atender a demanda.
39 Instituto Nacional de Câncer (INCA). Introdução, Estimativa 2010. Relatório da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC)/OMS (World Cancer Report, 2008). Acesse em:
www.inca.gov.br . Acesso em 07/06/2011.
40 Ibid.
41 Ibid.
42 Sociedade Brasileira de Nefrologia. Campanha de prevenção de doenças renais, 2010. Acesse
em: www.sbn.org.br . Acesso em 07/06/2011.
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b. Doenças Transmissíveis
73. Os números da AIDS no Brasil (doença já manifesta), atualizados até junho de 2010, contabilizam 592.914 casos registrados
desde 1980. A expansão da epidemia continua estável. A taxa
de incidência oscila em torno de 20 casos de AIDS por 100 mil
habitantes. Em 2009, foram notificados 38.538 novos casos da
doença, sendo que, em 87,5% deste montante,
43
 a transmissão
ocorreu por via heterossexual.
74. Atualmente, ainda há mais casos da doença entre os homens do
que entre as mulheres, mas essa diferença vem diminuindo ao
longo dos anos. A faixa etária entre 30 e 49 anos é a de maior incidência de AIDS, em ambos os sexos. Chama atenção a faixa etária
de 13 a 19 anos, em que o número de casos de AIDS é maior entre
as mulheres. Em 1989, a razão era de cerca de 6 casos de AIDS
no sexo masculino para cada 1 caso no sexo feminino. Em 2009,
chegou a 1,6 casos em homens para cada 1 em mulheres.
44
75. Segundo dados do Boletim Epidemiológico AIDS
45
 a tendência é
de queda na incidência de casos em crianças menores de cinco
anos. Considerando o período entre os anos de 1999 e 2009,
a redução chegou a 44,4%.
46
 O resultado confirma a eficácia da
política de redução da transmissão vertical do HIV (da mãe para
o bebê) e outras medidas de prevenção, como a ampliação do
diagnóstico do HIV/AIDS, já que as pessoas que conhecem a sua
sorologia podem se tratar para evitar novas infecções.
76. O Brasil, entre 2008 e 2010, reduziu de 73.673 para 70.601 o
número de novos casos de tuberculose, o que representa cerca
de 3 mil novos casos a menos, no período. Com a redução, a
43 Sociedade Brasileira de Nefrologia. Campanha de prevenção de doenças renais, 2010. Acesse
em: www.sbn.org.br . Acesso em 07/06/2011.
44 Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Dados e Pesquisas. Ministério da Saúde,
2011. Acesse em: www.aids.gov.br . Acesso em 07/06/2011.
45 Ibid.
46 Presidência da República Federativa do Brasil. Brasil reduz em 3 mil o número de novos casos
de tuberculose entre 2008 e 2010. Portal Brasil, 24/03/2011. Acesse em: www.brasil.gov.br/
noticias/arquivos
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taxa de incidência (número de pacientes por 100 mil habitantes)
baixou de 38,82 para 37,99,
47
 porém a tuberculose ainda é a terceira causa de óbitos por doenças infecciosas e a primeira entre
pacientes com AIDS. Estes são números positivos, porém eles
ainda demonstram ser a tuberculose um dos principais problemas de saúde pública do Brasil, exigindo esforços para acelerar
a diminuição de sua ocorrência.
77. A Igreja somou esforços com a sociedade para oferecer informações atualizadas visando à superação dos preconceitos e do
estigma em relação à hanseníase, uma doença que tem cura! O
objetivo da Igreja é ajudar as pessoas a começarem, o quanto
antes, o tratamento desta doença. Segundo o Ministério da Saú-
de, no Brasil, cerca de 47.000 novos casos são detectados a cada
ano, sendo 8% deles em menores de 15 anos.
48
 A detecção de
novos casos especificamente nesta faixa etária foi adotada como
principal indicador de monitoramento da endemia, com a meta
de redução estabelecida em 10% até 2011.
78. O domicílio é apontado como importante espaço de transmissão da doença, embora ainda existam lacunas de conhecimento
quanto aos prováveis fatores de risco implicados, especialmente
aqueles relacionados ao ambiente social.  A hanseníase apresenta tendência de estabilização dos coeficientes de detecção no
país, mas eles ainda estão em patamares muito altos nas regiões
Norte, Centro-Oeste e Nordeste. Essas regiões concentram
53,5% dos casos detectados em apenas 17,5% da população brasileira.
49
 O controle desta doença é baseado no diagnóstico precoce dos casos, seu tratamento (sem interrupção) e cura. Buscase também eliminar fontes de infecção e evitar sequelas.
47 Situação da Hanseníase no Brasil. Pastoral da Criança. Acesse em: www.pastoraldacriança.
org.br. Acesso em: 07/06/2011.
48 Vigilância em Saúde: situação epidemiológica da hanseníase no Brasil. Ministério da Saúde,
2008. Acesse em: www.portal.saude.gov.br/portal/arquivos . Acesso em 07/06/2011.
49 Ministério da Saúde, 2010. Acesse em: www.portal.saude.gov.br . Acesso em: 07/06/2011.
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79. É facilmente perceptível o temor frente às pandemias que rapidamente se espalham pelo mundo, devido à globalização. Chega a ser curioso, o homem se vangloriar de muitas conquistas
e descobertas científicas, mas, ao mesmo tempo, ficar impotente frente à ação desconhecida e letal de um imperceptível
e microscópico germe. Recentemente, um enorme pânico assombrou o planeta, por causa do surto de uma gripe denominada gripe A ou sorotipo H1N1. O vírus da influenza acomete,
anualmente, no Brasil, cerca de 400 a 500 mil pessoas e mata
de 3 a 4 mil indivíduos, sendo que 95% destes óbitos são de
idosos.
50
80. Nas regiões mais quentes e úmidas do país, ainda se constata significativa frequência de doenças tropicais, dentre elas a
malária e a dengue. A Organização Mundial da Saúde estima
que entre 50 a 100 milhões de pessoas se infectam anualmente
com as doenças tropicais em mais de 100 países
51
, exceto os da
Europa. No Brasil, somente nos primeiros 9 meses do ano de
2010, 936 mil casos de dengue foram notificados ao Ministério
da Saúde, sendo 14,3 mil graves, tendo ocorrido 592 mortes, no
mesmo período.
52
 
81. Também, não se pode descuidar da doença de Chagas, em algumas regiões do Brasil ainda há um grande número de infectados.
Não obstante, o Brasil ter recebido em 2006, da Organização
Panamericana da Saúde, a Certificação Internacional de Eliminação da Transmissão desta doença, a erradicação definitiva da
transmissão da doença requer a manutenção contínua de ações
de controle e vigilância.
50 Organização Mundial da Saúde. O mundo e as doenças tropicais. Acesse em: www.who.int .
Acesso em 07/06/2011.
51 Programa Nacional de Controle da Dengue. Ministério da Saúde, 2010. Acesse em: www.
portal.saude.gov.br . Acesso em: 07/06/2011.
52 Organização Mundial da Saúde. Causa de morte evitável. Acesse em: www.who.int . Acesso
em : 07/06/2010.
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c. Fatores de Risco Modificáveis
82. O tabagismo é a principal causa evitável de morte no mundo.
53
É incontestável a associação entre o cigarro com suas mais de
quatro mil substâncias tóxicas e os vários tipos de câncer (como
de pulmão, boca, lábio, língua, laringe, garganta, esôfago, pâncreas, estômago, intestino delgado, bexiga, rins, colo de útero),
bem como com diversas moléstias, por exemplo: derrame cerebral, ataque cardíaco, doenças pulmonares crônicas, problemas
de circulação, úlceras, diabetes, infertilidade, bebês abaixo do
peso, osteoporose, infecções no ouvido. Segundo a OPAS,
54
 90%
dos casos de câncer de pulmão estão associados ao tabagismo.
83. O percentual de fumantes no país teve redução nas últimas décadas. Em 1989, representava um terço da população,
55
 e, em 2010,
foi reduzido para 15,1% da população adulta.
56
 A OMS afirma que
o tabagismo (dependência física e psicológica do cigarro), no Brasil, ainda mata cerca de 200 mil pessoas por ano. Segundo o INCA
(Instituto Nacional de Câncer), pelo menos 2,7 mil não fumantes
morrem no Brasil por ano devido a doenças provocadas pelo tabagismo passivo.
57
 O fumante passivo possui 30% de chances a mais
de desenvolver câncer de pulmão e 24% a mais de sofrer infarto e
doenças cardiovasculares em relação a uma pessoa que não tenha
nenhum tipo de contato direto com a fumaça do cigarro.
84. A prática regular de exercícios físicos está longe de fazer parte
da rotina dos brasileiros. Em 2008, somente 10,2% da população
53 Organização Pan-americana da Saúde. Organismo internacional de saúde pública dedicado a melhorar as condições de saúde dos países das Américas. Atua também como Escritório Regional da Organização Mundial da Saúde para as Américas e faz parte dos sistemas da Organização dos Estados
Americanos (OEA) e da Organização das Nações Unidas (ONU). Acesse em: www.opas.org.br .
54 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição,
1989. Acesse em: www.ibge.gov.br . Acesso em: 07/06/2011.
55 VIGITEL Brasil 2010. Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Ministério da Saúde, 2011. Acesso em: 07/06/2011.
56 INCA (Instituto Nacional de Câncer). Acesse em: www.inca.gov.br . Acesso em : 07/06/2010.
57 VIGITEL Brasil 2010. Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Ministério da Saúde, 2011. Acesso em: 07/06/2011.
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com 14 anos ou mais tinha uma atividade física regular.
58
 De
acordo com dados,
59
 14,2% da população adulta não praticam
nenhuma atividade física, nem durante o tempo de lazer nem
para ir ao trabalho.
85. Em relação à primeira fase da vida, se anteriormente assombrava o índice da mortalidade infantil, agora preocupa o crescimento da obesidade. Através da relação entre altura, idade e peso, é
possível saber o IMC (Índice de Massa Corporal) adequado para
a idade da criança.
86. O crescimento do número de pessoas com sobrepeso e obesas,
em um curto período, é uma tendência e constitui um desafio
mundial a ser enfrentado. A OMS projetou que, em 2005, o mundo tinha 1,6 bilhões de pessoas acima de 15 anos com excesso
de peso e 400 milhões de obesos (IMC acima ou igual a 30). A
projeção para 2015 é ainda mais pessimista: 2,3 bilhões de pessoas com excesso de peso e 700 milhões de obesos, indicando aumento de 75% nos casos de obesidade em 10 anos.
60
 No Brasil, há
48,1% de pessoas com excesso de peso, sendo 15% de obesos.
61
Além das dificuldades naturais causadas pelo excesso de peso, a
obesidade pode, ao longo do tempo, acarretar problemas à saúde
do ser humano como hipertensão arterial e diabetes.
d. Dependência Química
87. O Escritório das UNODC (Nações Unidas contra Drogas e Crimes)
mencionou, em um Relatório Mundial sobre Drogas
62
 (2008),
que cerca de 5% da população mundial (208 milhões de pessoas)
58 VIGITEL Brasil 2010. Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Ministério da Saúde, 2011. Acesso em: 07/06/2011.
59 Organização Mundial da Saúde. Cenário da obesidade no mundo. Acesse em: www.who.int .
Acesso em: 06/07/2011.
60 VIGITEL Brasil 2010. Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Ministério da Saúde, 2011. Acesso em: 07/06/2011.
61 UNODC. Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime. Relatório Mundial sobre Drogas, 2008. Acesse em: www.unodc.org.br . Acesso em: 07/06/2011.
62 Ministério da Saúde, 2010. Acesse em: www.portal.saude.gov.br . Acesso em:07/06/2011.
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já fez uso de drogas ao menos uma vez. Esta pesquisa cita que
o Brasil é o segundo maior mercado de cocaína das Américas,
com cerca de 870 mil usuários adultos (entre 15 a 64 anos),
atrás apenas dos Estados Unidos que têm cerca de 6 milhões de
consumidores da droga.
88. O Brasil é o responsável pela maior quantidade de maconha
apreendida na América do Sul, foram 167 toneladas em 2008.
O consumo da maconha e do haxixe no Brasil aumentou duas
vezes e meia: em 2001, 1% dos brasileiros consumia droga. Em
2005, o número chegou a 2,6% da população. Segundo o Ministério da Saúde, o crack poderá tirar a vida de, pelo menos, 25
mil jovens por ano no Brasil, A estimativa é que mais de 1,2 milhão de pessoas sejam usuárias de crack no país e cerca de 600
mil pessoas façam uso frequente de droga. A média de idade do
início do uso é 13 anos.
63
89. Ultimamente, há notícias que indicam a rápida difusão de uma
nova devastadora droga, já apreendida em todas as regiões do
país. Trata-se do oxi, uma droga mais barata e de consequên- consequências ainda mais danosas para os usuários que o temível crack.
63 Ministério da Saúde, 2010. Acesse em: www.portal.saude.gov.br . Acesso em:07/06/2011.
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O oxi é produzido pela mistura de cocaína, combustível, cal virgem, cimento, acetona, ácido sulfúrico, soda cáustica e amônia.
Pesquisas iniciais do Ministério da Saúde apontam que cerca de
um terço (33%) dos usuários de oxi morrem no primeiro ano.
64
 A
dependência química, especialmente ao crack, tem levado milhares de jovens às prisões, os quais cometem pequenos delitos
como furto de lojas para comprar drogas. Nesse sentido, cremos
que em alternativas à prisão. como a justiça terapêutica.
90. A Pastoral Carcerária testemunha um elevado número de pessoas cuja saúde física e mental foram deterioradas devido à permanência na prisão por longo tempo e em condições desumanas e degradante, cuja escassa ventilação, distribuição reduzida
de água e, pior, a superpopulação prisional, ou seja, onde se põe
mais de 50 pessoas numa só cela, são propícias a proliferação de
doenças e o agravamento das mesmas. Nesse sentido, cremos
que em alternativas à prisão. como a justiça terapêutica, cujo
tratamento é voltado à saúde do dependente químico.
91. A dependência do álcool é um dos graves problemas de saúde
pública brasileiro. De acordo com o CEBRID,
65
 atualmente 18%
da população adulta consomem álcool em excesso, em contraposição aos 16,2% em 2006. A população masculina ainda é a
maioria entre os que bebem em excesso (26,8%, em 2010), mas
foi entre as mulheres que se deu o aumento mais expressivo na
utilização da bebida alcoólica. Neste grupo, a taxa passou de
8,2%, em 2006, para 10,6%, em 2010.
92. O uso do álcool, além de causar sérios e irreversíveis danos a
vários órgãos do corpo, está também relacionado a cerca de
60% dos acidentes de trânsito e a 70% das mortes violentas
66
.
O consumo do álcool vem crescendo em todos os setores da
64 VIGITEL Brasil 2010. Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Ministério da Saúde, 2011. Acesso em: 07/06/2011.
65 CEBRID. Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, 2010. Acesse em: www.
unifesp.br/dpsicobio . Acesso em:07/06/2011.
66 GPS, n. 422.
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sociedade, independente de cor, raça, religião, condições financeiras de seus usuários, tanto em grandes centros urbanos como
nas mais distantes áreas rurais.
93. Segundo o Documento de Aparecida, “o problema da droga é
como mancha de óleo que invade tudo. Não reconhece fronteiras, nem
geográficas, nem humanas. Ataca igualmente países ricos e pobres,
crianças, jovens, adultos e idosos, homens e mulheres. A Igreja não
pode permanecer indiferente diante desse flagelo que está destruindo
a humanidade, especialmente as novas gerações”.
67
e. Causas Externas (acidentes e violências)
94. No Brasil, o número de mortes por causas externas (mortes violentas) já ocupa o terceiro lugar em relação aos óbitos da população
em geral, só perdendo para as doenças cardiovasculares e as neoplasias (cânceres), e detém o primeiro lugar como causa de morte
na faixa etária de 15 a 39 anos. Segundo um estudo sobre Saúde
no Brasil, houve, no país, em 2007, 47.707 homicídios (36,4%) e
38.419 óbitos (29,3%) relacionados ao trânsito, constituindo juntos 67% do total de 131.032 óbitos por causas externas.
68
 
95. É assustador o alto número de acidentes de trânsito que acontecem pelo país, ceifando milhares de vidas. Eles também deixam
inúmeros sobreviventes com sequelas irreversíveis, que passam
depender muito do sistema de saúde e da família devido ao
constante cuidado de que precisam. Dentre estas vítimas, muitas
são crianças e jovens. Neste grupo, também há muitas vítimas
de outros tipos de acidentes, ocorridos até mesmo nos lares.
69
No entanto, acidentes com crianças e adolescentes podem ser
67 DAp n. 422.
68 The Lancet. Saúde no Brasil, maio de 2011. Acesse em: www.thelancet.com.br . Acesso em;
07/06/2011.
69 No Brasil, cerca de 5 mil crianças morrem e 137 mil são hospitalizadas anualmente. Se- No Brasil, cerca de 5 mil crianças morrem e 137 mil são hospitalizadas anualmente. Segundo relatório da OMS (2007), os acidentes por causas externas lideram no ranking da
mortalidade infantil. Estudos mostram que 90% dos casos podem ser evitados com informações e educação por meio de ações multidisciplinares.
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previstos e evitados com medidas apropriadas relacionadas à moradia e aos espaços de lazer. É importante que haja reflexão sobre
o contexto no qual os acidentes ocorrem, em busca de alternativas para oferecer às crianças melhores condições de segurança.
96. É igualmente a preocupante escalada dos números de vítimas da violência doméstica. Mesmo com a existência da Lei
Maria da Penha (lei n. 11.340/2006), só em 2010, foram feitos
734.416 registros, sendo 108.026 com relatos de violência e
63.831especificamente referentes à violência física.
70
 
f. A Saúde bucal
97. Grande parte dos brasileiros não sabe que podem receber tratamento odontológico gratuito pelo SUS. Dados do IBGE, apurados
em 1998, indicam que, até aquele ano, 30 milhões de brasileiros
nunca tinham ido ao dentista. Segundo o levantamento nacional
de saúde bucal, concluído em março de 2004 pelo Ministério da
Saúde, 13% dos adolescentes nunca tinham ido ao dentista; 20%
da população brasileira havia perdido todos os dentes; 45% dos
brasileiros não tinham acesso regular à escova de dentes.
98. Frente a tal situação, o Ministério da Saúde lançou, em 2004, o
Programa Brasil Sorridente, visando ampliar o acesso da população ao tratamento odontológico. Trata-se de um programa estruturado e que não pretende apenas conceder incentivos para
ações isoladas à saúde bucal.
g. Conceito e números atuais do sistema de saúde pública
99. A saúde pública pode ser compreendida como um conjunto
de discursos, práticas e saberes que objetivam o melhor estado de saúde possível das populações, ou seja, ela se refere à
saúde da coletividade. Os conceitos atualmente aplicados são
70 Ministério da Justiça, 2011. Acesse em: portal.mj.gov.br . Acesso em: 07/06/2011.
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diferenciados, sendo que o escopo e o campo de práticas da
saúde pública dependem de diversos fatores, tais como, a concepção do papel de Estado nos campos econômico e social e
a concepção das responsabilidades individual e coletiva sobre
a saúde e sobre os fatores intervenientes no processo saúdeenfermidade.
100. Deve-se, no entanto, enfatizar que o processo saúde-enfermidade de
uma coletividade é resultante de diversos fatores sociais, políticos,
econômicos, ambientais e biológicos. Destacam-se entre os determinantes sociais: a urbanização; e a industrialização crescente, bem
como as condições de moradia, de saneamento básico, de nutrição
e de alimentação,  de escolarização, de recreação e lazer,  de acesso
aos serviços de saúde de trabalho, de emprego e de renda.
71
101. Um dos conceitos mais citados, na literatura científica, no âmbito
da saúde é aquele emitido, em 1920, por Winslow (1877-1957):
“Saúde Pública é a ciência e a arte de evitar a doença, prolongar a vida
e promover a saúde física e mental, e a eficiência, através de esforços
organizados da comunidade, visando o saneamento do meio, o controle
das infecções comunitárias, a educação do indivíduo nos princípios da higiene pessoal, a organização de serviços médicos e de enfermagem para
o diagnóstico precoce e o tratamento da doença e o desenvolvimento
dos mecanismos sociais que assegurarão a cada pessoa na comunidade
o padrão de vida adequado para a manutenção da saúde, organizando
estes benefícios de tal modo que cada indivíduo esteja em condições de
gozar de seu direito natural à saúde e à longevidade”.
72
102. Ressalte-se do extenso conteúdo, ser a saúde pública o esforço organizado da sociedade para ampliar as possibilidades de os indiví-
duos poderem gozar as melhores condições possíveis de saúde.
103. Em 2002, a Organização Panamericana de Saúde afirmou que
a “Saúde pública é o esforço organizado da sociedade, principalmente através de suas instituições de caráter público, para melhorar,
71 FORTES, P.A. C., Op. cit. p. 122.
72 WINSLOW, C.E.A. The untilled Field of public health. Modern Medicine. N. 2 (1920), p. 183.
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promover, proteger e restaurar a saúde das populações por meio de
atuações de alcance coletivo”.
73
104. Este conceito revela a amplitude da ação da saúde pública, envolvendo a promoção da saúde, a prevenção específica das enfermidades, assim como medidas e serviços que atuem no sentido de restaurar e serviços que atuem no sentido de restaurar,
“cuidar, tratar e reabilitar as pessoas em virtude das doenças e
dos agravos à sua saúde.
105. Garantir para a população os direitos e os recursos previstos na
Constituição Federal sobre a Seguridade Social (Assistência Social, Previdência Social e Saúde) é um dos principais desafios sociais na atualidade. Na contramão do que prevê a Constituição,
são as famílias que mais gastam com saúde.  Dados do IBGE
74
mostram que o gasto com a saúde representou 8,4% do Produto
Interno Bruto (PIB) do país, em 2007. Do total registrado, 58,4%
(ou 128,9 bilhões de reais) foram gastos pelas famílias, enquanto
41,6% (93,4 bilhões de reais) ficaram a cargo do setor público. As
instituições sem fins lucrativos gastaram 2,3 bilhões de reais.
106. Nos países ricos, 70% dos gastos com saúde são cobertos pelo
governo e somente 30% pelas famílias, segundo o IBGE. Para especialistas na área de Saúde Pública, o gasto total com a saúde, em
2009, foi de R$ 270 bilhões (8,5% do PIB), sendo R$ 127 bilhões
73 ORGANIZACION PANAMERICANA DE SALUD. La salud publica en las Américas. Washington,
OPS, 2002.
74 IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Acesse em: www.ibge.gov.br . Acesso
em 07/06/2011.
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(47% dos recursos ou 4% do PIB) de recursos públicos e R$ 143
bilhões (53% dos recursos ou 4,5% do PIB) de recursos privados.
75
107. O orçamento da União para a Saúde, em 2011, é de R$ 68,8 bilhões (Orçamento 2011, Lei Nº 12.381, de 09/02/2011).
76
 Deste
total, somente R$ 12 bilhões serão investidos na atenção básica
à saúde, por meio de programas do Ministério da Saúde, por
exemplo, no ESF (Estratégia Saúde da Família), através de transferências fundo a fundo do PAB (Piso da Atenção Básica). Em 2010,
foram gastos 9,9 bilhões.
77
 Nesta conta, não estão computados
os recursos próprios investidos por Estados e Municípios.
108. O Brasil conta com mais de 192 milhões de habitantes
78
 e 5.565
municípios.  Entretanto, vários municípios, principalmente das
regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste, não dispõem de profissionais de saúde para os cuidados básicos, sendo que, em
centenas deles, não há o profissional médico para atendimento
diário à população.
109. Existem no Brasil, 52 mil unidades assistenciais públicas - AMS
(Assistência Médica Sanitária), sendo 95% administrada pelos
municípios, segundo dados do IBGE.
79
 pesquisa referente à AMS
revela que, dos quase 432 mil leitos de hospital no país, 152,8
mil (35,4%) pertenciam a hospitais públicos e 279,1 mil (64,6%) a
hospitais particulares e filantrópicos.
7. Os determinantes sociais na saúde
110. Determinantes sociais de saúde são elementos relacionados à
preservação ou à produção de saúde. Trata-se das condições
75 CARVALHO, G. Domingueira do SUS, publicada pelo Instituto de Direito Sanitário Aplicado
(IDISA), 2011. Acesse em: www.idisa.org.br
76 Ministério da Saúde, 2011. Acesse em: www.portal.saude.gov.br . Acesso em: 07/06/2011.
77 Ibid.
78 IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Acesse em: www.ibge.gov.br . Acesso
em: 07/06/2011.
79 Idem. Pesquisa Assistência Médico Sanitária IBGE, 2009. Acesse em: www.ibge.gov.br . Acesso em: 07/06/2011.
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mais gerais socioeconômicas, culturais e ambientais de uma sociedade e têm relação com as condições de vida das pessoas,
como: trabalho, habitação, saneamento básico, ambiente de trabalho, serviços de saúde e educação de qualidade, ligações das
redes sociais e comunitárias.
111. Os determinantes sociais de saúde podem também ser caracterizados como políticas macroeconômicas, de mercado de trabalho, de proteção ambiental e de promoção de uma cultura de
paz e solidariedade, tendo em vista o desenvolvimento sustentável. Eles visam, pois, diminuir as desigualdades sociais e econômicas, a violência, a degradação ambiental, bem como seus
efeitos sobre a sociedade.
112. Os determinantes sociais influenciam os estilos de vida das pessoas e geram diferenças nas regiões do Brasil. Por isso, as ações de
saúde devem promover o enfrentamento das desigualdades, buscando a equidade e a inclusão, através do melhor conhecimento
das relações entre as pessoas e de como elas vivem e trabalham.
8. Conceitos básicos do SUS
80
113. O SUS está estruturado a partir de princípios doutrinais e organizacionais. Os princípios doutrinais são arquitetônicos e
apontam as coordenadas gerais para a estruturação do modelo
de assistência de saúde, são eles: universalidade, integridade,
equidade. Os princípios organizacionais dão roupagem à estrutura do SUS, são eles: regionalização, hierarquização, descentralização, racionalização e resolução, complementaridade do
setor privado e participação da comunidade.
114. O princípio da universalidade  traduz o que estabelece a Constituição, quando diz, logo no início da Seção II, “A saúde é direito
de todos”. O Sistema de Saúde deve, portanto, atendimento a
80 Cf. Texto da Constituição Federal referente ao SUS, em ANEXO – I.
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todo e qualquer cidadão.
81
 Do princípio da integralidade decorre a exigência de acesso a todos e a qualquer cidadão a todos
os serviços que o Sistema de Saúde dispõe, desde vacinas até
transplantes.
82
 O princípio da equidade visa assegurar que as
ações e os serviços, em todos os níveis do sistema público de
saúde, mesmo os mais sofisticados e caros, sejam oferecidos a
todo cidadão, sem privilégios.
83
115. Há seis princípios organizativos.
a. Regionalização – objetiva levar as ações do campo da saúde
o mais próximo possível da população, para que sejam mais
eficazes sobre as causas epidemiológicas, culturais e geográficas das doenças de cada área delimitada (CEAP, 2003).
84
Deste modo, os serviços se organizam em diversos âmbitos
ou regiões, nas esfereas municipal, estadual e federal.
b. Hierarquização – as ações de saúde devem estar articuladas
entre si de forma hierarquizada, desde o nível de atenção
primária (procedimentos realizados nas unidades básicas de
saúde ou postos de saúde como vacinas, curativos e consultas médicas na área de clínica geral, pediatria, obstetrícia
e saúde bucal), passando pelo nível de atenção secundária
(procedimentos realizados em ambulatórios especializados
81 Várias referências contribuíram para este item: site do Conselho Nacional de Saúde (acesse
em: conselho.saude.gov.br); Direito à saúde com controle social, 2003 (Fórum Sul da Saúde,
Fórum Regional da Saúde e CEAP – Centro de Educação e Assessoramento Popular de
Passo Fundo, outubro de 2003); O direito humano à saúde e o seu sub-financiamento, 2010
(CEAP – Centro de Educação e Assessoramento Popular de Passo Fundo, outubro de 2003);
Participação da comunidade na saúde, 2006 (Gilson Carvalho e CEAP – Centro de Educação
e Assessoramento Popular de Passo Fundo); A Pastoral da Saúde e o Controle Social no SUS
do Brasil, 2010/2011 e A Pastoral da Saúde e o SUS no Brasil (Cartilhas da Pastoral da Saúde
Nacional para capacitação de agentes de pastoral).
82 BAPTISTA, T.  W. F. História das Políticas de Saúde no Brasil: a trajetória do direito à saúde
(capítulo 1 do livro: Políticas de saúde: a organização e a operacionalização do SUS. FIOCRUZ
e Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio), 2007. Organizadores: Gustavo Corrêa
Matta e Ana Lúcia de Moura Pontes.
83 Ministério da Saúde, 2010. Acesse em: www.portal.saude.gov.br . Acesso em: 07/06/2011.
84 Direito à saúde com controle social, 2003 (Fórum Sul da Saúde, Fórum Regional da Saúde
e CEAP – Centro de Educação e Assessoramento Popular de Passo Fundo, outubro de 2003).
Acesso em: 07/06/2011.
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e em hospitais de baixa complexidade, como internações e
cirurgias simples, inclusive partos), até o nível de atenção
terciária (procedimentos clínicos e cirúrgicos realizados em
hospitais de maior complexidade e resolutividade). Alguns
autores ainda consideram didaticamente a existência de
serviços de atenção quaternária (como hospitais especializados e com alto nível tecnológico, sendo geralmente instituições de ensino e pesquisa).
c. Descentralização – propõe a distribuição das responsabilidades quanto às ações e serviços de saúde entre os vários
níveis de governo, pois a decisão ocorrendo mais próxima
do fato, as chance de acerto aumentam.
85
d. Racionalização e Resolução – são norteadores para que ações
e serviços de saúde sejam definidos e organizados de modo
a responder aos problemas de determinada região. Objetiva
resolver os problemas de saúde sem desperdícios.
86
e. Complementaridade do setor privado – a Constituição Cidadã de 1988, inspirando-se nesse princípio, definiu que, em
caso de insuficiência do setor público, é permitido recorrer à
contratação de serviços privados, por meio de contratos ou
convênios. Há, porém, três condições: celebração de contrato,
conforme as normas de direito público; a instituição privada
esteja de acordo com os princípios básicos e as normas técnicas do SUS; os serviços privados ocorram com a mesma lógica
organizativa do SUS.  A preferência na escolha dos serviços
privados deve recair sobre aqueles sem fins lucrativos (setor
filantrópico como as Santas Casas e os hospitais católicos).
87
85 Ministério da Saúde, 2010. Acesse em: www.portal.saude.gov.br . Acesso em: 07/06/2011.
86 Direito à saúde com controle social, 2003 (Fórum Sul da Saúde, Fórum Regional da Saú-
de e CEAP – Centro de Educação e Assessoramento Popular de Passo Fundo, outubro de
2003).
87 Ministério da Saúde, 2010. Acesse em: www.portal.saude.gov.br . Acesso em: 07/06/2011.
Resolução 333 do Conselho Nacional de Saúde, novembro de 2003. Acesse em: conselho.
saude.gov.br . Acesso em: 07/06/2011.
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f. Participação da comunidade – oferece garantias constitucionais à população de participação nos processos de tomada de decisão, sobretudo através de entidades representativas.
88
 A participação se dá nas instâncias colegiadas do
SUS (Conselhos e Conferências de Saúde), em cada esfera
de governo, e visa ao exercício do controle social sobre o
SUS. (CEAP, 2003). Esta participação deve ser paritária entre
os diversos atores sociais (50% usuários, 25% trabalhadores
e 25% gestores e prestadores de serviço).
89
 
116. Os Conselhos e as Conferências de Saúde merecem atenção especial, por serem espaços de participação democrática por meio
dos quais se pode avançar na melhoria dos serviços públicos. Os
Conselhos têm caráter deliberativo e a função exercer o papel de
formulação, acompanhamento e controle permanente das ações
do governo em seus três níveis. Assim se estabelece um canal
permanente de relação entre o gestor, os prestadores de serviço,
os trabalhadores e a população usuária. As Conferências de Saú-
de têm por objetivo avaliar, periodicamente (a cada 4 anos), o
panorama da saúde e propor diretrizes para a política de saúde
nos níveis correspondentes. É convocada pelo poder executivo
ou, extraordinariamente, pelo Conselho de Saúde.
90
 
117. Para que a implantação do SUS se realize segundo os princí- do SUS se realize segundo os princí-
pios constitucionais, ele necessita de incremento de recursos
financeiros, melhor organização, diminuição dos desperdícios e
das irregularidades e estabelecimento de prioridades no atendimento em benefício das classes sociais mais desfavorecidas,
social e economicamente.
91
118. O orçamento anual da saúde é constituído por, no mínimo, 15%
da arrecadação municipal e 12% da estadual. Esses recursos,
88 BAPTISTA, T. W. F. Op. cit.
89 Resolução 333 do Conselho Nacional de Saúde, novembro de 2003. Acesse em: conselho.
saude.gov.br  Acesso em: 07/06/2011.
90 BAPTISTA, T. W. F. Op. cit.
91 FORTES, P. A. C. Op. cit. p. 22-27.
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somados aos provenientes da esfera federal, têm obrigatoriamente que ser administrados com a participação popular. Isto
pode evitar práticas de corrupção ou o uso de cargos da administração pública como moeda eleitoral, que normalmente
alça a tais cargos pessoas despreparadas para uma área de vital
importância para a população. Quando houver tais fatos, eles
devem ser conduzidos ao Ministério Público.
119. Os desafios constatados em relação ao SUS requerem o exercício da cidadania comprometida com melhorias sociais, como
no sistema de saúde público. Trata-se de um direito de todos,
assegurado pela Constituição. Assim como para o advento do
SUS concorreu a ação dos movimentos populares, agora eles
precisam se mobilizar para que se dê a efetiva implantação.
92
9. A problemática do financiamento da saúde
pública no Brasil
120. Apesar do avanço que significou a criação do SUS, o Brasil está
longe de dedicar atenção à saúde pública semelhante à dos
países que contam com um sistema público e universal, como
Reino Unido, Suécia, Espanha, Itália, Alemanha, França, Canadá
e Austrália
93
. Para atestar esta afirmação, basta lembrar que, em
2008, enquanto o SUS gastou 3,24% do PIB, o gasto público em
saúde nos países mencionados foi, em média, 6,7%.
94
121. O SUS teve que disputar recursos com outros ramos da seguridade social (Assistência Social e Previdência Social) desde o
primeiro momento, quando as formas de sua implementação
ainda estavam sendo elaboradas. Na época, foi garantido no Ato
92 BAPTISTA, T. W. F. Op. cit.
93 MARQUES, R. M. e MENDES, Á. A problemática do financiamento da saúde pública brasileira:
de 1985 a 2008. Artigo do projeto de pesquisa “Sistemas de proteção social brasileiro e cubano”,
financiado pelo CNPq (processo n. 620006/2008-0) e realizado pelos Programas de Pós-Graduação
em Política Social (UFES), em Economia Política (PUC/SP) em Serviço Social (PUC/RS) e a Universidade de Havana (Cuba), agosto de 2010.
94 Organização Mundial da Saúde. Acesse em: www.who.int . Acesso em: 06/07/2011.
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das Disposições Transitórias que, enquanto não fosse regulamentada a lei de custeio da Seguridade Social, pelo menos 30%
do total de seus recursos deveriam ser destinados para a saúde.
Os anos que se seguiram à Constituição de 1988 são caracterizados pela tensão permanente entre dois princípios: a construção
da universalidade e a contenção de gastos na saúde.
95
122. Estudos e análises de experiências concretas de distribuição
intergovernamental de recursos financeiros para a promoção de
equidade no Brasil é uma árdua e complexa tarefa. Ela torna-se,
porém, indispensável para a compreensão das várias dimensões
a considerar quando se busca reduzir desigualdades no processo saúde/doença/saúde, seja de indivíduos, seja de coletividades. Tais experiências contrariam a descentralização da saúde
no país, considerando que os estados e municípios têm pouca
margem de manobra para implementar, com recursos próprios,
políticas específicas, sintonizadas com suas prioridades locais,
quer pela escassez destes recursos, quer por entraves jurídicos
e burocráticos e/ou administrativos.
96
123. Os recursos financeiros destinados à saúde pública em todo o
Brasil são insuficientes. Várias propostas de lei para regulamentar os repasses à saúde foram colocadas em debate no Congresso Nacional, mas, até hoje, nenhuma foi aprovada em definitivo.
Até um novo imposto sobre movimentação financeira foi criado
para custear a saúde, a CPMF, no entanto ele foi usado para melhorar os números da arrecadação tributária brasileira e não representou, em nenhum momento, agregação de novos recursos
à saúde pública no período de sua vigência, até 2007.
124. Desde 1999, há, no Congresso Nacional, uma proposta de regulamentação destes repasses através da Emenda Constitucional 29
(EC 29). Além de definir um repasse mínimo do governo federal
95 MARQUES, R. M. e MENDES, Op. Cit.
96 RIBEIRO, P. Departamento Ciências da Saúde ENSP/FIOCRUZ - vol. 10 Nº 2 Rio de Janeiro
Abril/Junho, 2005.
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(corrigido pelo PIB), dos governos estaduais (de 12%) e dos municípios (de 15%), a EC 29 também define ações e serviços em
saúde, caracterizando o que realmente pode ser gasto em saúde
e propõe medidas de sanção ou punição aos maus gestores que
descumprirem as determinações. É preocupante o não cumprimento sistemático, por muitos governantes, do mínimo de investimento na saúde, ocasionando um arriscado e perigoso subfinanciamento na saúde pública, sob a argumentação de que a Emenda
não foi regulamentada (pelo menos até junho de 2011).
125. Por mais de uma década, os esforços empreendidos não foram
suficientes para vencer o comodismo das centenas de parlamentares brasileiros que, por motivos diversos, não se interessam
ou colocam empecilhos para o avanço desta vital regulamenta-
ção para o  maior patrimônio da saúde pública: o SUS. Há, no
entanto, um fundo de reserva especial para possíveis ressarcimentos, a qualquer serviço privado nacional e até internacional,
de custos com a saúde dos parlamentares.
10. Participação complementar das Instituições
Privadas sem fins lucrativos no SUS
126. Ao apresentarmos os princípios organizativos do SUS (cf. parágrafo 113), mencionamos a “complementariedade com a iniciativa
privada”. Aqui entram, prioritariamente, as entidades sem fins
lucrativos, filantrópicas. Estas entidades são as Santas Casas de
Misericórdia, hospitais filantrópicos de inúmeras congregações
religiosas, dioceses, Igrejas cristãs e outras entidades da sociedade civil. Estes prestadores de serviço têm importância estratégica
para o SUS, pois, sem eles, este não conseguiria viabilizar suas
ações assistenciais, nos três níveis de governo: municipal, estadual e federal.  A capacidade instalada destas instituições é de cerca
de 175.000 leitos (34,7% dos existentes no Brasil), sendo: 41,% em
hospitais com menos de 50 leitos; 31%, de 50 a 100 leitos; 18,3%,
de 100 a 200 leitos; 7,9%, acima de 200 leitos.
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127. Estas entidades mantêm cerca de 480 mil empregos diretos, além
de 140 mil médicos que neles atuam na condição de autônomos.
Realizaram, em 2009, mais de 7 milhões de internações (4.526.930
para o SUS) e obtiveram faturamento na casa de R$ 15 bilhões.
128. Além de prestadores complementares de serviços assistenciais
ao SUS, atuam no sistema suplementar de saúde e se constituem
em autêntico espaço de produção de conhecimento, emprego,
formação de recursos humanos. Aqui se destacam, especialmente, os hospitais de ensino que disponibilizam expressiva oferta
de vagas para estagiários de diversas graduações, para residência médica e multiprofissional, para cursos de pós-graduação.
Todas as áreas da saúde são contempladas, representando importante contribuição ao desenvolvimento da ciência, inclusive
devido aos vínculos com universidades federais.
11. Avanços no Sistema Único de Saúde
129. O Programa Saúde da Família atinge atualmente 100 milhões de
brasileiros, segundo o Ministério da Saúde. O país reduziu em
mais de 70% a mortalidade infantil nos últimos 30 anos; ampliou
o número de consultas de pré-natal; diminuiu a desnutrição; alcançou uma das maiores coberturas de vacinação para crianças,
gestantes e idosos do mundo. Segundo o Ministério da Saúde,
a transmissão do cólera foi interrompida,  em 2005. Eliminou-se
a paralisia infantil e o sarampo, em 2007, e a rubéola, em 2009.
Mortes por doenças transmissíveis, como tuberculose, hansení-
ase, malária e AIDS, foram reduzidas.
97
130. No campo de urgências e emergências, surgiu o SAMU (Serviço de
Atendimento Móvel de Urgência) que atende atualmente mais da
metade da população brasileira, reduzindo, de maneira considerá-
vel, a procura por atendimento nas unidades de urgência e emergência e garantindo atendimento pré-hospitalar com qualidade.
97 Ministério da Saúde, 2011. Acesse em: www.portal.saude.gov.br . Acesso em: 07/06/2011.
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131. Foi criado também o programa da Farmácia Popular, que disponibiliza medicamentos com até 90% de desconto e, desde mar-
ço de 2011, a população pode adquirir sem nenhum custo, ou
seja, gratuitamente, vários medicamentos para o tratamento da
hipertensão e do diabetes.
132. As pesquisas realizadas pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econô-
mica Aplicada) e que instituem o SIP (Sistema de Indicadores
de Percepção Social) mostraram, em 2010, o grau de satisfação
entre os usuários do SUS. Ao se referir à percepção dos entrevistados, a pesquisa indicou que o atendimento pela Equipe de
Saúde da Família (80,7% das respostas) e a distribuição gratuita
de medicamentos (69,6%) são os serviços mais bem avaliados. O
principal ponto positivo do SUS, de acordo com a percepção dos
entrevistados, é o acesso gratuito aos serviços de saúde prestados pelo sistema (52,7%), seguido pelo atendimento universal
(48,0%) e pela distribuição gratuita de medicamentos (32,8%).
133. As realizações do SUS, em 2010, com base nos dados do
DATASUS,
98
 mostram que foram realizados 535 milhões de ações
de prevenção e promoção, disponibilizados 634 milhões de medicamentos; realizados 495 milhões de exames; houve 239 milhões de atendimentos de saúde bucal; foram feitos 40 milhões
de fisioterapias; ocorreram 11,1 milhões de internações. Todos
os anos, registram-se 3,5 milhões de órteses e próteses e mais
de 20 mil transplantes.
134. Em sintonia com os resultados da Pesquisa do Ibope, 1998, encomendada pelo CONASS (Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde) e da FNS (Fundação Nacional de Saúde), as
recentes avaliações do Ministério da Saúde e das Secretarias de
Saúde mostram que, apesar de problemas na qualidade do atendimento, mais da metade das pessoas atendidas pelo SUS ficam
satisfeitas. As respostas negativas estão relacionadas ao tempo
98 Ministério da Saúde, 2011. Datasus – Banco de Dados do Sistema Único de Saúde. Acesse
em: www.datasus.gov.br . Acesso em: 07/06/2011.
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de espera nas filas, à ansiedade ou à tensão para ser atendido.
É o conhecido problema da dificuldade de acesso aos serviços de
saúde, de acolhimento e de atendimento no tempo adequado.
12. Direitos, humanização e espiritualidade na saúde
135. Melhorar o atendimento no Sistema Público de Saúde Brasileiro e diminuir as reclamações em relação ao desrespeito e à
dignidade humana, frente à vulnerabilidade do sofrimento e da
doença, é um grande desafio ainda a ser enfrentado pelas autoridades sanitárias brasileiras. Em nosso país, o Ministério da
Saúde, aprovou a Portaria n. 1820, de 13 de agosto de 2009, que
“dispõe sobre os direitos e deveres dos usuários da saúde nos termos da
legislação vigente” (Art. 1º), que passam a constituir a “Carta dos
Direitos dos Usuários da Saúde” (art. 9º), publicada no D.O.U,
14 de agosto de 2009.
136. Trata-se de uma verdadeira carta para o exercício da cidadania no
âmbito de cuidados e serviços no campo da saúde. Espera-se
que esta proposta não fique somente no papel, simplesmente
como uma declaração de boas intenções. Com vigilância cidadã, ela pode se transformar num instrumento fundamental na
humanização dos cuidados de saúde.
137. O artigo 4º e parágrafo único afirmam: “Toda pessoa tem direito
ao atendimento humanizado e acolhedor, realizado por profissionais
qualificados, em ambiente limpo confortável e acessível a todos. Parágrafo único: É direito da pessoa, na rede de serviços de saúde, ter
atendimento humanizado, acolhedor, livre de qualquer discriminação,
restrição ou negação em virtude de idade, raça, cor, etnia, religião,
orientação sexual, identidade de gênero, condições econômicas ou sociais, estado de saúde, de anomalia, patologia ou de deficiência, garantindo-lhe: III – nas consultas, nos procedimentos diagnósticos,
preventivos, cirúrgicos, terapêuticos e internações, o seguinte:
(...); d) aos seus valores éticos, culturais e religiosos; (...); g) o
bem-estar psíquico e emocional; X - a escolha do local de morte;
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(...) XIX – o recebimento de visita de religiosos de qualquer credo, sem que isso acarrete mudança na rotina de tratamento e
do estabelecimento e ameaça à segurança ou perturbações a si
ou aos outros”.
138. Interessante o Art. 5º quando afirma que  “Toda pessoa deve ter
seus valores, cultura e direitos respeitados na relação com os serviços
de saúde, garantindo-lhe: (...) VIII – o recebimento ou recusa à assistência religiosa, psicológica e social.
139. Conforme exposto na portaria do Ministério da Saúde sobre os
direitos e deveres dos usuários do sistema de saúde, a questão
religiosa é vista de forma positiva, reconhecida como uma necessidade humana que aponta para os cuidados a que o doente
tem direito.
140. Há um cansaço na cultura contemporânea em relação à medicina que reduz o ser humano meramente à sua dimensão bioló-
gica orgânica. É o momento de dar um basta à atuação de profissionais ‘mecânicos e insensíveis’. Há clamor, especialmente
dos mais pobres, por profissionais ‘humanos e sensíveis’. O ser
humano é muito mais do que sua materialidade biológica. Poderíamos dizer que esse cansaço provocou uma crise da medicina
técnico-científica e favoreceu o nascimento de um novo modelo
– o paradigma biopsicossocial. A partir dessa virada antropológica, pode-se introduzir a dimensão espiritual como uma dimensão fundamental do ser humano, que necessita ser valorizada e
implementada no âmbito dos cuidados e da saúde.
141. É importante lembrar que a Associação Médica Mundial, na
“Declaração sobre os Direitos do Paciente” (2005) diz que “O
paciente tem o direito de receber ou recusar conforto espiritual ou
moral, incluindo a ajuda de um ministro de sua religião de escolha”.
A dimensão da espiritualidade é fator de bem-estar, conforto,
esperança e saúde. Precisamos urgentemente que nossas instituições de saúde se organizem no atendimento desta necessidade humana.
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13.Desafios do Sistema Único de Saúde
142. O SUS tem desafios de curto, médio e longo prazo, sobretudo
por precisar de mais recursos e da otimização do uso do dinheiro público. Hoje é investido o dobro de recursos na doença
(internações, cirurgias, transplantes) do que nas ações básicas
de saúde (vacinas e consultas) que previnem a doença. Segundo
a pesquisa do IPEA,
99
 os problemas mais frequentes são a falta de médicos (58,1%), a demora para atendimento em postos,
centros de saúde ou hospitais (35,4%) e a demora para conseguir
uma consulta com especialistas (33,8%).
143. As melhorias mais sugeridas  pelos entrevistados foram: aumento do número de médicos e redução do tempo de espera.
A partir de relatos, divulgações nos meios de comunicação e
situações vivenciadas pelos usuários do Sistema Único de Saú-
de, elencam-se, a seguir, algumas oportunidades de melhoria
e alguns desafios gerais para melhorar prestação de serviços
do SUS.
a. Acesso:
1. falta de reconhecimento e de valorização à atenção bá-
sica, desarticulação de seus programas entre si e com a
sociedade;
2. superlotação das unidades de urgência e emergência
(prontos-socorros);
3. acesso precário com longas filas para marcação de consultas, procedimentos (como cirurgias) e exames;
4. falta de leitos hospitalares e desigualdade na distribuição
pelas regiões do país, bem como insuficiência de leitos de
UTI;
99 Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Pesquisa sobre a saúde brasileira, 2010.
Acesse em: www.ipea.gov.br . Acesso em: 07/06/2011.
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5. insuficiente assistência farmacêutica à população;
6. falta de humanização e de acolhimento adequados nas
unidades de saúde;
7. descaso com a saúde mental, mesmo diante do aumento
indiscriminado de dependentes químicos no país, principalmente na camada mais jovem da população;
8. tendência à judicialização na saúde, provocando demandas excessivas e corriqueiras ao poder judiciário e ao ministério público.
b. Gestão (de ordem administrativa e de recursos humanos):
1. carência e má distribuição de profissionais de saúde pelo
território nacional;
2. sucateamento de material permanente e desabastecimento de material de consumo;
3. carência de informações e esclarecimentos adequados à
população;
4. planejamento insuficiente ou inexistente dos serviços
disponibilizados;
5. tendência à terceirização de várias unidades públicas de
saúde;
6. profissionais de saúde com baixa remuneração, más condi-
ções de trabalho, bem como precarização da contratação
da mão de obra;
7. ausência dos profissionais,  falta de cumprimento da carga
horária em plantões e escalas de serviço, nas unidades de
saúde e no Programa da Saúde da Família;
8. fragilidade ou inexistência do complexo regulatório intermunicipal, interestadual e internacional;
9. falta de regulação e organização dos serviços com sobrecarga de demanda em municípios ‘polo’ ou ‘de referência’;
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10. despreparo ou falta de gerenciamento e má gestão por
parte dos responsáveis pela execução das políticas públicas em saúde;
11. falta de capacitação e valorização da participação da comunidade no país, com preocupante desconsideração aos
conselheiros de saúde.
c. Financiamento:
1. a tabela de valores SUS está defasada e não condiz com a
realidade nacional;
2. carência de uma política direcionada e de incentivos a
possíveis parcerias com a rede de entidades filantrópicas
na saúde e com as Santas Casas de Misericórdia;
3. subfinanciamento, pois ocorre redução contínua do montante de recursos financeiros aplicados na saúde com o
descumprimento da Emenda Constitucional (EC 29);
4. desvio e maversação de recursos na área da saúde.
d. Fatores Externos:
1. excessiva especialização do segmento de SADT (Serviço de
Apoio Diagnóstico e Terapêutico) com demanda crescente
por tecnologias de ponta, também mais onerosas;
2. relação eticamente inadequada e contestável entre os profissionais de saúde e  a indústria de insumos especiais,
como: órteses, próteses e medicamentos excepcionais ou
de alto custo;
3. processo falho de escolha dos delegados nas conferências
de saúde, em todas as suas instâncias, e baixa implementação de suas propostas.
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Segunda Parte
Que a Saúde se Difunda
Sobre a Terra
Introdução
144. Os significados de saúde e de salvação, ao longo da história, são
convergentes e sempre apresentaram uma relação profunda. Em
diversas línguas, os termos nasceram de uma raiz única e, por
muito tempo, partilharam a mesma palavra. Em geral, saúde e
salvação significaram plenitude, integridade física e espiritual,
paz, prosperidade. Evidência disso é que, nas grandes romarias,
o povo em sua fé sempre pede, mas também agradece pela cura
e saúde alcançada. Não é algo que somente aconteceu no passado, pois ocorre ainda hoje.
145. No Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida (Aparecida –
SP), por exemplo, há a famosa ‘sala das promessas’, no linguajar da
teologia erudita, mas ‘dos milagres’  na linguagem da fé simples do
povo. Aí estão milhões de objetos ‘sacramentais’ (fotos, roupas,
velas, peças anatômicas em cera de todos os tamanhos), verdadeiros presentes do povo para a ‘Mãe da Saúde’, que nos revelam histórias de salvação de perigos, acidentes, sofrimentos afetivos, doenças incuráveis, enfim da morte! Corações agradecidos deixam
sua marca de ‘ação de graças’ pela cura e salvação alcançada.
146. As religiões sempre ofereceram respostas à busca de um sentido
para a existência e seus grandes desafios, particularmente em rela-
ção à dor, ao sofrimento, ao mal e à morte, que afligem a humanidade indistintamente. Nesse sentido, procuremos ouvir não só os
ensinamentos bíblicos, como também os, da teologia e da prática
pastoral da Igreja, a fim de iluminar esta questão vital para todos.
147. E, que pela convergência de todos os olhares para Jesus Cristo,
que liberta e salva, a saúde se difunda sobre a Terra.
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1. Saúde na antiguidade e na Bíblia
148. Desde muito cedo, a humanidade empenhou-se em conservar
a saúde e vencer as doenças, além de lhes atribuir diferentes
conceitos e explicações. Para muitos povos, a doença resulta da
ação de forças alheias ao organismo que se instalam na pessoa
por causa da desobediência a certas normas sociais, por erros
cometidos em vidas passadas, por castigo de alguma divindade
ofendida, pela ação de demônios ou maus espíritos.
149. Por outro lado, consideram que as divindades podem curar o
mal, o que supõe diagnósticos, práticas e receitas curativas associadas, quase sempre, a esconjurações mágicas, que são concebidas como remédios em uma esfera na qual atuam os deuses
e todos os tipos de entidades intermediárias. Assim, é comum,
em diversas culturas, o recurso à religião e à magia na busca
de sentido para a vida, a doença e a saúde, indicando profunda
relação entre doença e religião.
2. Doença e saúde no Antigo Testamento
150. A bíblia hebraica, já nas primeiras páginas, apresenta a origem
do mal e do sofrimento, mas descartando qualquer possibilidade de participação divina. No decorrer da caminhada do povo
hebreu, outros conceitos e outras justificativas foram sendo desenvolvidos a respeito de doença e do sofrimento, que passaram
a ser vistos como consequência do pecado e da desobediência à
Lei. Assim, a preservação da saúde, mais do que a cura da doen-
ça, é obtida pela observância da lei de Deus. Em uma passagem
do Livro do Deuteronômio (cf. Dt 28,1-14), a bênção prometida
para quem observa a lei de Deus é uma situação de bem-estar,
saúde e prosperidade.
151. Porém, quem não a observa terá a maldição, a infelicidade, as
doenças, a opressão (cf. Dt 28,15ss). A doença é vista como
castigo de Deus ao pecado do ser humano, por isso, somente
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eliminando a causa da doença, ou seja, o pecado, pode-se obter
novamente de Deus a saúde. Dessa forma, a preservação da saú-
de é obtida pela observância da Lei, enquanto a cura e o perdão
dos pecados, como dois lados da mesma moeda, são obras de
Deus que concedia aos que o pediam na prece.
152. Houve um tempo em que, entre os judeus piedosos, o fato de
recorrer aos médicos era visto como falta de fé no Deus vivo e
verdadeiro, pois a doença era compreendida como uma forma
de punição por parte de Deus. É o que se percebe no segundo
livro das Crônicas que denuncia o rei Asa por não ter recorrido ao Senhor, mas ter buscado médicos e morrido rapidamente
(cf. 2Cr 16,12). Para certos problemas físicos, eram os sacerdotes
que deviam ser consultados, visto que eles diagnosticavam os
sintomas, orientando o tratamento para a pessoa, bem como os
rituais de purificação a serem seguidos.
100
153. O livro do Eclesiástico considera a doença como o pior de todos
os males (cf. 30,17), um mal que faz perder o sono (cf. 31,2). O
povo judeu entendia que a falta de saúde estava intimamente
ligada com a culpa, o pecado. A cura para as doenças deveria ser
obtida, em primeiro lugar, pela oração (cf. 2Sm 12,15-23). Vários
salmos são de doentes que suplicam a Deus a cura. Segundo
Carlos Mesters, “cura e perdão dos pecados parecem duas faces de
uma mesma moeda: ambos vêm de Deus mediante a prece. Porém, o
Eclesiástico também propõe um novo modo de compreender a doença
e, sobretudo, estimula um comportamento diferente na busca do restabelecimento da saúde. Se antes, recorrer à medicina e a seus profissionais era visto como falta de fé no Deus Altíssimo, o Eclesiástico considera os remédios, os médicos e a ciência como possibilidades de cura
que vêm do próprio Deus e, consequentemente, devem ser buscados
quando necessário”.
101
100 ROVER. M. C. Toque terapêutico: o encontro entre o desejo de uma vida plena e a plenitude da
vida. UCG, 2004.
101 MESTERS, C. Os profetas e a saúde na Bíblia – São Leopoldo: CEBI. 1985, p. 5.
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3. O Eclesiástico e a sabedoria
popular em saúde
154. O conteúdo do livro do Eclesiástico resulta da coleta de um
conjunto de ensinamentos que circulava no meio do povo. O
autor desejou deixá-los por escrito para manifestar a resistência
contra os dominantes da época que queriam impor sua cultura
e ciência, tirando do povo de Israel sua autoestima e negando
sua sabedoria. Muitas vezes, os ditos são dispostos de maneira
a constituir pequenas coletâneas, como no caso do verso que
inspirou o lema da CF deste ano, “a saúde se difunde sobre a terra”
(cf. Eclo 38,8). Este é o verso central de uma coleção de ditos
sobre saúde e sobre o papel e a missão dos médicos e de outros
profissionais que buscam preservá-la.
155. Essa perícope (cf. Eclo 38,1-15) está emoldurada por duas cole-
ções relacionadas com o tema da saúde. O texto antecedente
(cf. Eclo 37,27-31) fala sobre a temperança, especialmente como
modo de preservar a saúde. O texto posterior (cf. Eclo 38,16-23)
fala da morte, inevitável para homens e mulheres, mas que não
deve ser causa de tristeza permanente para os que permanecem.
156. É importante resgatar a relação da saúde com a temperança,
pois, efetivamente, a melhor forma de tratar da saúde de uma
pessoa é evitar que ela adoeça. Neste sentido, convém resgatar
e valorizar as práticas centradas na prevenção, na informação,
na disseminação de iniciativas que ajudam na preservação da
saúde. Tanto iniciativas governamentais, como campanhas de
vacinação, de cuidados para evitar epidemias ou incentivo ao
pré-natal, quanto as comunitárias, que estimulam modos alternativos de alimentação, prática de esportes, exercícios fiscos,
entre outros.
157. O texto subsequente (cf. Eclo 38,16-23), de maneira realista, recorda que temos um destino comum: a morte. Ela faz parte da
vida. Nenhum ser vivente dela escapa. Embora reconheça que é
natural a dor da separação e da perda, o compilador resgata da
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sabedoria popular o conceito de ‘a vida continua’, ou seja, as
pessoas que perdem seus entes queridos precisam ressignificar
sua vida e não se deixarem vencer pelo desânimo. Nestas ocasiões, é tempo de manifestação da solidariedade fraterna que
pode fazer brotar de novo a esperança.
158. Desse texto já citado do Livro do Eclesiástico (cf. 38,1-15), ainda
podemos extrair ensinamentos oportunos para a área da saúde
pública, pois faz referência às pessoas responsáveis pela manutenção da saúde da população. Mais importante que curar é o
trabalho de evitar que as pessoas adoeçam e promovê-las para
que tenham vida em abundância. Realidade que o ditado popular consagrou: “é melhor prevenir que remediar”.
159. Sabe-se, no entanto, que apesar do esforço e do cuidado para
evitar doenças, a fragilidade do corpo e do espírito acabam se
revelando. Eis o tempo de recorrer ao serviço de saúde, ao ‘mé-
dico’, como cita o texto bíblico (v.5), sem hesitações, pois é um
dom de Deus para a saúde. Também foi o Senhor quem deu ao
homem “a ciência” (v.6), por meio da qual o médico cura, elimina a dor e o “farmacêutico prepara as fórmulas” (cf. Eclo 38,7).
160. Deus providencia e coloca à disposição da humanidade todos
esses dons e por meio deles “a saúde se espalha sobre terra”. O
autor sugere que há colaboração entre Deus e a humanidade,
por isso não se deve renunciar, nem menosprezar as conquistas alcançadas pela inteligência humana, pois elas são obra de
Deus e meios pelos quais o criador continua sua ação no mundo. Percebe-se assim, que a sabedoria popular assimilou uma
nova forma de entender os processos de adoecimento e cura.
Mesmo que a referência última seja o Deus Altíssimo, sua ação
se dá também pela mediação de pessoas que se dedicam à medicina e em recursos que a natureza, dádiva de Deus, oferece
para a arte da cura.
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4. O sofrimento do justo e seu significado
161. Talvez o livro mais significativo do Antigo Testamento, no que se
refere ao tema de que estamos tratando, é o que narra a experi-
ência de Jó. Este escrito da literatura sapiencial enfrenta o problema do sofrimento, relacionando: doença – castigo – pecado
– Deus. Permeava a antiga cultura hebraica a concepção de que
cada doença ou sofrimento se explicava pela identificação de
algum pecado cometido contra  Deus que, por justiça, castiga
o pecador impondo-lhe algum sofrimento. Assim, o sofrimento
é o castigo infligido por Deus pelos pecados dos homens. Ele
se apresenta como resposta à transgressão, pois a ordem moral
objetiva exige uma pena para o pecado e para o crime. O sofrimento só tem sentido no plano da justiça de Deus, que paga o
bem com o bem e o mal com o mal.
162. A teologia proposta no livro de Jó representa um avanço na forma de se compreender o sofrimento, sua origem e valor. Não é,
ainda, a palavra definitiva capaz de explicar o mal e o sofrimento, sobretudo aquele mal de que padece o inocente. Todo o livro
de Jó é um debate teológico sobre o significado do sofrimento. É conhecida a história deste homem que, repentinamente,
viu sua vida mudar. De pai rico e feliz de muitos filhos e filhas,
tornou-se um miserável cheio de feridas.
163. Enquanto Jó toma consciência e se pergunta por que aconteceu
tal mudança, apresentam-se em sua casa três amigos. Eles têm,
inicialmente, profunda sensibilidade e por “uma semana” não
dizem nada. Apenas sofrem com Jó sua penúria.  Quando decidem dialogar, os amigos procuram convencer Jó a reconhecer o
pecado, pois “para ter sido atingido por tão variados e tão terríveis
sofrimentos, deve ter cometido alguma falta grave”.
102
 Jó, ciente de
sua inocência, se nega a ligar doença com pecado e, sobretudo,
ver a doença como castigo de Deus.
102 SD, n. 10.
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164. Para ele, o sofrimento deve ter outra explicação. Por isso, ele
mesmo chama Deus para que lhe dê a resposta. Atreve-se, contra o ‘bom senso’ de seus amigos, a questionar o próprio Deus.
“Por fim, o próprio Deus desaprova os amigos de Jó pelas suas acusações e reconhece que Jó não é culpado. O seu sofrimento é de um
inocente: deve ser aceito como um mistério, que o homem não está em
condições de entender totalmente com a sua inteligência”.
103
165. Da leitura da experiência de Jó, percebe-se que Deus não é origem do sofrimento, nem do mal. O sofrimento faz parte da misteriosa presença do mal, impossível de compreender, mas que
também não pode ser atribuído exclusivamente à responsabilidade pessoal. Sobretudo, supera a ligação automática entre
doença e castigo divino, ou seja “que a resposta à pergunta sobre
o sentido do sofrimento não fique ligada, sem reservas, à ordem moral
baseada somente na justiça”.
104
166. O Beato Papa João Paulo II chama a atenção que, “para se poder perceber a verdadeira resposta ao porquê do sofrimento, devemos
voltar nossa atenção para a revelação do amor divino, fonte última
do sentido de tudo aquilo que existe. O amor é também a fonte mais
rica do sofrimento que, não obstante, permanece sempre um mistério;
estamos conscientes da insuficiência e inadequação das nossas explica-
ções. Cristo introduz-nos no mistério e ajuda-nos a descobrir o porquê
do sofrimento, na medida em que nós formos capazes de compreender
a sublimidade do amor divino”.
105
167. Recordamos, ainda que de passagem, a profunda e instigante reflexão que o Beato João Paulo II apresentou por ocasião do ano
santo da redenção, recordando a chave de compreensão cristã
do sofrimento, em sua carta apostólica Salvifici doloris. No centro
da Carta, está a apresentação do mistério redentor de Cristo,
que supera a explicação do mal a partir do conceito de justiça e
103 SD, n. 11.
104 Ibid.
105 Ibid., n. 13.
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o propõe no âmbito do amor de Deus, que, “de tal modo amou o
mundo que entregou seu Filho único” (cf. Jo 3,16). “O Filho unigênito
foi dado à humanidade para proteger o homem, antes de mais nada,
deste mal definitivo e do sofrimento definitivo. Na sua missão salvífica,
portanto, o Filho deve atingir o mal nas suas próprias raízes transcendentais, a partir do qual se desenvolve na história do homem”.
106
168. Tendo isso presente, queremos recordar, a título de reflexão e
exemplo, a prática e o ensinamento de Jesus em sua relação com
a doença e o sofrimento. Iniciamos com a catequese oferecida
por João, apóstolo e evangelista a partir da cura do cego de nascença e depois passamos à meditação da conhecida parábola do
‘bom samaritano’.
5. Saúde e doença no Novo Testamento
a. A cura do cego de nascença
169. O capítulo nono do Evangelho de São João relata o encontro de
Jesus com um cego de nascença enquanto caminhava nos arredores
do Templo (cf. Jo 9,1-41). Há notícias de que a cegueira era extremamente comum no Oriente Médio. Nos textos bíblicos, fala-se
sobretudo de dois tipos de cegueira. A oftalmia, doença altamente
contagiosa, agravada pelo brilho do sol, pela poeira e pela areia sopradas do deserto e pela falta de higiene. Outra forma mencionada
é a cegueira senil, que resulta do avançar dos anos. De acordo com
o relato evangélico, são os discípulos que, em primeiro lugar, percebem a presença do cego e propõem uma questão a Jesus.
170. A dúvida dos discípulos, ao encontrarem o cego, é de ordem
teológica. “Quem pecou para que ele nascesse cego?”  (cf. Jo 9,2)
Seguindo a teologia tradicional, os discípulos propõem a Jesus
uma pergunta pela causa da cegueira: teria o homem pecado ou
106 SD, n. 14.
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teriam sido seus pais (cf. Jo 9,2), pois havia a compreensão de
que o pecado dos pais poderia prejudicar os descendentes, por
várias gerações. Esta forma de compreender foi objeto de questionamento e de confronto com Jesus em várias ocasiões.
171. A resposta de Jesus aos discípulos é clara: “nem ele, nem seus pais
pecaram, mas é uma ocasião para que se manifestem nele as obras de
Deus” (cf. Jo 9,3). Cristo interrompe a tradição de vincular doen-
ça e pecado e oferece aos discípulos, aos fariseus, aos judeus,
aos familiares do cego e ao próprio cego uma catequese sobre
sua missão. Jesus apresenta-se como ‘luz do mundo’ e luz que se
manifesta pelas obras que realiza. Essa experiência permite que
o próprio cego se transforme em discípulo.
172. Ao romper com a teologia corrente e afirmar que a doença não é fruto de pecado, nem castigo de Deus, Jesus acaba também com a lógica
excludente de atribuir a culpa da enfermidade a Deus e por decorrência ao pecado, o que gerava e, ao mesmo tempo, legitimava a exclusão social e religiosa de quem se achasse doente. Por isso, ao invés
de se afastar do cego, como seria normal, Jesus se aproxima, cospe
no chão, se abaixa e faz lama com a própria saliva e o pó do chão. Em
seguida, a aplica sobre os olhos do cego e pede que ele vá se lavar na
piscina de Siloé, cujo significado é “enviado” (cf. Jo 9,7). A narrativa
do sinal é encerrada com a constatação: “o cego foi, lavou-se e voltou
enxergando” (cf. Jo 9,7).
173. Depois do sinal realizado, Jesus sai de cena por um tempo e começa a discussão ao redor do fato de um homem que era cego e
pedia esmola passar a enxergar. De um lado, aparece a incredulidade de vizinhos e familiares de que a mudança havia acontecido (de cego, o homem passou a vidente). De outro, a violação
do descanso sabático que os judeus vão trazer para o centro da
discussão e pedir explicações ao cego e a seus pais. Apesar de
verem o bem na vida do cego, que passou a ver, condenam a
ação de Jesus, pois ele tinha violado a lei do sábado.
174. A reação dos pais do cego diante das autoridades dos judeus,
ou seja, diante daqueles que sustentam a velha lógica de que
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doença está sempre vinculada ao pecado, é de medo. Por isso,
dizem somente saber que aquele homem é seu filho, nasceu
cego e agora vê. Como aconteceu isso, não sabem. A solução
é que os chefes perguntem ao próprio homem que era cego
e agora vê, pois ele já é maior, ou seja, já é responsável pelos
próprios atos e opiniões.
175. A finalidade catequética do evangelista está em evidenciar a
missão de Jesus como luz do mundo. Por isso joga muito com as
palavras ‘ver’ e ‘crer’. Não somente neste capítulo e neste episó-
dio de alguém que não vê e não crê e depois passa a ver e crer,
pois a catequese finaliza com um novo encontro de Jesus com
o cego: “Tu crês no filho do Homem? Ele respondeu: Quem é, Senhor,
para que eu creia nele?  Jesus disse: Tu o estás vendo; é aquele que
está falando contigo. Ele exclamou: “Eu creio, Senhor!” E ajoelhou-se
diante de Jesus” (cf. Jo 9,35-38).
176. O texto termina com Jesus voltando para a cena e dialogando
novamente com o cego. O novo aqui é que da cegueira física
passa à cegueira espiritual, sobretudo daqueles que não querem
ver. Como diz o ditado popular: “o pior cego é aquele que não quer
ver”. Jesus encontrou pessoas assim e, infelizmente, também as
encontramos em nossos dias. É missão da Igreja a continuidade
da ação de Jesus na história para que a saúde se difunda sobre
a terra.
b. Jesus e os doentes: a saúde se difunde sobre a terra
177. O anúncio da missão de Jesus na sinagoga de Nazaré inclui “a
recuperação da vista aos cegos” (cf. Lc 4,18). No entanto, em toda
ação de Jesus, percebemos inúmeros gestos de quem está preocupado em recuperar a saúde. Não apenas no aspecto biológico,
mas promover o ser humano para ter uma vida digna, saudável
e reintegrada à sociedade, porque a doença significava exclusão
social. Diz o Evangelho: “Jesus percorria toda a Galieia, ensinando
nas sinagogas deles, anunciando a Boa Nova do Reino e curando toda
espécie de doença e enfermidade do povo” (cf. Mt 4,23).
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178. As obras de Jesus manifestavam, assim, sua origem divina e sua
messianidade. É dessa forma que ele responde aos discípulos de
João Batista, ao ser questionado sobre se era ou não o messias:
“Ide contar a João o que vistes e ouvistes: cegos recuperam a vista,
paralíticos andam, leprosos são purificados e surdos ouvem, mortos
ressuscitam e a pobres se anuncia a Boa Nova” (cf. Lc 7,22).
179. Com sua ação evangelizadora, Jesus não apenas cura os doentes,
mas resgata o ser humano para o meio da sociedade, dando-lhe
dignidade e apresenta uma nova forma de relacionar-se com as
pessoas necessitadas. O Novo Testamento é repleto de relatos
de Jesus curando os doentes, os quais testemunham que a ação
salvífica de Jesus também acontecia em suas intervenções no
cuidado e atenção aos que sofrem.
180. “Jesus não tem só poder de curar, mas também de perdoar pecados: ele
veio curar o homem inteiro, alma e corpo; é o médico de que necessitam os doentes. Sua compaixão para com todos aqueles que sofrem é
tão grande que ele se identifica com eles: “estive doente e me visitaste”
(Mt 25,36). Seu amor de predileção pelos enfermos não cessou, ao
longo dos séculos, de despertar a atenção toda especial dos cristãos
para com todos os que sofrem no corpo e na alma. Esse amor está na
origem dos incansáveis esforços para aliviá-los”.
107
c. Bom samaritano: paradigma do cuidado
181. A parábola do bom samaritano é entendida como paradigma
do cuidado. Mesmo que seja possível outras interpretações, parece-nos oportuno evidenciar, neste contexto da Campanha da
Fraternidade, o bom samaritano como uma figura emblemática
para o cuidado que se espera da parte dos profissionais e servidores da saúde. “Esta parábola, em si mesma, exprime uma verdade
profundamente cristã e, ao mesmo tempo, muitíssimo humana universalmente. Não é sem motivo que até na linguagem corrente se designa
107 CIC, n. 1503.
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obra de bom samaritano qualquer atividade em favor dos homens que
sofrem ou precisam de ajuda”.
108
182. A parábola ajuda a pensar sobre a solidariedade, como também
acerca da vulnerabilidade a que todos estamos condicionados,
desde a criação. De fato, os dois relatos da criação do homem
e da mulher, de alguma maneira nos remetem a esta ambiguidade que nos constitui. O primeiro relato sublinha a dignidade
humana. Nós somos imagem e semelhança de Deus. Manifestamos uns para os outros a presença de Deus. O segundo relato
lembra a matéria de que somos feitos: do húmus, do barro da
terra. Assim, temos a dignidade de Deus, mas somos modelados pela fragilidade, pela precariedade. Carregamos a marca da
criaturalidade, ou seja, da dependência e não a autossuficiência.
Ninguém vive sozinho!
183. Essa condição faz lembrar outra imagem. A imagem do profeta Jeremias. Deus nos criou do barro, mas temos a possibilidade de ser constantemente recriados. Foi isso que Deus
revelou ao profeta: “Desce à casa do oleiro. Aí eu comunicarei
minha palavra a você. Desci até a casa do oleiro e o encontrei
fazendo um objeto no torno. O objeto que ele estava fazendo se
deformou, mas ele aproveitou o barro e fez outro objeto, conforme
lhe pareceu melhor. Então veio a mim a palavra de Deus: por acaso
não posso fazer com vocês da mesma forma como agiu esse oleiro? Como barro nas mãos do oleiro, assim vocês estão em minhas
mãos!” (cf. Jr 18,1-6)
184. A parábola do Bom Samaritano nos lembra a condição de fragilidade humana, mas também indica que os seguidores de Jesus devem descobrir a importância do cuidado. Esse é, de fato,
o apelo do texto evangélico: reconhecer a condição de fragilidade e de vulnerabilidade de todo ser humano e libertar do temor
da proximidade sanadora do outro. A fragilidade somente se
cura mediante a proximidade daquele que se dispõe a cuidar
108 SD, n. 29.
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do debilitado. Cuida-se da própria vulnerabilidade quando se
consente a proximidade do outro.
185. O samaritano é aquele que em face da necessidade do outro a
assimila e se deixa transformar por ela. Não só porque cuida do
ferido e lhe dá abrigo, mas porque o faz em prejuízo dos seus
próprios planos iniciais. Tornar-se próximo compreende uma
vulnerabilidade ativa, um aceitar tornar-se frágil nas mãos de
outrem. O que essa dimensão revela é outra dimensão da fragilidade humana, uma dimensão ativa que se manifesta em ato de
entrega ao projeto do outro, o que implica deixar-se nas mãos
de quem se cuida.
186. Essa atitude é revelada nos sete verbos desta parábola e indica
um modo de ser diante do outro, que pode iluminar o engajamento da Igreja e dos cristãos no campo da saúde pública.
a. Ver - a primeira atitude do samaritano que descia pelo caminho foi enxergar a realidade. Ele não ignorou a presença de
alguém caído, de alguém que teve seus direitos violentados
e que se encontra à margem da estrada. Esta atitude, porém,
não é suficiente. O ‘sacerdote’ e o ‘levita’ que haviam passado antes dele também ‘viram’, mas passaram adiante. “Bom
samaritano é todo homem que se detém junto ao sofrimento de
outro homem, seja qual for o sofrimento”.
109
b. Compadecer-se - a percepção da presença do caído conduziu o Samaritano à atitude de compaixão. Ele deixou-se afetar pela presença do violentado que jazia quase morto. A
compaixão diante da fragilidade do outro desencadeou as
demais atitudes tomadas pelo samaritano. “Bom samaritano
é todo homem sensível ao sofrimento de outrem, o homem que
se ‘comove’ diante da desgraça do próximo. Se Cristo, conhecedor do íntimo do homem põe em realce esta comoção, quer dizer
que ela é importante para todo o nosso modo de comportar-nos
109 SD, n. 28.
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diante do sofrimento de outrem. É necessário, portanto cultivar
em si próprio esta sensibilidade do coração, que se demonstra na
compaixão por quem sofre. Por vezes esta compaixão acaba por
ser a única ou a principal expressão do nosso amor e da nossa
solidariedade com o homem que sofre”.
110
c. Aproximar-se - ao contrário dos que o antecederam, o viajante estrangeiro aproximou-se do caído, foi ao seu encontro, não passou adiante. No homem assaltado, ferido, necessitado de cuidado, reconheceu seu próximo, apesar das
muitas diferenças entre ambos.
d. Curar - a presença do outro exige cuidado. A aproximação,
a compaixão não são simplesmente sentimentos benevolentes voltados ao outro. Elas se tornam obra, se transformam
em ação que lança mão dos elementos que tem disponíveis
para salvar o outro.
e. Colocar no próprio animal - este passo também é significativo. Ele colocou a serviço do outro os próprios bens. Não
temeu disponibilizar ao desconhecido ferido tudo o que dispunha: primeiro seu meio de transporte, depois o que trazia
para seu autocuidado, dinheiro.
f. Levar à hospedaria - o samaritano não só viu, aproximou-se,
curou, colocou no próprio animal, por fim, também mudou
o seu itinerário, adaptando-se para poder atender aquele
necessitado. E ainda mais: ele acabou mobilizando e envolvendo outras pessoas e estruturas para não deixar morrer
aquele que fora assaltado. Isso é muito importante, pois
nem sempre conseguimos responder a todas as demandas,
mas podemos mobilizar outras forças para atender e cuidar de quem sofre. Trata-se de criar parcerias, ser referência
e contrarreferência. “A Igreja em sua missão profética, é chamada a anunciar o Reino aos doentes e a todos os que sofrem,
110 SD, n. 28.
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cuidando para que seus direitos sejam reconhecidos e respeitados, assim como a denunciar o pecado e suas raízes históricas,
sociais, políticas e econômicas, que produzem males como doença
e a morte”.
111
g. Cuidar - esse é o sétimo verbo e expressa o conjunto da
intervenção do samaritano. Trata-se de um cuidado coletivo, que envolveu outros personagens, recursos financeiros,
estruturas que o viajante não dispunha e o compromisso de
retornar. Mesmo que ele tenha dado sequência à sua viagem, ela não teve o mesmo fim, nem se limitou a cumprir
os objetivos iniciais. A razão é que agora ela incluiu outra
pessoa, um compromisso que não estava planejado no início
da viagem, mas não pode mais ser ignorado. Cuidar passa a
ser uma missão.
187. A figura do bom samaritano assume a condição de modelo para
a ação evangelizadora da Igreja no campo da saúde e no campo da defesa das políticas públicas. Seguindo o exemplo da parábola, “na comunhão com Cristo morto e ressuscitado, a Igreja se
transforma em lugar de acolhida, em que a vida é respeitada, defendida, amada e servida – lugar de esperança, em que todo o peregrino
cansado ou enfermo, que busca sentido para o que está vivendo, pode
viver de maneira saudável e salvífica seu sofrimento e sua morte à luz
da ressurreição”.
112
188. “O espírito do samaritano deve impulsionar o trabalho da igreja. Como
mãe amorosa, ela deve aproximar-se dos doentes, dos fracos, dos feridos,
de todos os que se encontram jogados no caminho a fim de acolhê-los,
cuidar deles, infundir-lhes força e esperança. No restabelecimento da saú-
de física está em jogo mais que a vitória imediata sobre a enfermidade.
Quando nos aproximamos dos enfermos, aproximamo-nos de todo ser humano de suas relações porque a enfermidade o afeta integralmente”.
113
111 GPS, n. 58.
112 EV, n. 5.
113 GPS, n. 56.
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6. O Horizonte humano e teológico
do sofrimento
6.1. A experiência humana da dor e do sofrimento
189. O sofrimento é de difícil aceitação para a humanidade. Considerando nosso contexto cultural, marcado pelo hedonismo, a
realidade do sofrimento gera desconforto, inquietação e até
mesmo revolta, pois as pessoas são impulsionadas à busca de
uma felicidade ligada à noção de prazer e à rejeição de esforços.
Diante disso, surge uma grande dificuldade para a aceitação e
vivência das situações de sofrimento, dado que estas ocorrências impõem limitações ao curso da vida, além de evidenciar a
fragilidade do ser.
190. Geralmente, o sofrimento é entendido como um dos grandes
entraves à jornada existencial do homem. Mas, também, se
constitui em uma via de transcendência para a busca de respostas às interrogações que suscita na necessária superação das
dificuldades e de si mesmo. Assim, as experiências de sofrimento merecem tratamento respeitoso e clamam por compaixão e
solidariedade, em particular no caso dos que adoecem.
191. As enfermidades entendidas como causa do sofrimento, sempre estiveram entre os problemas mais graves da vida humana.
Este fato levou o ser humano a desenvolver inúmeras práticas,
técnicas e ritos para a cura. O universo do sofrimento humano
é, porém, mais amplo e complexo, pois o ser humano se depara
com esta situação em diversas modalidades, como as de natureza moral ou psicológica, e as provenientes de flagelos sociais ou
de catástrofes naturais.
6.2. O sofrimento humano e o mal
192. O elenco das situações que proporcionam dor e sofrimento ao
ser humano é extenso, mas delas podemos extrair um elemento
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comum, o mal experimentado. É inevitável que da experiência
do sofrimento humano advenham perguntas densas como aquelas sobre o que é o mal e sua origem. Afinal, o homem sofre,
quando se sente acometido por um mal.
193. A indignação do ser humano ao sofrer, acaba se revestindo de um
componente religioso, pois, geralmente dirige a Deus a pergunta sobre o sentido do mal e do sofrimento. Para muitas pessoas
é impossível conciliar a experiência do sofrer decorrente do mal
com um Deus que ama. Assim, passam a rejeitá-lo, sobretudo se
não percebem com clareza uma relação causal entre transgressão e pena, que aquieta o espírito humano diante do sofrimento
de uma pessoa. No entanto, esta lógica não se aplica ao caso
do sofrimento sem uma culpa manifesta. O cotidiano é farto de
sofrimentos sem culpa e de culpas sem pena adequada.
114
194. A teologia cristã ilumina esta realidade, proclamando que o
Criador é bom, que tudo o que criou se reveste de bondade. Em
consequência, a existência é essencialmente um bem. Se há sofrimento e males, a causa é a ausência de um bem ou de bens dos
quais a realidade ou o ser humano se encontram privados.
115
195. A privação é fruto das relações injustas estabelecidas pelo ser
humano. Contudo, se constitui em um caminho para o encontro
com o Deus misericordioso que espera ansioso pelo retorno do
filho para devolver-lhe a dignidade e o sentido para a existência
com seu amor acolhedor. A partir deste gesto, instaura-se um
processo de diálogo edificante e iluminador para a realidade
histórica e existencial do ser humano (cf. Lc 15,8-31).
6.3. O amor, fonte mais rica do sentido do sofrimento
196. A grande luz sobre o a realidade misteriosa do sofrimento humano provém do amor divino, fonte mais rica de sentido para
114 Cf. SD, n. 9.
115 Cf. Ibid., n. 7.
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esta experiência. Cristo, a encarnação deste amor, nos introduz
neste mistério e nos conduz ao manancial mais profundo e definitivo de sentido. Para tanto, é necessária a abertura incondicional do ser humano à luz da Revelação, mediante o encontro
com o Enviado de Deus, que na cruz responde às perguntas decisivas para a existência humana, especialmente sobre o mal e
o sofrimento.
116
197. Cristo foi solidário com a dura realidade do sofrimento humano,
pois o assumiu sobre si em livre obediência ao Pai. No exercício
de sua missão, é evidente a presença do sofrimento, como: no
cansaço, nas hostilidades, na perseguição, nas tramas para a sua
morte, na traição, na prisão, na condenação, na flagelação, na
crucificação. Cristo vivenciou o sofrimento em intensidade tal
que realizou em si a profecia de Isaías, no quarto Canto do Servo Sofredor, tornando-se o “o homem das dores... em que o Senhor
fez cair as culpas de todos nós” (cf. Is 53,3.6). No entanto, o amor
profundo o impulsionou a cumprir fielmente a obra do Pai.
6.4. A palavra da Cruz
198. Cristo Jesus, que tem a mesma natureza do Pai, sofreu como
homem. Aceita o sofrimento voluntariamente, como homem e
homem inocente. O seu sofrimento é o sofrimento do inocente.
Nesse caso, ainda há o agravante de o Homem sofredor ser o
próprio Filho unigênito em pessoa: “Deus de Deus”. Então, seu
sofrimento se reveste de profundidade e intensidade incomparáveis, capaz de abarcar a extensão do mal contida no pecado
da humanidade.
117
 O Filho unigênito se sujeita a um sofrimento
desta proporção, ao tomar sobre si os pecados, para cancelá-los
e vencer todos os males.
199. A obra da redenção operada por Cristo, com sua paixão e morte
na cruz, é a resposta mais completa à interrogação pelo sentido
116 Cf. SD, n. 13.
117 Cf. SD, n. 19.
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do sofrimento. Esta resposta não foi dada por meio de teorias,
mas com o dom de si mesmo que comportou um sofrimento
desmedido e intenso.
118
200. São Paulo fala em palavra da cruz, como interpretá-la? (cf. 1Cor
1,18). Ele aceita desde o início este sofrimento, como vontade
do Pai e por amor ao Pai, para a salvação do mundo. Neste sentido, a cruz é a realização mais perfeita das palavras: “Meu Pai...
não se faça como eu quero... faça-se a tua vontade” (cf. Mt 26,42).
A livre aceitação da cruz atesta o amor do Filho pelo Pai e sua
confiança em sua obra de salvação. A verdade do amor se prova
mediante a verdade do sofrimento extremo na cruz.
201. Dessa forma, a paixão de Cristo representa a máxima expressão
do sofrimento humano, que, nesta entrega do Redentor, recebe
uma significação nova e profunda ao ser associado ao amor. A
cruz de Cristo tornou-se uma fonte da qual brotam rios de água
viva,
119
 nela e por ela “Deus amou tanto o mundo que deu o Seu
Filho unigênito, para que todo aquele que n’Ele crê, não pereça, mas
tenha a vida eterna” (cf. Jo 3,16).
6.5. A participação humana nos sofrimentos de Cristo
202. O sofrimento redentor de Cristo leva o homem ao reencontro
com seus próprios sofrimentos. Ao reencontrá-los mediante a
fé, os reencontra enriquecidos por um novo conteúdo e com
um novo significado. Este processo foi vivido por são Paulo que
assim o expressou: “Com Cristo fui pregado na cruz. Eu vivo, mas
não eu: é Cristo que vive em mim. Minha vida atual na carne, eu a vivo
na fé, crendo no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim”
(cf. Gl 2,19-20).
203. A cruz de Cristo ilumina a vida humana, especialmente o sofrimento e a morte, porque o anúncio da cruz inclui a notícia
118 Cf. SD, n. 19.
119 Cf. Ibid., n. 18; Jo 7,37.
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da ressurreição, a qual confere uma iluminação completamente
nova ao sofrimento. Paulo a experimentou no caminho de Damasco, quando descobriu a força da ressurreição, de modo a
fazer de sua vida uma caminhada pascal: participação na cruz de
Cristo mediante a experiência do Ressuscitado. Na ressurreição,
o ser humano encontra uma luz completamente nova que descortina caminho de vida em meio às trevas das humilhações, das
dúvidas, do desespero e da perseguição.
7. A Igreja, comunidade servidora no amor
204. O Papa Bento XVI nos lembra, em sua primeira Carta Encíclica,
que a Igreja como comunidade deve praticar o amor. Na compreensão do evangelista João, a mensagem de Cristo parece conter
apenas um grande mandamento: “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (cf. Jo 13, 34). É o amor, no Espírito,
que constitui a comunidade eclesial e a impulsiona ao serviço,
a acorrer aos sofridos e necessitados, mesmo quando coopera
para que sejam supridas suas necessidades materiais. A caridade
é um dever da Igreja e suscita várias iniciativas.
120
205. A Igreja primitiva, em seus primeiros passos, procurou colocar
em prática o mandamento maior do Mestre. Temos o testemunho da koinonia, narrado por Lucas nos Atos, afirmando que todos vendiam seus bens e colocavam o dinheiro em comum, segundo a necessidade de cada um. Certamente, eram motivados
pela experiência pessoal do amor de Deus em Cristo, nutrida
pela oração e pela liturgia (cf. At 2,44-45). A percepção de que o
amor comunitário não condiz com grandes disparidades entre
os irmãos levou a Igreja a dar outro passo, a organizar a assistência às viúvas, que figuravam entre as pessoas mais necessitadas da época.
120 DCE, n. 20.
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206. Este serviço foi suscitado pelo Espírito de Deus, como se deduz
do fato de terem escolhido para a diaconia sete homens “cheios
do Espírito Santo” (cf. At 6,1-6). Este serviço espiritual conduz à
autêntica fé cristã, a uma sensibilidade especial em relação aos
sofrimentos humanos, como também a ações concretas para aliviar os sofrimentos e suprir as necessidades dos desprovidos.
Socorrer o ser humano é um dever.
207. Desde os primórdios da Igreja, a caridade inspirou suas comunidades ao serviço dos adoecidos, pois a caridade como tarefa
da Igreja encontra uma prática especialmente significativa no
cuidado dos doentes. É bom frisar, no entanto, que a inspiração
para este serviço é o próprio Cristo, pois, como nos lembra nosso atual Papa, “a saúde do homem, do homem todo, foi o sinal que
Cristo escolheu previamente para manifestar a proximidade de Deus, o
seu amor misericordioso que purifica o espírito, a alma e o corpo”.
121
8. Os Enfermos no seio da Igreja
208. Quem permanece por muito tempo próximo das pessoas que sofrem,
conhece a angústia e as lágrimas, mas também o milagre da alegria, fruto do amor”.
122
 Com estas palavras, o Papa Bento XVI
descreve uma experiência edificante no sofrimento. Na Igreja,
os doentes evangelizam e recordam que a esperança repousa
em Deus.
123
 Deste modo, no contexto eclesial, os doentes e os
sofredores não se resumem a destinatários de atenções e de
cuidados. Exercem o protagonismo na evangelização com um
testemunho profundo, o do sofrimento aceito e oferecido, o
milagre do amor.
124
121 PAPA BENTO XVI. Discurso na Assembléia do Pontifício Conselho para a Pastoral no campo da
saúde. L’Osservatore Romano, 22/3/2007.
122 Idem. Discurso na celebração do Dia Mundial do doente. L’Osservatore Romano, 13/02/2010.
123 GPS n. 96.
124 BENTO XVI, Discurso na celebração do Dia Mundial do doente. L’Osservatore Romano,
13/02/2010.
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209. Os enfermos não são somente objeto de nossa ação pastoral. Por
sua condição de fragilidade e vulnerabilidade, devido à doença e ao
sofrimento, constituem-se em sinais dos valores que são essenciais
na nossa vida, em meio a tantas coisas supérfluas. Eles se tornam
radares de alta sensibilidade. A resposta frente a esta realidade é
nossa solidariedade samaritana. Quantos exemplos e testemunhos
heroicos encontramos nesta área da saúde. Eles nos evangelizam!
210. “Alguém dentre vós está doente? Mande chamar os presbíteros da Igreja, para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo no nome do Senhor”
(cf. Tg 5,14). Se os enfermos evangelizam, também provocam uma
resposta da Igreja. Primeiro, a oração na fé, “a oração feita com fé
salvará o doente, e o Senhor o levantará” (cf. Tg 5,15). Justamente no
atrair sobre a situação de doença e sofrimento a ação do Ressuscitado e do seu Espírito, reside a grande importância da Pastoral
da Saúde. Um doente, curado pela ação de Cristo por meio das
ações da Igreja, constitui uma grande alegria na terra e no céu, é
primícia de vida eterna.
125
 Que a saúde se difunda sobre a terra!
9. A Unção dos Enfermos, sacramento da cura
211. O sacramento da unção dos enfermos é compreendido no âmbito da missão salvífica da Igreja, ou seja, no contexto do ministé-
rio de cura que toda a Igreja exerce junto aos enfermos. A unção
não é um sacramento pontual e isolado, que se celebra de forma
quase mágica, numa UTI, a um moribundo totalmente inconsciente. Pelo contrário, é um sacramento eclesial que, além de
comprometer toda a Igreja, é também o ápice de um processo
em favor e a serviço dos irmãos enfermos de uma comunidade
126
. Faz parte do ministério de cura que atualiza e significa a
presença do Reino no hoje das pessoas.
127
125 BENTO XVI, Discurso na celebração do Dia Mundial do doente. L’Osservatore Romano,
13/02/2010.
126 Cf. LG, n. 11.
127 Cf. PO, n. 28; LG, n. 8; AA, n. 8.
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212. Este ministério supõe a experiência do amor gratuito de Deus;
128
a consciência de que o rosto de Jesus Cristo se faz presente e visível no rosto dos pobres e dos que sofrem.
129
 Supõe também o
zelo apostólico, nascido do amor que impele a partilhar com os
irmãos o que se tem e o que se é.
130
 O ministério da cura exige
ainda atitude de gratidão que provoca um serviço de louvor e
de culto ao Senhor.
131
213. Por ser um serviço de toda a Igreja, compromete a todos na
comunidade: o próprio doente em atitude plenamente ativa de
identificação com Jesus Cristo, de aceitação da própria debilidade e de contribuição para o bem do povo de Deus e a salvação
de todo o mundo; de todos os crentes em atitude de amor e
presença junto aos pobres e doentes; dos religiosos, fazendo
presente no mundo a pessoa de Cristo que se preocupa e cura
os doentes; dos presbíteros cujo ministério exige deles, não só
a visita, a atenção e a animação dos doentes, mas também a visibilidade da presença viva do Senhor que unge, cura e salva; dos
bispos que precisam, num trabalho de coordenação pastoral e
evangelizadora, mostrar que os doentes não são seres passivos,
mas comprometidos do Corpo de Cristo.
214. É pena que, na mentalidade comum dos fiéis e até mesmo dos
agentes de pastoral, o sacramento da unção dos enfermos ainda não tenha se desconectado suficientemente de sua relação
com a morte. Este passo, no entanto, precisa ser dado. Todos
precisam ter muito claro que o sacramento da unção dos enfermos já não é mais nem sacramento que consagra a morte nem
preparação imediata para eternidade. Pelo contrário, é o sacramento que consagra uma situação de vida, ou seja, a situação de
doença, confiando ao doente a missão de completar, no próprio
corpo, o que falta à paixão de Cristo.
128 Cf. AA, n. 8;  AG, n. 12.
129 Cf. LG, n. 8.
130 Cf. AA, n. 8; AG, n. 12; GS, n. 1.
131 Cf. LG, n. 8.
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10. Maria, Saúde dos enfermos,
a ação da Igreja na saúde
215. No Evangelho, a cura do corpo é sinal da purificação mais profunda, que é a remissão dos pecados (cf. Mc 2,1-12). “Neles se manifesta a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, ao transformá-los
em portadores da Boa Nova do Reino”.
132
 Contemplando as ações
de Jesus, a Igreja alarga o conceito de doença: se Jesus cura alguma moléstia do corpo, o faz para conceder uma libertação ainda
maior à pessoa curada. Ele a cura de seus pecados, para que ela
assuma seus valores e reproduza suas ações de amor fraterno e
dedicação aos outros pelo cuidado e serviço.
216. Nesse sentido, nosso Papa Bento XVI lembra a toda a Igreja,
“não admira que Maria, Mãe e modelo da Igreja, seja evocada e venerada como “Salus infirmorum”, “Saúde dos enfermos”. Como primeira e perfeita discípula do seu Filho, Ela demonstrou sempre, acompanhando o caminho da Igreja, uma solicitude especial para com os
sofredores”.
133
217. O ser pleno de graça de Maria santíssima (cf. Lc 1,28), nova arca
da aliança, plena do Espírito de Deus e primeira e perfeita discí-
pula do seu Filho, sempre demonstrou especial solicitude para
com os sofredores. Esta afirmação é respaldada por inúmeras
pessoas que constantemente acorrem aos Santuários marianos
para invocar a Mãe do Salvador e, em sua maternidade, recobrarem a força e experimentarem o consolo.
134
 No Santuário de
Aparecida, Maria distribui inúmeros benefícios ao povo brasileiro, especialmente aos doentes. É importante também mencionar o Santuário de Lourdes, na França, lugar escolhido por Maria
para manifestar sua solicitude maternal pelos enfermos.
135
132 GPS, n. 57.
133 BENTO XVI,  Discurso na celebração do Dia Mundial do doente. L’Osservatore Romano,
13/02/2010.
134 BENTO XVI,  Discurso na celebração do Dia Mundial do doente. L’Osservatore Romano,
13/02/2010.
135 Ibid.
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218. Na narrativa da visitação e no apoio de Maria a Isabel, que vivia
uma situação de gravidez de risco, pela idade avançada, vemos
prefigurada toda a ação da Igreja em favor da vida que tem necessidade de cuidado. A exemplo de Maria, “a Igreja conserva
dentro de si mesma os dramas do homem e a consolação de Deus,
mantendo-os unidos ao longo da peregrinação da história”.
136
219. Em sua história, a Igreja gestou inúmeros homens e mulheres
de fé, que depuseram sua esperança em Deus e, empenhandose como Maria, serviram aos irmãos necessitados. São santos e
santas da caridade. Alguns, incontestavelmente, despenderam a
própria vida no meio dos doentes e sofredores, como Camilo de
Lellis e João de Deus.
137
 A Igreja no Brasil também pode louvar a
Deus pela vida de Santa Paulina, Beata Irmã Dulce e Frei Galvão,
agora Santo, cujas vidas foram integralmente dedicadas aos doentes, pobres e sofredores.
220. No seio da Igreja, a manifestação do amor do Pai em Cristo, em
sua oferta na cruz, liberta e inspira os discípulos missionários
na aceitação do sofrimento como participação no sacrifício do
Redentor. Este fato tem suscitado, em meio aos dramas da vida,
ações de graças naqueles que aprenderam a confiar na obra redentora de Deus. Assim, a Igreja pode lançar, a partir de grandes
testemunhos, uma luz sobre a doença e o sofrimento, tão oportuna no contexto de uma sociedade que tem muitas dificuldades em aceitar e viver esta realidade.
221. Nesse sentido, atentemos para o que disse o Papa Bento XVI: “A
grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com
o sofrimento e com quem sofre”.
138
136 Ibid.
137 Ibid.
138 SS, n. 38.
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Terceira Parte
Indicações para a Ação Transformadora
no Mundo da Saúde
Introdução
222. As ações de Jesus para com os doentes inspiraram a Igreja no
exercício da caridade fraterna. Neste sentido, lemos no referido
Guia Pastoral, “o mundo da saúde, em suas múltiplas expressões,
ocupou sempre um lugar privilegiado na ação caritativa da Igreja.
Através dos séculos, ela não só favoreceu entre os cristãos o nascimento de diversas obras de misericórdia como também fez surgir de seu
interior muitas instituições religiosas com a finalidade específica de
promover, organizar, aperfeiçoar e estender a assistência aos doentes,
fracos e pobres”.
139
223. É importante salientar que muitos religiosos e religiosas vivem
sua consagração a Deus e se incorporam na missão da Igreja por
meio do serviço aos doentes e àqueles que sofrem. “O discípulo
missionário abre seu coração para todas as formas de vida ameaçada
desde o seu início até a morte natural”.
140
 Trata-se de uma multidão
de pessoas dedicadas a trabalhar em situações difíceis e precá-
rias, em solidariedade aos irmãos afetados pela doença, pela
dor e pela morte, ajudando-os a encontrar sentido humano e
cristão nessas realidades.
224. A presença da vida religiosa suscita energias de humanização
em lugares e ambientes que correm o risco de se transformarem
em lugares de abandono, desespero e desumanização.
141
 Desse modo, a proximidade de Jesus aos doentes não se interrompeu: prolonga-se no tempo, graças à ação do Espírito Santo na
139 GPS, n. 60.
140 DGAE 2011 – 2015, n. 67.
141 GPS, n. 60.
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missão da Igreja, na Palavra, nos sacramentos, nos homens de
boa vontade, nas atividades de assistência que as comunidades
promovem com caridade fraterna, mostrando assim o verdadeiro rosto de Deus e o seu amor.
1. A Pastoral da Saúde
225. A Pastoral da Saúde representa a atividade desempenhada pela
Igreja no setor da saúde, é expressão de sua missão e manifesta
a ternura de Deus para com a humanidade que sofre. A Igreja, ao meditar a parábola do bom samaritano (cf. Lc 10,25-37),
entende que não é lícito delegar o alívio do sofrimento apenas
à medicina, mas é necessário ampliar o significado desta atividade humana.
142
226. A Pastoral da Saúde foi compreendida em Aparecida como
sendo, “a resposta às grandes interrogações da vida, como o sofrimento e a morte, à luz da morte e ressurreição do Senhor.
143
 E,
empenha-se em evangelizar com renovado ardor missionário
no mundo da saúde, e contribuir para a construção de uma
sociedade justa e solidária, a serviço da vida. Esta pastoral
ainda procura oferecer oportunidade ao assistido, para refletir acerca da base valorativa de sua existência, e iluminá-lo
com a luz de Cristo, sugerir formas criativas para bem viver, e
ainda conviver com um dos maiores temores da humanidade:
a enfermidade.
227. No Brasil, esta Pastoral conta com cerca de 80 mil agentes voluntários, grandes motivadores deste trabalho de evangeliza-
ção. Ela se constitui em entidade de ação social, vinculada à
CNBB, como sociedade cívico-religiosa, sem fins lucrativos, reconhecida oficialmente, desde 09 (nove) de maio de 1986, como
142 Pontifício Conselho para a Pastoral no campo da Saúde.  L’Osservatore Romano,
13/02/2010.  
143 DAp, n. 418.
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Pastoral Social, organizada por tempo indeterminado, conforme
seus Estatuto e Regimento Interno.
228. Seu objetivo geral é promover, educar, prevenir, cuidar, recuperar, defender e celebrar a vida ou promover ações em prol
da vida saudável e plena de todo o povo de Deus, tornando
presente, no mundo de hoje, a ação libertadora de Cristo na
área da saúde. Sua atuação é em âmbito nacional e de referência
internacional.
229. Esse trabalho evangelizador atua em três dimensões, sempre
em consonância com as Diretrizes de Ação da CNBB. São elas:
solidária, comunitária, político-institucional.
230. Pela construção de uma sociedade solidária - o enfermo, em
seu leito de dor e angústia, necessita do apoio solidário. Os
agentes, inspirando-se nas ações de Jesus, fazem chegar a estes
irmãos o consolo do próprio Senhor, o Bom Samaritano.
231. Pela  dimensão comunitária, a Pastoral da Saúde desenvolve
ações de caráter educativo e preventivo para toda a comunidade em relação às enfermidades comuns. É uma educação para a
saúde, que valoriza a sabedoria e a religiosidade popular, promovendo encontros educativos sobre temas e assuntos referentes a hábitos e estilos de vida saudáveis.
232. A dimensão político-institucional visa conscientizar o cidadão
brasileiro de seus direitos e deveres no Sistema de Saúde, através da participação efetiva dos agentes nos Conselhos de Saúde,
em âmbito local, municipal, estadual e nacional. Entre as ações
desta dimensão também consta a aproximação com instituições
de ensino e de saúde, para mostrar-lhes a importância da forma-
ção dos futuros profissionais com autênticos valores humanos e
hábitos saudáveis de vida.
233. Dentre os grandes desafios da Pastoral da Saúde, nos dias de
hoje, destaca-se o de ampliar a concepção de cuidados devidos
aos doentes. O avanço das técnicas médicas propiciou grande
evolução no tratamento das doenças. No entanto, há o perigo
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de se submeter a vida à técnica, trazendo alguns problemas
como a fertilização assistida, o aborto eugênico, a distanásia e a
eutanásia,  e sobretudo o perigo de se descuidar do devido calor
humano àquele que sofre.
234. Na Carta Apostólica  Salvifici doloris  vemos uma bela interpretação da atuação paradigmática de Cristo junto aos doentes:
“Cristo ensinou ao homem, ao mesmo tempo, a fazer o bem com o
sofrimento e a fazer o bem a quem sofre”.
144
235. Fazer o bem, dentre as ações a serem desenvolvidas pela Pastoral da Saúde, inclui também fomentar a participação da comunidade no controle social das políticas públicas. Esta ação significa a cooperação estreita da sociedade civil e organizada na
condução das políticas públicas, pelas vias já asseguradas pela
Constituição, nos Conselhos de Saúde ou nas Conferências de
Saúde.
2. A dignidade de viver e morrer
236. Por mais que trabalhemos para que o ser humano tenha uma
vida longa e saudável, chegará o momento em que as forças
diminuirão, envelheceremos e seremos confrontados com nossa
própria finitude. A mortalidade faz parte de nossa existência, não
há como negá-la ou considerá-la como inimiga. Precisamos de
sabedoria e ética samaritana para cuidar das pessoas que estão
se aproximando do final de suas existências. O desafio ético é
considerar a questão da dignidade no adeus à vida.
237. A mídia alardeia casos individuais que nos envolvem sentimentalmente e anunciam o direito de todo ser humano a ter uma morte
feliz, sem sofrimento. Perguntamo-nos qual o significado de tudo
isso diante da morte violenta de milhares, por acidentes ou violência, em nossa sociedade. Existe muito o que fazer no sentido
144 SD, n. 30.
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de levar a sociedade a compreender que o morrer com dignidade
é uma decorrência do viver dignamente e não se tem condição de
vida digna, no fim do processo garantiremos uma morte digna?
Antes de existir um direito à morte humana, há que ressaltar o
direito de que a vida possa ter condições de ser conservada, preservada e desabrochada plenamente. Chamamos a isto de direito
à saúde. É chocante e até irônico constatar situações em que a
mesma sociedade que nega o pão para o ser humano viver, lhe
oferece a mais alta tecnologia para ‘bem morrer!’.
238. Não somos doentes nem vítimas da morte. É saudável sermos
peregrinos. Não podemos passivamente aceitar a morte que é
consequência do descaso pela vida, causada por violência, acidentes e pobreza. Frente a este contexto, é necessário cultivar uma santa indignação ética. Podemos ser curados de uma
doença classificada como mortal, mas não de nossa mortalidade. Quando esquecemos isso, acabamos caindo, pura e simplesmente, na tecnolatria e na absolutização da vida biológica.
Insensatamente, procuramos a cura da morte e não sabemos
mais o que fazer com os pacientes que estão se aproximando
do adeus à vida. É a obstinação terapêutica (distanásia) adiando
o inevitável, que acrescenta mais sofrimento e vida quantitativa
que qualidade de vida.
239. Nasce uma sabedoria a partir da reflexão, aceitação e assimila-
ção do cuidado da vida humana no adeus final. Entre dois limites
opostos, de um lado a convicção profunda de não abreviar intencionalmente a vida (eutanásia) de outro, a visão para não prolongar
o sofrimento e adiar a morte (distanásia). Entre o não abreviar e o
não prolongar, temos a prática da ortotanásia, o despedir-se da
vida no momento e tempo certos, sem abreviações ou prolongamentos inúteis, deixando a natureza seguir seu curso natural.
240. A medicina brasileira, através do CFM (Conselho Federal de Medicina), ao aprovar o mais recente Código de Ética Médica (Resolução CFM n. 1931 de 17 de setembro de 2009) que entrou em
vigor em 13 de abril de 2010, assume oficialmente que, no final
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da vida, perante a morte iminente e inevitável, proporcione-se
aos doentes cuidados paliativos e evite-se a prática da distaná-
sia. Lemos no inciso XXII dos Princípios Fundamentais: “Nas situações clínicas irreversíveis e terminais, o médico evitará a realização de procedimentos diagnósticos e terapêuticos desnecessários e propiciará aos pacientes sob a sua atenção os cuidados
paliativos apropriados”.
241. O Papa Bento XVI, por ocasião do Dia Mundial do Enfermo
(2007), disse: “É necessário promover políticas que criem condições
em que os seres humanos possam suportar as doenças incuráveis e
enfrentar a morte com dignidade”. Nesse sentido, o Papa enfatiza
que é necessário criar centros de cuidados paliativos que proporcionem assistência integral, garantindo aos enfermos ajuda
humana e acompanhamento espiritual.
242. A esse respeito encontramos palavras esclarecedoras do saudoso João Paulo II, “Distinta da eutanásia é a decisão de renunciar ao
chamado excesso terapêutico, ou seja, a certas intervenções médicas
já inadequadas à situação real do doente, porque não proporcionais
aos resultados que se poderiam esperar ou ainda porque demasiado
penosas para ele e para a sua família. Nessas situações, quando a morte se anuncia iminente e inevitável, pode-se em consciência renunciar a
tratamentos que dariam somente um prolongamento precário e penoso da vida, sem, contudo interromper os cuidados normais devidos ao
doente em caso semelhantes. (...) A renúncia a meios extraordinários
ou desproporcionais não equivale ao suicídio ou à eutanásia; exprime,
antes, a aceitação da condição humana diante da morte. Na medicina
atual, têm adquirido particular importância os cuidados paliativos,
destinados a tornar o sofrimento mais suportável na fase mais aguda
da doença e assegurar ao mesmo tempo ao paciente um adequado
acompanhamento humano”.
145
243. É um desafio difícil aprender a amar o paciente terminal sem
exigir retorno, com a gratuidade com que se ama um bebê, num
145 EV, n. 65.
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contexto social em que tudo é medido pelo mérito! O sofrimento humano somente é intolerável se ninguém cuida. Como
fomos cuidados para nascer, precisamos também ser cuidados
para morrer. Cuidar fundamentalmente é sermos solidários com
os que hoje passam pelo ‘vale das sombras da morte’. Amanhã
seremos nós!
146
3. Os Agentes da Pastoral da Saúde
244. Na Igreja, comunidade sanadora, todos têm o encargo de agentes de pastoral. Os agentes da pastoral da saúde são os discípulos missionários de Jesus Cristo e de sua Igreja, envolvidos em
sua missão de cura e de salvação
147
. São eles: o bispo, os presbíteros, os capelães, os diáconos, os religiosos e as religiosas,
e todos os leigos,  porque “a missão de ser testemunhas do amor
de Deus através da proximidade, do diálogo, da oração, do acompanhamento e exercício da caridade é a de todo batizado e, de maneira
especial, dos que professaram o carisma da misericórdia”.
148
245. No entanto, os profissionais de saúde cristãos, católicos (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, assistentes sociais,...) são os
agentes naturais da pastoral da saúde. Deveriam ser convidados
a assumir evangelicamente sua profissão,
149
 bem como lideran-
ça nas comunidades onde atuam nesta questão da saúde.  Para
se atuar nesta área, com eficácia, é precisa a formação especializada que eles têm. Neste sentido, temos um grande desafio
pela frente. Tais profissionais devem ser exortados a assumirem
o protagonismo pastoral na área da saúde, sendo animados a
continuarem a missão de Jesus, assim expressa, “Eu vim para que
todos tenham vida e a tenham em abundância” (cf. Jo 10,10).
146 Sobre o tema: PESSINI, L., BERTACHINI, L. Humanização e Cuidados Paliativos. 5ª. Edição.
Centro Universitário São Camilo & Edições Loyola, São Paulo, 2010.
147 Cf. GPS, n. 94.
148 Ibid., n. 95.
149 CL, n. 17.
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246. Nas novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, encontramos recomendações importantes para aqueles que se dedicam
ao serviço à vida: “a) defender e promover a dignidade da vida humana em todas as etapas da existência, desde a fecundação até a
morte natural; b) tratar o ser humano como fim e não como meio,
respeitando-o em tudo que lhe é próprio: corpo, espírito e liberdade; c)
tratar todo ser humano sem preconceito nem discriminação, acolhendo, perdoando, recuperando a vida e a liberdade de cada pessoa, tendo
presente as condições materiais e o contexto histórico, social, cultural
em que cada pessoa vive”.
150
247. Que estas diretrizes inspirem os profissionais da saúde a empreenderem atitudes concretas em prol da defesa, do cuidado
e da promoção do imprescindível valor da vida, neste mundo marcado por tantos sinais de morte e inúmeras formas de
exclusão.
151
248. Salientamos, também, que, no imenso campo da Saúde Pública,
encontramos uma multidão de profissionais de diversos credos
que, com exemplar dedicação aos enfermos, suprem as defici-
ências que permeiam o sistema. A Igreja aproveita esta ocasião
para manifestar seu agradecimento a todas estas pessoas que
desenvolvem seu trabalho como verdadeiros apóstolos, nas
mais distintas regiões de nosso país, ao mesmo tempo em que
os incentivamos a continuar seus trabalhos na certeza de que
essas ações de amor e solidariedade fazem chegar aos pobres e
sofredores a presença misericordiosa de Cristo.
4. Propostas de ação para a Igreja cooperar no
avanço do Sistema Público de Saúde
249. O Guia da Pastoral da Saúde na América Latina e Caribe enfatiza,
“A Igreja, em sua missão profética, é chamada a anunciar o Reino
150 DGAE 2011 – 2015, n. 107.
151 DGAE 2011 – 2015, n. 106.
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aos doentes e a todos os que sofrem, cuidando para que seus direitos
sejam reconhecidos e respeitados, assim como denunciar o pecado e
suas raízes históricas, sociais, políticas e econômicas, que produzem
males como a doença e a morte”.
152
 Apresentamos para as comunidades, algumas sugestões de ações transformadoras, em vista
de melhores condições de atendimento de saúde para todos,
em especial para os mais necessitados:
a. trabalhar, com as comunidades e os grupos pastorais em
geral, datas ligadas à saúde, e mostrar a importância de se
desenvolver um estilo de vida saudável;
b. incentivar as comunidades a promoverem seminários, cursos e encontros de conscientização e formação política, que
visem desenvolver a participação cidadã cada vez mais responsável dos cristãos;
c. criar, na Pastoral da Saúde, um trabalho específico tanto de
evangelização como com os agentes da área de saúde, especialmente nas datas de grandes santos que se empenharam
na assistência aos doentes;
d. articular a participação efetiva de membros das comunidades nas instâncias colegiadas do SUS (Conselhos municipais
e Conferências de Saúde), nas três esferas de governo, oferecer-lhes respaldo e acompanhá-los neste trabalho;
e. criar observatórios locais da saúde, com membros competentes e idôneos, que se tornem referências para a popula-
ção. Para tanto, é necessária uma estrutura mínima de ouvidoria, diagnóstico, pesquisa, comunicação, monitoramento
das iniquidades em saúde;
f. estabelecer parcerias com Defensoria Pública, Controladoria Geral da União (CGU), Advocacia Geral da União (AGU), Procons, Ministério Público, Fóruns de Justiça, dentre outros, para denunciar
situações de irregularidade na condução da coisa pública;
152 GPS, n. 58.
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g. dar continuidade às discussões iniciadas com a Campanha
da Fraternidade de 2011 (Fraternidade e Vida no Planeta)
e reforçar a necessidade de equilíbrio na relação entre ser
humano e o meio ambiente.
5. Como as famílias podem colaborar para a
saúde se difundir
250. A família ocupa o lugar primário na humanização da pessoa e
da sociedade. Por isso, é chamada a ser uma comunidade de
saúde, a educar para viver bem, a promover o bem estar de seus
membros e do ambiente que a cerca. É importante recuperar a
família como colaboradora essencial no cuidado e no acompanhamento de seus membros (GPS, p. 96, 2010).
153
 Vários dos
condicionantes e determinantes da saúde dependem da adesão
das famílias e da educação prática das crianças.
251. Seguem algumas propostas de ação concreta para esta esfera:
a. incentivar o cuidado pleno aos extremos de vida (criança e
idosos), buscando atendimento digno, humano e com qualidade nos serviços de saúde, nos três níveis de governo;
b. garantir que a prevenção avance para além da informação. É necessário visar não só ao bem estar individual, mas também ao
familiar e ao de todos, através de ações educativas abrangentes;
c. buscar a sensibilização e a mobilização de familiares e amigos quanto às ações básicas de prevenção e promoção da
saúde, como manter o cartão de vacinas atualizado;
d. estimular a adoção e a manutenção de padrões e estilos
de vida saudáveis e a abolição de hábitos inadequados de
vida, até reeducação alimentar e incentivo à  atividade física
regular;
153 Cf. GPS, n. 96.
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e. estimular o uso dos serviços de saúde, de forma consciente,
organizada e cuidadosa , visando à otimização de recursos
públicos;
f. estimular a disseminação do conceito de que a prevenção ao
uso de drogas é de responsabilidade de todos, ou seja, pais,
professores, empresários, líderes comunitários, sindicatos,
igrejas e autoridades;
g. incentivar e difundir programas de coleta seletiva e de reciclagem, no suporte a projetos de pesquisa na área ambiental
e no estímulo a práticas sustentáveis, divulgadas em empresas, escolas e comunidades.
6. Em relação à sociedade em geral
252. É necessário fortalecer canais de participação efetiva da sociedade e de suas entidades representativas na formulação, implantação e controle das políticas públicas de saúde. Os Conselhos de Saúde, em suas diversas instância, constituem espaços
privilegiados para o alcance deste objetivo. Para o avanço na
implantação de mecanismos de gestão estratégica e participativa eficazes, ainda indicamos:
a. incentivar a intersetorialidade das ações (saúde, educação,
desenvolvimento social, justiça, esporte, emprego e renda),
para promoção, prevenção, proteção, tratamento, reabilitação e recuperação da saúde, construindo uma sociedade
justa e saudável;
b. comunicar sistematicamente problemas não resolvidos nos
serviços de saúde à Ouvidoria do SUS (difundir o disque saú-
de 136);
c. reivindicar atendimento humanizado, acolhedor e digno a
todo cidadão em qualquer unidade de saúde;
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d. garantir e valorizar métodos e princípios de uma educação
de qualidade e acessível, fazendo com que a promoção em
saúde seja prioridade nas políticas públicas de saúde e para
a população em geral;
e. valorizar os profissionais da área da saúde, com homenagens
em seu dia. Criar, para as diversas categorias na saúde, premia-
ção para os mais dedicados e solícitos no exercício da função.
7. Propostas para a ação em relação
a temáticas específicas
253. Quanto ao acesso no atendimento dos doentes
na rede de saúde pública:
a. promover o direito ao atendimento ágil e no tempo certo,
humanizado e acolhedor, realizado por profissionais qualificados em ambientes limpos, confortáveis e acessíveis a todos e livre de qualquer discriminação;
b. reduzir a discrepância entre o número de leitos públicos disponíveis em relação ao número de habitantes e ampliar a
oferta de leitos para internação clínico-cirúrgica eletiva, de
urgência e emergência e de cuidados intensivos, com parcerias com redes privada e/ou filantrópica;
c. incentivar os gestores a desenvolverem programas de valorização dos trabalhadores de saúde que cumprem, com responsabilidade e dedicação, o bom atendimento à população;
d. solicitar aos poderes públicos que garantam a infraestrutura
mínima e adequada à realidade local nas unidades de saúde,
com recursos humanos qualificados e motivados;
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e. reivindicar, junto aos governos, que se coloque em prática o direito à integralidade da atenção à saúde do cidadão,
incluindo a assistência farmacêutica em todos os níveis e
complexidades de atenção.
254. Quanto à gestão do sistema de saúde pública:
a. exigir maior responsabilização sanitária dos gestores técnicos (secretários e ministro da saúde) e políticos (prefeitos,
governadores e presidente) em relação à boa condução das
políticas públicas de saúde;
b. defender maior formação e vinculação técnica (suprapartidária) aos pretendentes aos cargos de gestores do SUS e
propiciar sua capacitação permanente;
c. melhorar a informação e comunicação dos aspectos da saú-
de pública para com a comunidade em geral;
d. estimular a realização de planejamento estratégico e de levantamento de oportunidades de melhorias nas unidades de
saúde;
e. reforçar a necessidade de gestão essencialmente pública nas
unidades de saúde, desestimulando a prática abusiva de terceirização na saúde;
f. estimular capacitações sistemáticas em controle social e políticas públicas de saúde aos interessados em contribuir para
uma melhor saúde pública.
255. Quanto à problemática do financiamento:
a. articular e mobilizar pela regulamentação da EC 29, de acordo com os preceitos defendidos pelo Conselho Nacional de
Saúde e no PLC 01/2003;
b. monitorar o pleno cumprimento da EC 29, nas três esferas
de governo, assim como denunciar sua ausência;
c. lutar pela readequação de investimentos na saúde, de modo
que haja inversão nos percentuais entre o montante aplicado
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no setor público na comparação com o privado no país, em
âmbito federal, buscando maior fidelização do governo em
relação à saúde pública;
d. mobilizar as forças sociais e de governo para ampliar os investimentos e o apoio técnico e financeiro aos municípios,
com o objetivo de expandir e qualificar a atenção básica,
capacitar os profissionais envolvidos e melhorar a qualidade
dos serviços de saúde;
e. garantir o aumento gradativo e contínuo de aplicações de
recursos na saúde, buscando equiparação e proporcionalidade a um terço do montante do orçamento da seguridade
social, bem como ampliar a fiscalização de sua correta utilização, visando à maior transparência nestas relações.
256. Quanto aos fatores externos:
a. denunciar aos Conselhos de Classe Profissional, Ouvidoria,
Conselhos de Saúde, Ministério Público, dentre outros órgãos jurídicos, possíveis transgressões éticas e profissionais
no atendimento à saúde;
b. denunciar aos órgãos competentes (ouvidoria, ministé-
rio público, conselhos de saúde, poder legislativo, poder judiciário e outros) quaisquer constatações de desvios de verbas ou práticas de corrupção que envolvam
os diversos atores da saúde pública  no país, buscando
ainda o repatriamento dos montantes ao respectivo fundo de saúde.
8. Propostas gerais para SUS
257. Em prol do seu fortalecimento
a. Priorizar a atenção básica em relação aos outros níveis de
atenção à saúde, fortalecendo e interiorizando as redes
especializadas de atenção à saúde;
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b. estudar uma forma de coparticipação ou contribuição emergencial à saúde pública dos setores empresariais que usufruem ou estimulam hábitos inadequados à saúde;
c. provocar a discussão com vistas à criação, no Poder Judiciá-
rio, da ‘Vara da Saúde’, proporcionando atendimento especializado e eficaz neste segmento;
d. estimular a prática da ‘quarentena política’ (proibição de se
candidatar, durante certo período, a cargos do legislativo e
executivo) aos gestores técnicos que deixarem o cargo, nos
três níveis de governo.
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Conclusão
Olhando para o futuro
257. Precisamos nutrir a ‘utopia’, ou seja, construir, em meio a este
contexto social injusto e desigual, em que a doença e pobreza
falam mais alto do que o bem saúde, um horizonte de significado, a partir do conceito evangélico de ‘Reino de Deus’. Em
nossas terras, o SUS tem que funcionar muito bem e devemos
colaborar nesta direção. Está é uma grande utopia a ser concretizada. Este horizonte deve ser o guia para todas as nossas
ações, escolhas, investimentos, buscas, pesquisas, pensamentos
e sonhos nessa área, em vista do ‘Reino da saúde’. É preciso
ousar profeticamente para a implementação de políticas sociais
orientadas pelos referenciais éticos de justiça, equidade e solidariedade. Nosso grande objetivo é construir uma sociedade justa
e igualitária que, permanentemente, estimule a solidariedade
coletiva, voltada para a promoção do bem para todos sem preconceitos de qualquer tipo: raça, gênero, cor, religião, idade,
nacionalidade.
258. Ao longo dos últimos anos, houve mudança no conceito de saúde:
de ‘caridade’ para ‘direito’. Hoje em dia, no entanto, esse direito
está sendo transformado em ‘negócio’,  num mercado livre sem
coração! Há necessidade de empoderamento dos pobres, em
termos de reivindicação (cidadania) e para fazer algo concreto e
forçar o direito básico à saúde. Este direito encontra-se garantido nas constituições de muitos países (controle social do Estado
pela sociedade civil), mas ainda está longe de se tornar uma
realidade para as populações da maioria dos países da América
Latina e do Caribe. A mudança , que todos esperamos e estamos
buscando, não acontecerá de cima para baixo, mas a partir da
conscientização e da educação para a cidadania e do controle
social.
259. A missão da Pastoral da Saúde é vital! Ela tem que fazer diferen-
ça pela sua presença e ser ‘o sal e a luz’, neste contexto marcado
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pela escuridão de doença e mortes evitáveis. Além de cuidar dos
doentes (dimensão samaritana), empenhar-se para educar para a
saúde (dimensão comunitária), deve trabalhar para mudar as estruturas políticas e sociais desiguais (dimensão político institucional).
Outro desafio é preservar a identidade cristã das instituições
de saúde mantidas pela Igreja e pelas congregações religiosas
cujo carisma as coloca no mundo da saúde a serviço de pobres e
doentes. Além disso, zelar pelos valores humanos e cristãos na
formação dos futuros profissionais da área da saúde.
260. Na visão cristã, a saúde é vista como um ‘dom que Deus’ confiou
à responsabilidade humana. Esta responsabilidade se traduz no
cuidado da própria saúde e da saúde dos mais vulneráveis, com
ética e competência técnica, científica, humana. O cuidado competente é um imperativo ético que se traduz, na prática,  em
prioridade de ação para os discípulos missionários no mundo
da saúde. O que foi prioritário para Jesus há de ser também para
seus seguidores. A ação de Jesus, sua proximidade e solidariedade com os pobres e doentes, os liberta de toda espécie de
sofrimento e enfermidade, devolvendo à pessoa sua saúde integral. Teologicamente, podemos dizer que o ser humano, neste
início de século XXI, ao buscar saúde, está diante de uma busca
nostálgica e às vezes inconsciente de salvação!
261. No âmbito da saúde, faz-se necessário aprofundar e colocar em
prática a chamada ‘bioética dos 4 Ps’: promoção da saúde; preven-
ção de doenças; proteção das vulneráveis presas fáceis de manipulação;  precaução frente ao desenvolvimento biotecnológico.
Isto significa proteção da população frente a possíveis riscos de
danos moralmente inaceitáveis, quer sejam uma ameaça à saú-
de ou à vida humana, ameaças de danos graves e irreversíveis,
injustos com as gerações presentes e futuras. A responsabilidade pública pela saúde nos move a agir e também a refletir que
uma sociedade, que se funda em valores de justiça, equidade e
solidariedade entre os seres humanos, não deve aceitar as injustiças, evitáveis e mutáveis das desigualdades sociais, principalmente no âmbito da saúde. É mais do que hora de garantir a
todos os brasileiros ‘o acesso universal, integral e equânime’ aos
cuidados necessários de saúde.
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Anexo – I
Constituição Federal: a saúde como
direito de todos e dever do Estado
O atendimento à saúde pública integra, constitucionalmente, a
tríade da Seguridade Social,  Previdência e a Assistência Social, como
no modelo abaixo, delineado pelos artigos 196 a 200 da Constituição
de 1988. E concretiza o plano jurídico-institucional do Movimento de
Reforma Sanitária no Brasil (RONCALLI, 2000).
Carta Magna de 1988 estabelece o seguinte sobre a assitência
da saúde para o povobrasileiro:
Seção II – DA SAÚDE
Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco
de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às
ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.
Art. 197. São de relevância pública as ações e serviços de saúde, cabendo ao Poder Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle, devendo sua execução ser feita
diretamente ou através de terceiros e, também, por pessoa física ou
jurídica de direito privado.
Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede
regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguintes diretrizes:
I - descentralização, com direção única em cada esfera de governo;
II - atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas,
sem prejuízo dos serviços assistenciais;
III - participação da comunidade.
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§ 1º O sistema único de saúde será financiado, nos termos do art. 195,
com recursos do orçamento da seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além de outras fontes.
§ 2º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios aplicarão,
anualmente, em ações e serviços públicos de saúde recursos mínimos
derivados da aplicação de percentuais calculados sobre:
I – no caso da União, na forma definida nos termos da lei complementar
prevista no § 3º;
II – no caso dos Estados e do Distrito Federal, o produto da arrecadação
dos impostos a que se refere o art. 155 e dos recursos de que tratam
os arts. 157 e 159, inciso I, alínea a, e inciso II, deduzidas as parcelas
que forem transferidas aos respectivos Municípios;
III – no caso dos Municípios e do Distrito Federal, o produto da arrecadação dos impostos a que se refere o art. 156 e dos recursos de que
tratam os arts. 158 e 159, inciso I, alínea b e § 3º.
§ 3º Lei complementar, que será reavaliada pelo menos a cada cinco
anos, estabelecerá:
I – os percentuais de que trata o § 2º;
II – os critérios de rateio dos recursos da União vinculados à saúde
destinados aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, e dos
Estados destinados a seus respectivos Municípios, objetivando a progressiva redução das disparidades regionais;
III – as normas de fiscalização, avaliação e controle das despesas com
saúde nas esferas federal, estadual, distrital e municipal;
IV – as normas de cálculo do montante a ser aplicado pela União.
§ 4º Os gestores locais do sistema único de saúde poderão admitir agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias por meio
de processo seletivo público, de acordo com a natureza e complexidade
de suas atribuições e requisitos específicos para sua atuação.
§ 5º Lei federal disporá sobre o regime jurídico e a regulamentação das
atividades de agente comunitário de saúde e agente de combate às
endemias.
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§ 6º Além das hipóteses previstas no § 1º do art. 41 e no § 4º do art.
169 da Constituição Federal, o servidor que exerça funções equivalentes às de agente comunitário de saúde ou de agente de combate
às endemias poderá perder o cargo em caso de descumprimento dos
requisitos específicos, fixados em lei, para o seu exercício.
Art. 199. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada.
§ 1º - As instituições privadas poderão participar de forma complementar do sistema único de saúde, segundo diretrizes deste, mediante contrato de direito público ou convênio, tendo preferência as
entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos.
§ 2º - É vedada a destinação de recursos públicos para auxílios ou
subvenções às instituições privadas com fins lucrativos.
§ 3º - É vedada a participação direta ou indireta de empresas ou capitais estrangeiros na assistência à saúde no País, salvo nos casos
previstos em lei.
§ 4º - A lei disporá sobre as condições e os requisitos que facilitem a remoção
de órgãos, tecidos e substâncias humanas para fins de transplante, pesquisa e tratamento, bem como a coleta, processamento e transfusão de
sangue e seus derivados, sendo vedado todo tipo de comercialização.
Art. 200. Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribui-
ções, nos termos da lei:
I - controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para a saúde e  participar da produção de medicamentos,
equipamentos, imunobiológicos, hemoderivados e outros insumos;
II -  executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem
como as de saúde do trabalhador;
III - ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde;
IV - participar da formulação da política e da execução das ações de
saneamento básico;
V - incrementar em sua área de atuação o desenvolvimento científico e
tecnológico;
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VI - fiscalizar e inspecionar alimentos, compreendido o controle de seu
teor nutricional, bem como bebidas e águas para consumo humano;
VII -  participar do controle e fiscalização da produção, transporte,
guarda e utilização de substâncias e produtos psicoativos, tóxicos
e radioativos;
VIII - colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do
trabalho.
Como se vê, a nossa Constituição não é um livro de histórias,
uma letra “morta”.  É de suma importância que a conheçamos e participemos ativamente nessa construção e consolidação da cidadania.
Para tanto, é necessário ressaltar ainda que o SUS é oficialmente regulamentado pelas chamadas Leis Orgânicas da Saúde  de 1990 (Lei
8080/90, que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e
recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços
correspondentes e Lei 8142/90, que dispõe sobre a participação da
comunidade na gestão do SUS e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros) (CNS, 2011).
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Anexo – II
O Serviço de preparação
e animação da CF
Tempo quaresmal e CF
Celebrar a Quaresma é reconhecer a presença de Deus na caminhada, no trabalho, na luta, no sofrimento e na dor da vida do
povo!
A Quaresma é tempo forte de conversão, de mudança interior,
de graça e salvação. Preparamo-nos para viver, de maneira intensa,
livre e amorosa, o momento mais importante do ano litúrgico e da
história da salvação: a Páscoa.
A espiritualidade quaresmal é caracterizada também por atenta e
prolongada escuta da Palavra de Deus. Ela ilumina a vida e chama à conversão, infundindo confiança na misericórdia de Deus.
No Brasil, a dimensão comunitária da Quaresma é vivenciada e
assumida pela CF. A cada ano, a Igreja destaca uma situação da realidade social que precisa ser mudada.
A CF ilumina de modo particular os gestos fundamentais desse
tempo litúrgico: a oração, o jejum e a esmola.
Pelo exercício da oração, pessoal e comunitária, as pessoas se
tornam sempre mais abertas e disponíveis às iniciativas da ação de
Deus.
O jejum e a abstinência de carne expressam a íntima relação
existente entre os gestos externos da penitência, mudança de vida e
conversão interior.
A esmola confere aos gestos de generosidade humana uma dimensão evangélica profunda que se expressa na solidariedade. Coloca a pessoa e a comunidade face a face com o irmão empobrecido e
marginalizado, para ajudá-lo e promovê-lo.
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Para celebrarmos melhor o tempo litúrgico da Quaresma, valorizando a CF, poderemos responder às seguintes perguntas:
Quais os sinais de pecado e de morte que marcam mais a nossa
comunidade atualmente?
Quais os sinais de vida e ressurreição que gostaríamos que aparecessem entre nós?
Como ligar esses sinais com o mistério que celebramos?
De que maneira podemos encaminhar a CF e as celebrações
da Quaresma, para que ajudem a comunidade a melhor celebrar a
Páscoa?
Como sentimos o tema proposto pela CF em nosso bairro, cidade ou região? Qual será o gesto concreto?
Natureza e histórico da CF
Em 1961, três padres responsáveis pela Cáritas Brasileira idealizaram uma campanha para arrecadar fundos para as atividades assistenciais e promocionais da instituição e torná-la, assim, autônoma
financeiramente. A atividade foi chamada Campanha da Fraternidade
e realizada, pela primeira vez, na Quaresma de 1962, em Natal (RN), com
adesão de outras três dioceses e apoio financeiro dos bispos norte-americanos. No ano seguinte, dezesseis dioceses do Nordeste realizaram a Campanha. Não teve êxito financeiro, mas foi o embrião de um projeto anual
dos Organismos Nacionais da CNBB e das Igrejas Particulares no Brasil,
realizado à luz e na perspectiva das Diretrizes Gerais da Ação Pastoral
(Evangelizadora) da Igreja em nosso país.
Em seu início, teve destacada atuação o Secretariado Nacional de
Ação Social da CNBB, sob cuja dependência estava a Cáritas Brasileira, que
fora fundada no Brasil, em 1957. Na época, o responsável pelo Secretariado
de Ação Social era dom Eugênio de Araújo Sales, e por isso, presidente da
Cáritas Brasileira. O fato de ser administrador apostólico de Natal (RN)
explica que a Campanha tenha iniciado naquela circunscrição eclesiástica e
em todo o Rio Grande do Norte.
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Esse projeto foi lançado, em nível nacional, no dia 26 de dezembro
de 1963, sob o impulso renovador do espírito do Concílio Vaticano II, em
andamento na época, e realizado pela primeira vez na Quaresma de 1964.
O tempo do Concílio foi fundamental para a concepção, estruturação e encaminhamentos da CF, do Plano de Pastoral de Emergência, do Plano de
Pastoral de Conjunto e de outras iniciativas de renovação eclesial. Ao longo
de quatro anos seguidos, por um período extenso em cada um, os bispos
ficaram hospedados na mesma casa, em Roma, participando das sessões do
Concílio e de diversos momentos de reunião, estudo, troca de experiências.
Nesse contexto, nasceu e cresceu a CF.
Em 20 de dezembro de 1964, os bispos aprovaram o projeto inicial
da mesma, intitulado: “Campanha da Fraternidade: pontos fundamentais
apreciados pelo episcopado em Roma”. Em 1965, tanto a Cáritas quanto
a Campanha da Fraternidade, que estavam vinculadas ao Secretariado Nacional de Ação Social, foram vinculadas diretamente ao Secretariado Geral
da CNBB. A CNBB passou a assumir a CF. Nessa transição, foi estabelecida
a estruturação básica da CF. Em 1967 começou a ser redigido um subsídio,
maior que os anteriores, para a organização anual da CF. Nesse mesmo ano,
iniciaram-se, também, os encontros nacionais das Coordenações Nacional
e Regionais da CF. A partir de 1971, tanto a Presidência da CNBB como a
Comissão Episcopal de Pastoral começaram a ter uma participação mais
intensa em todo o processo da CF.
Em 1970, a CF ganhou um especial e significativo apoio: a mensagem
do Papa, transmitida em cadeia nacional de rádio e televisão, quando de
sua abertura, na Quarta-feira de Cinzas. A mensagem papal continua enriquecendo a abertura da CF.
De 1963 até hoje, a CF é uma atividade ampla de evangelização desenvolvida num determinado tempo (Quaresma), para ajudar os cristãos
e as pessoas de boa vontade a viverem a fraternidade em compromissos
concretos, no processo de transformação da sociedade, a partir de um
problema específico que exige a participação de todos, na busca de alternativas de solução. É grande instrumento para desenvolver o espírito
quaresmal de conversão, renovação interior e ação comunitária, como a
verdadeira penitência que Deus quer de nós em preparação à Páscoa. É
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momento de conversão, de prática de gestos concretos de fraternidade, de
exercício de uma verdadeira pastoral de conjunto em prol da transforma-
ção de situações injustas e não-cristãs. É precioso meio para a evangeliza-
ção no tempo quaresmal, retomando a pregação dos profetas, confirmada
por Cristo, segundo a qual, a verdadeira penitência que agrada a Deus é
repartir o pão com quem tem fome, dar de vestir ao maltrapilho, libertar
os oprimidos, promover a todos.
A CF tornou-se especial manifestação de evangelização libertadora,
provocando, ao mesmo tempo, a renovação da vida da Igreja e a transformação da sociedade, a partir de problemas específicos, tratados à luz do
Projeto de Deus.
A CF tem como objetivos permanentes:
a. Despertar o espírito comunitário e cristão no povo de Deus,
comprometendo, em particular, os cristãos na busca do bem
comum;
b. educar para a vida em fraternidade, a partir da justiça e do
amor, exigência central do Evangelho;
c. renovar a consciência da responsabilidade de todos pela
ação da Igreja na evangelização, na promoção humana, em
vista de uma sociedade justa e solidária (todos devem evangelizar e todos devem sustentar a ação evangelizadora e libertadora da Igreja).
Temas da CF no seu contexto histórico
A CF surgiu durante o Concílio Vaticano II. Três documentos conciliares foram importantes para o desenvolvimento da CF:
Sacrosanctum Concilium, sobre a liturgia; Lumen Gentium, sobre a
natureza e missão evangelizadora da Igreja; e Gaudium et Spes,
sobre a presença transformadora da Igreja no mundo de hoje.
Na América Latina, a Primeira Conferência Geral do Episcopado Latino-americano, em Medellín (1968), teve um papel muito
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importante. A reflexão sobre a realidade latino-americana levou a
Igreja a enfrentar o desafio da pobreza e a necessidade de uma presença transformadora nas estruturas sociais.
As Conferências de Puebla e Santo Domingo e a exortação póssinodal Ecclesia in America acentuaram ainda mais a dimensão social da fé e da vivência cristã, criando-se um clima de comunhão e
participação.
Os temas da CF, inicialmente, contemplaram mais a vida interna
da Igreja. A consciência sempre maior da situação de injustiça, de
exclusão e de crescente miséria levou à escolha de aspectos bem
determinados da realidade socioeconômica e política brasileira. O
restabelecimento da justiça e da fraternidade nessas situações era
compromisso urgente da fé.
Alguns critérios para a escolha dos temas:
aspectos da vida da Igreja e da sociedade: o centenário da
Rerum Novarum, em 1991 (Solidários na dignidade do trabalho), Ano da Família, em 1994 (A família, como vai?), e
outros;
os desafios sociais, econômicos, políticos, culturais e religiosos da realidade brasileira;
as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no
Brasil e os documentos do Magistério Universal da Igreja;
a Palavra de Deus e as exigências da Quaresma.
Desde 1971, há uma participação mais ampla das comunidades,
paróquias e dioceses, que enviam suas sugestões de temas aos regionais da CNBB.
Os temas podem ser divididos em três fases, ao longo desses
quarenta anos.
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1ª Fase: Em busca da renovação interna da Igreja
a. Renovação da Igreja
CF-64: Igreja em renovação – Lembre-se: você também é Igreja
CF-65: Paróquia em renovação – Faça de sua paróquia uma comunidade de
fé, culto e amor
b. Renovação do cristão
CF-66: Fraternidade – Somos responsáveis uns pelos outros
CF-67: Co-responsabilidade – Somos todos iguais, somos todos irmãos
CF-68: Doação – Crer com as mãos
CF-69: Descoberta – Para o outro, o próximo é você
CF-70: Participação – Participar
CF-71: Reconciliação – Reconciliar
CF-72: Serviço e vocação – Descubra a felicidade de servir
2ª Fase: A Igreja se preocupa com a realidade social do
povo, denunciando o pecado social e promovendo a justiça
(Vaticano II, Medellín e Puebla)
CF-73: Fraternidade e libertação – O egoísmo escraviza, o amor liberta
CF-74: Reconstruir a vida – Onde está o teu irmão?
CF-75: Fraternidade é repartir – Repartir o pão
CF-76: Fraternidade e comunidade – Caminhar juntos
CF-77: Fraternidade na família – Comece em sua casa
CF-78: Fraternidade no mundo do trabalho – Trabalho e justiça para
todos
CF-79: Por um mundo mais humano – Preserve o que é de todos
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CF-80: Fraternidade no mundo das migrações: exigência da eucaristia –
Para onde vais?
CF-81: Saúde e fraternidade – Saúde para todos
CF-82: Educação e fraternidade – A verdade vos libertará
CF-83: Fraternidade e violência – Fraternidade sim, violência não
CF-84: Fraternidade e vida – Para que todos tenham vida
3ª Fase: A Igreja se volta para situações existenciais
do povo brasileiro
CF-85: Fraternidade e fome – Pão para quem tem fome
CF-86: Fraternidade e terra – Terra de Deus, terra de irmãos
CF-87: A fraternidade e o menor – Quem acolhe o menor, a Mim acolhe
CF-88: A fraternidade e o negro – Ouvi o clamor deste povo!
CF-89: A fraternidade e a comunicação – Comunicação para a verdade e a
paz
CF-90: A fraternidade e a mulher – Mulher e homem: imagem de Deus
CF-91: A fraternidade e o mundo do trabalho – Solidários na dignidade do
trabalho
CF-92: Fraternidade e juventude – Juventude: caminho aberto
CF-93: Fraternidade e moradia – Onde moras?
CF-94: A fraternidade e a família – A família, como vai?
CF-95: A fraternidade e os excluídos – Eras Tu, Senhor?!
CF-96: A fraternidade e a política – Justiça e paz se abraçarão!
CF-97: A fraternidade e os encarcerados – Cristo liberta de todas as
prisões!
CF-98: A fraternidade e a educação – A serviço da vida e da esperança!
CF-99: Fraternidade e os desempregados – Sem trabalho... Por quê?
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CF-2000: Ecumênica: Dignidade humana e paz – Novo milênio sem
exclusões
CF-2001: Campanha da fraternidade – Vida sim, drogas não!
CF-2002: Fraternidade e povos indígenas – Por uma terra sem males!
CF-2003: Fraternidade e pessoas idosas – Vida, dignidade e esperança!
CF-2004: Fraternidade e água – Água, fonte de vida
CF-2005: Ecumênica: Solidariedade e paz – Felizes os que promovem a
paz
CF-2006: Fraternidade e pessoas com deficiência – “Levanta-te, vem para
o meio” (Mc 3,3)
CF-2007: Fraternidade e Amazônia – “Vida e missão neste chão”
CF-2008: Fraternidade e defesa da vida – “Escolhe, pois, a vida” (Dt
30,19)
CF-2009: Fraternidade e segurança pública – “A paz é fruto da justiça” (Is
32, 17)
CF-2010: Ecumênica: Economia e Vida – “Vocês não podem servir a Deus e
ao Dinheiro” (Mt 6,24)
CF-2011: Fraternidade e a Vida no Planeta – “A Criação Geme em dores de
parto) (Rm 8,22).
Serviço de coordenação e animação da CF
A CF é um programa global conjunto dos Organismos Nacionais,
do Secretariado Nacional da CNBB e das Igrejas Particulares, sempre
realizado à luz e na perspectiva das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil.
Desde 1963, com o Plano de Emergência, e 1966, com o Plano
de Pastoral de Conjunto, a ação evangelizadora da Igreja vive um processo de planejamento abrangente. Esse processo tem as Diretrizes
como fundamentação e inspiração e se expressa no Plano de Pastoral,
elaborado de forma muito participativa e em diversos âmbitos.
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A busca desse planejamento, sempre mais participativo, requer
envolvimento dos agentes de pastoral, das equipes de coordenação
e animação, dos conselhos e outros órgãos a serviço do crescimento
da vida comunitária.
A realização da CF, como programa global conjunto, é exercício
e expressão de planejamento participativo e de articulação pastoral,
decorrente da própria natureza da Igreja-Comunhão.
A articulação:
favorece o desenvolvimento dos carismas eclesiais de maneira
orgânica;
distribui tarefas e define as atribuições das diversas pastorais, organismos, movimentos e grupos;
envolve um maior número possível de interessados, na reflexão,
na decisão, na execução e na avaliação.
Para uma eficaz e frutuosa realização da CF, como de todo programa pastoral, é indispensável reavivar, a cada ano, o processo de
seu planejamento. Isso não acontece sem a constituição de equipes
de trabalho com coordenação entusiasta, dinâmica, criativa, com
profunda espiritualidade e zelo apostólico.
Em muitos regionais, dioceses e paróquias, a animação da CF
é assumida pela respectiva equipe de Coordenação Pastoral, com o
estabelecimento de uma Comissão específica para a CF. Esse procedimento poderá favorecer maior integração, evitando paralelismos.
Poderá, por outro lado, apresentar o risco de a CF “ser de todos e, ao
mesmo tempo, de ninguém”.
Especial tarefa e compromisso das equipes, em seus diversos
níveis, deve ser a  desrotinização da Campanha. A CF não é a mesma
a cada ano. Evitando a novidade pela simples novidade, as equipes saberão utilizar-se de criatividade para realizá-la, todos os anos, como algo
realmente novo.
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1. Equipe regional da CF
Compete-lhe:
estimular a formação, o assessoramento e a articulação das
equipes diocesanas;
planejar a CF em nível regional: o que organizar, quem envolver, que calendário seguir, onde e como atuar.
Atividades que poderá desenvolver Antes da Campanha:
realizar encontro regional para o estudo do Texto-base, a fim
de descobrir a melhor forma de utilização das peças e subsídios
de divulgação;
definir atividades a serem assumidas conjuntamente nas dioceses,
paróquias e comunidades;
verificar a possibilidade da produção de subsídios adaptados à
realidade local;
possibilitar a troca de informações e o repasse de subsídios, relacionados ao tema, produzidos em âmbito mais local ou provenientes de outras fontes e regiões;
constituir equipes e/ou indicar pessoas que possam prestar
serviço de assessoria.
Durante a Campanha:
descobrir formas de estar em permanente contato com as
equipes diocesanas, para animação e intercâmbio das experiências mais significativas;
possibilitar o acompanhamento das atividades comuns
programadas.
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Depois da Campanha:
promover um novo encontro regional de avaliação;
providenciar a redação e o envio da síntese regional da avaliação à Secretaria Executiva Nacional da CF, dentro do cronograma previsto;
definir a participação regional no encontro nacional de avaliação e planejamento da CF;
repassar às dioceses a avaliação nacional e outras
informações.
2. Equipe Diocesana da CF
Compete-lhe:
estimular a formação, assessorar e articular as equipes
paroquiais;
planejar, em nível diocesano: o que realizar, quem envolver,
que calendário seguir, como e onde atuar.
Atividades que poderá desenvolver Antes da Campanha:
encomendar os subsídios necessários para as paróquias, comunidades religiosas, colégios, meios de comunicação, movimentos de Igreja;
programar a realização de encontro diocesano para estudo
do Texto-base, buscando a melhor forma de utilizar as diversas
peças da Campanha;
definir atividades comuns nas paróquias;
promover o intercâmbio de informações e subsídios;
sugerir a escolha do gesto concreto;
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estabelecer uma programação especial de lançamento;
constituir equipes para atividades específicas;
informar da existência de subsídios alternativos e repassá-
los às equipes.
Durante a Campanha:
acompanhar as diversas equipes existentes;
verificar o andamento das atividades comuns programadas;
manter freqüente contato com as paróquias, para perceber
o andamento da Campanha;
conferir a chegada dos subsídios a todos os destinatários
em potencial;
alimentar com pequenos textos motivadores (releases) os
meios de comunicação social.
Depois da Campanha:
promover encontro diocesano de avaliação;
cuidar da redação final e do envio da síntese da avaliação à
equipe regional;
participar do encontro regional de avaliação;
repassar às equipes paroquiais a avaliação regional e outras
informações;
realizar o gesto concreto e garantir o repasse da parte da
coleta para a CNBB regional e nacional;
fazer com que a Campanha se estenda por todo o ano, repassando outros subsídios que forem sendo publicados.
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3. Equipe Paroquial da CF
A CF acontece nas famílias, nos grupos e nas comunidades eclesiais, articulados pela paróquia. Como em relação a outras atividades
pastorais, o papel do pároco ou da equipe presbiteral é preponderante. Tudo anda melhor quando ele estimula, incentiva, articula e
organiza a ação pastoral.
Em toda paróquia, pastoralmente dinâmica, não faltarão equipes de serviço para tudo que for necessário. O Conselho Paroquial
de Pastoral, já constituído na maioria das paróquias, por si ou pela
constituição de comissão específica, garantirá a realização articulada
e entusiasta da CF.
Atividades que poderá desenvolver Antes da Campanha:
providenciar o pedido de material junto à diocese;
programar um encontro paroquial para estudo do Texto-base
e para discussão da melhor maneira de se utilizar as diversas pe-
ças de reflexão e divulgação da CF;
definir as atividades a serem assumidas conjuntamente;
estabelecer a programação da abertura, em âmbito paroquial;
buscar, juntos, os meios para que a CF possa atingir eficazmente
todos os espaços e ambientes da realidade paroquial;
planejar um gesto concreto comum e a destinação da coleta da CF;
realizar encontros conjuntos ou específicos com as diversas equipes paroquiais, para programação de toda a Quaresma e Semana
Santa;
prever a utilização do maior número possível de subsídios
da Campanha.
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Durante a Campanha:
intensificar sua divulgação;
conferir a chegada dos subsídios aos destinatários;
motivar sucessivos gestos concretos de fraternidade;
realizar a coleta.
Depois da Campanha:
avaliar sua realização, encaminhando a síntese à coordena-
ção diocesana;
marcar presença no encontro diocesano de avaliação;
repassar às lideranças da paróquia as conclusões da avalia-
ção diocesana;
realizar o gesto concreto e garantir o repasse da parte da
coleta à diocese;
fazer com que a Campanha se estenda por todo o ano, repassando outros subsídios que forem sendo publicados.
Cronograma da Campanha da Fraternidade
2011 – 2012
2011
14 e 15 de Junho de 2011: CONSEP: Encontro Nacional com Coordenadores (as) Regionais da CF, Bispos da Presidência, Comissão
Episcopal de Pastoral e Assessores (as) Nacionais da CNBB para avalia-
ção da CF 2009; aprovação dos subsídios da CF 2010, elaboração das
Orientações Gerais da CF 2010, escolha do tema da CF 2011.
07 de julho: lançamento nacional do material da CF 2012.
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27 a 28 de julho de 2011: Seminário sobre as campanhas: apresentação da avaliação da CF 2012 pelos Regionais, encaminhamentos para a preparação e realização da CF 2013, ponderações sobre o
tema da CF 2014.
Setembro a novembro de 2011: Apresentação do material, formação e articulação nos Regionais e Dioceses.
2012
Janeiro e fevereiro de 2012: organização da CF 2012 nos regionais, dioceses, paróquias, comunidades e grupos.
22 de fevereiro de 2012: Quarta-feira de Cinzas: Lançamento
da CF 2012 em todo o Brasil, em nível nacional, regional, diocesano
e paroquial, com a mensagem do Papa, da Presidência da CNBB e
programas especiais.
22 de fevereiro a 01 de abril de 2012: Campanha da Fraternidade sobre o tema Fraternidade e a Saúde Pública, com o lema Que a saúde
se difunda sobre a terra (cf. Eclo 38,8).
01 de abril de 2012 – Domingo de Ramos: Coleta nacional da
solidariedade (60% para o Fundo Diocesano de Solidariedade e 40%
para o Fundo Nacional de Solidariedade).
Abril a junho 2012: Avaliação da CF 2012 nos níveis paroquial
(de 16 de abril a 04 de maio), diocesano (de 07 a 25 de maio), regional (28 de maio a 22 de junho).
22 a 23 de maio de 2012: CONSEP: Encontro Nacional com Coordenadores (as) Regionais da CF, Bispos da Presidência, Comissão
Episcopal de Pastoral e Assessores (as) Nacionais da CNBB para; aprovação dos subsídios da CF 2013, elaboração das Orientações Gerais
da CF 2013, escolha do tema da CF 2014.
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Anexo – III
Gesto concreto
A Campanha da Fraternidade se expressa concretamente pela
oferta de doações em dinheiro na coleta da solidariedade. É um gesto
concreto de fraternidade, partilha e solidariedade, feito em âmbito nacional, em todas as comunidades cristãs, paróquias e dioceses. A Coleta da
Solidariedade é parte integrante da Campanha da Fraternidade.
DIA NACIONAL DA COLETA DA SOLIDARIEDADE
Domingo de Ramos, 1 de abril de 2012
Todas as pessoas das comunidades eclesiais são convidadas a organizar o gesto concreto de solidariedade durante o tempo forte da
Campanha, que vai do início da Quaresma, na quarta-feira de cinzas,
22 de fevereiro, até o Domingo de Ramos, que antecede à Páscoa.
Bispos, padres, religiosos(as), lideranças leigas, agentes de pastoral, colégios católicos e movimentos eclesiais são motivadores e
animadores da Campanha da Fraternidade, para que todos participem, oferecendo sua solidariedade em favor das pessoas, grupos e
comunidades. “Ao longo de uma história de solidariedade e compromisso
com as incontáveis vítimas das inúmeras formas de destruição da vida, a
Igreja se reconhece servidora do Deus da vida” (DGAE, n. 66). O gesto fraterno da oferta tem um caráter de conversão quaresmal, condição para que
advenha um novo tempo marcado pelo amor e pela valorização da vida.
O resultado integral da coleta da CF de todas as celebrações do
Domingo de Ramos, com ou sem envelope, deve ser encaminhado à
respectiva diocese; esta, por sua vez, encaminha 40% do total da coleta para o Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), na conta indicada
no quadro abaixo.
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Para Depósito dos 40%
(FUNDO Nacional de Solidariedade da CNBB)
Caixa Econômica Federal, Agência 2.220
Conta Corrente 000.009-0
CNBB, Brasília, DF
Enviar comprovante do depósito para a CNBB no FAX (61) 2103-8303.
Doações para o Fundo Nacional de Solidariedade da CNBB podem ser feitas para a conta indicada no quadro acima também ao
longo de todo o ano, para aplicar em projetos sociais apontados pelo
Texto Base da CF.
Do total arrecadado pela coleta, 40% constituem o Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) da CNBB, e os outros 60% ficam nas
dioceses, formando o Fundo Diocesano de Solidariedade (FDS), para
o atendimento a projetos locais.
Destinação dos recursos. Eles serão aplicados para apoiar projetos que tenham um componente de Políticas Públicas. Os recursos
arrecadados serão destinados prioritariamente a mudanças nas Políticas Públicas em relação à saúde, com o foco voltado para ações
que revertam em benéficos da saúde das pessoas e comunidades,
conforme os objetivos elencados no início deste texto.
A CNBB recebe os projetos encaminhados ao Fundo Nacional de
Solidariedade (FNS). A análise da viabilidade de cada projeto é efetuada em parceria com a Cáritas Brasileira, que também acompanha o
desenvolvimento dos mesmos. A supervisão do Fundo, a destinação
dos recursos e a aprovação dos projetos está a cargo do Conselho
Gestor do FNS com integrantes nomeado pela CNBB.
As Organizações que desejam obter apoio do Fundo Nacional
de Solidariedade, de acordo com os critérios de destinação previstos
para a CF-2009, deverão encaminhar os projetos ao:
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Fundo Nacional de Solidariedade – CNBB
SE/S – Q 801 – Conj. “B”
CEP. 70200-014 – Brasília – DF
Fones: (61) 2103-8300; (61) 2103-8302 ou 8303 - FAX
Os pedidos serão submetidos ao Conselho Gestor do FNS, para
análise e decisões.
O Fundo Diocesano de Solidariedade, composto por 60% da coleta do Domingo de Ramos, é administrado por um Conselho Gestor
Diocesano, que pode ser  constituído com a participação de uma pessoa  da Cáritas Diocesana (onde ela existe), de um representante das
Pastorais Sociais, da Coordenação de Pastoral Diocesana, da Equipe
de animação das Campanhas, do responsável pela administração da
diocese e de uma pessoa ligada ao tema da CF. O Bispo constitui este
Conselho Gestor e normalmente o preside.
Campanha da Fraternidade de 2010 - Mapa da contribuição dos
40% da coleta de cada diocese, ao Fundo Nacional de Solidariedade
– “Fraternidade – Economia e Vida”, realizada no domingo de ramos,
28 de março de 2010.
Contribuições Diocesanas para FNS – 2010
 REGIONAL NORTE I
 Distribuição por Diocese  Data Fraternidade R$
Alto Solimões - AM  16/04/2010 2.320,00
Borba - AM   26/05/2010 1.405,00
Coari - AM   10/06/2010 2.632,10
 ITACOATIARA - AM
22/07/10
(conf 19/04/11)
1.032,00
 MANAUS - AM  13/08/2010 35.000,00
 PARINTINS - AM   15/07/2010 2.350,00
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 RORAIMA - RR  07/07/2010 11.292,09
 SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA - AM
 TEFÉ - AM   16/06/2010 3.385,22
   TOTAL  59.416,41
 REGIONAL NORTE II
 Distribuição por Diocese  Data Fraternidade R$
ABAETETUBA - PA  24/06/2010 4.293,20
BELÉM - PA  10/05/2010 20.648,25
BRAGANÇA DO PARA – PA
29/07/2010
(01/11)
6.293,35
CAMETÁ – PA 18/08/2010 2.897,42
SANTÍSSIMA CONCEIÇÃO DO ARAGUAIA - PA  11/06/2010 4.279,96
ITAITUBA - PA  18/05/2010 3.582,00
MACAPÁ - AP  28/04/2010 7.753,61
MARABÁ - PA  03/05/2010 7.848,74
MARAJÓ - PA  11/06/2010 1.794,02
ÓBIDOS - PA  16/06/2010 5.193,02
PONTA DE PEDRAS - PA  14/05/2010 1.172,84
SANTARÉM - PA     07/12/2010 10.214,29
XINGU – PA 04/06/2010 5.089,22
CASTANHAL
12/07/2010
(16/11)
2.416,00
TOTAL   83.475,92
 REGIONAL NORDESTE I
 Distribuição por Diocese   Data Fraternidade R$
 CRATEÚS - CE   16/06/2010 4.510,00
 CRATO - CE   20/04/2011 7.895,00
 FORTALEZA - CE   21/07/2010 57.523,56
 IGUATU - CE   14/06/2010 4.240,00
 ITAPIPOCA - CE   09/12/2010 2.388,56
 LIMOEIRO DO NORTE - CE   10/06/2010 4.806,46
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 QUIXADÁ - CE  20/05/2010 1.722,35
 SOBRAL - CE
25/05/2010 e
29/06/2010
 6.248,56
 TIANGUÁ - CE  01/06/2010 6.505,74
 TOTAL    95.840,23
 REGIONAL NORDESTE II
 Distribuição por Diocese  Data Fraternidade R$
 AFOGADOS DA INGAZEIRA - PE  04/06/2010 8.950,00
 CAICÓ - RN  05/05/2010 6.103,71
 CAJAZEIRAS - PB
06/05/2010 e
27/08/2010
6.830,64
 CAMPINA GRANDE - PB  26/04/2010 8.509,58
 CARUARU - PE  19/05/2010 9.000,00
 FLORESTA - PE  28/04/2010 1.565,40
 GARANHUNS - PE  27/04/2010 7.381,00
 GUARABIRA - PB  30/04/2010 4.977,54
 MACEIÓ - AL  30/04/2010 19.000,00
 MOSSORÓ - RN  21/05/2010 11.711,42
 NATAL - RN  15/06/2010 30.117,98
 NAZARÉ DA MATA - PE  26/04/2010 7.371,58
 OLINDA E RECIFE - PE
05/05 e
19/11/10
38.138,76
 PALMARES - PE   20/04/2010 4.448,60
 PALMEIRA DOS ÍNDIOS - AL  26/05/2010 4.830,90
 PARAÍBA - PB  17/06/2010 14.150,00
 PATOS - PB  17/05/2010 5.444,52
 PENEDO - AL  24/08/2010 4.243,56
 PESQUEIRA - PE  12/11/2010 3.116,00
 PETROLINA - PE  29/12/2010 10.139,38
  TOTAL   206.030,57
 REGIONAL NORDESTE III
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 Distribuição por Diocese   Data Fraternidade R$
 ALAGOINHAS - BA   23/04/2010 6.709,80
 AMARGOSA - BA   09/07/2010 7.205,82
 ARACAJU - SE  29/04/2010 15.853,60
 BARRA - BA   30/04/2010 3.287,18
 BARREIRAS - BA   22/04/2010 15.611,86
 BOM JESUS DA LAPA - BA   22/06/2010 2.617,50
 BONFIM - BA  30/06/2010 6.029,67
 CAETITÉ - BA   26/04/2010 6.000,00
 ESTÂNCIA - SE  -
 EUNÁPOLIS - BA  03/05/2010 3.111,58
 FEIRA DE SANTANA - BA   27/05/2010 8.863,18
 ILHÉUS - BA   07/05/2010 5.781,80
 IRECÊ - BA   20/07/2010 1.902,74
 ITABUNA - BA   26/04/2010 3.876,00
 JEQUIÉ - BA   18/11/2010 5.087,00
 JUAZEIRO - BA  28/06/2010 3.858,96
 LIVRAMENTO DE NOSSA SENHORA - BA  18/11/2010 5.010,00
 PAULO AFONSO - BA   05/11/2010 4.549,72
 PROPRIÁ - SE  25/11/2010 5.065,00
 RUY BARBOSA - BA   12/05/2010 4.322,94
 SÃO SALVADOR DA BAHIA - BA   16/07/2010 10.481,54
 SERRINHA - BA  03/05/2010 8.976,88
 TEIXEIRA DE FREITAS E CARAVELAS - BA   02/06/2010 6.961,13
 VITÓRIA DA CONQUISTA - BA   25/06/2010 10.763,60
 TOTAL   151.927,50
 REGIONAL NORDESTE IV
 Distribuição por Diocese   Data Fraternidade R$
 BOM JESUS DE GURGUÉIA - PI  28/04/2010 2.000,00
 CAMPO MAIOR - PI   26/05/2010 8.364,92
 FLORIANO -PI    02/06/2010 1.695,30
 OEIRAS - PI  26/05/2010 3.943,90
 PARNAÍBA - PI   04/05/2010 12.194,95
CF2012_Texto_base_FINAL3.indd   133 04.07.11   01:25:53134
 PICOS - PI   20/05/2010 4.756,32
 SÃO RAIMUNDO NONATO - PI  27/04/2010 3.788,15
 TERESINA - PI  05/05/2010 22.625,14
  TOTAL   59.368,68
 REGIONAL NORDESTE V
 Distribuição por Dioceses    Data Fraternidade R$
 BACABAL - MA  28/07/2010 10.628,08
 BALSAS - MA  06/05/2010 2.788,48
BREJO – MA 08/06/2010 2.481,00
 CAROLINA - MA  26/05/2010 1.326,25
 CAXIAS DO NORTE - MA  26/07/2010 1.400,00
 COROATÁ - MA  12/08/2010 3.197,70
 GRAJAÚ - MA  24/05/2010 4.730,00
 IMPERATRIZ - MA  14/05/2010 3.976,00
 PINHEIRO - MA   08/06/2010 4.000,00
 SÃO LUÍS DO MARANHÃO - MA  17/06/2010 15.244,81
 VIANA - MA   17/05/2010 3.580,00
 ZÉ-DOCA - MA  22/04/2010 1.971,88
TOTAL   55.324,20
 REGIONAL LESTE I
 Distribuição por Diocese   Data Fraternidade R$
 BARRA DO PIRAÍ - VOLTA REDONDA - RJ   02/06/2010 28.051,05
 CAMPOS - RJ  28/05/2010 4.550,00
 DUQUE DE CAXIAS - RJ   07/07/2010 18.415,28
 ITAGUAÍ - RJ  04/05/2010 6.343,52
 NITERÓI - RJ   27/04/2010 28.170,21
 NOVA FRIBURGO - RJ   20/05/2010 14.703,42
 NOVA IGUAÇU – RJ 11/06/2010 22.923,00
 PETRÓPOLIS - RJ
13/05/2010
(08/11)
16.559,74
 RIO DE JANEIRO - RJ  12/05/2010 102.306,96
 VALENÇA - RJ   10/06/2010 5.088,00
 TOTAL   247.111,18
CF2012_Texto_base_FINAL3.indd   134 04.07.11   01:25:53135
 REGIONAL LESTE II
 Distribuição por Diocese   Data Fraternidade R$
 ALMENARA - MG
10/06/2010
(02/09)
4.409,26
 ARAÇUAÍ - MG   02/06/2010 6.685,43
 BELO HORIZONTE - MG   27/05/2010 149.108,18
 CACHOEIRO DO ITAPEMIRIM - ES 25/05/2010 44.702,64
 CAMPANHA - MG 25/05/2010 17.062,95
 CARATINGA - MG
20/04/2010 E
26/05/2010
11.200,00
 COLATINA - ES   25/06/2010 33.397,60
 DIAMANTINA - MG   07/07/2010 17.904,00
 DIVINÓPOLIS - MG
26/05/2010 e
22/06/2010
37.680,00
 GOVERNADOR VALADARES - MG  20/05/2010 4.610,33
 GUANHÃES - MG   01/03/2011 8.716,80
 GUAXUPÉ - MG   08/09/2010 28.447,47
 ITABIRA - MG   20/09/2010 26.085,53
 ITUIUTABA - MG   29/04/2010 2.565,32
 JANAUBA - MG  15/12/2010 3.200,00
 JANUÁRIA - MG   07/05/2010 7.200,00
 JUIZ DE FORA - MG   08/10/2010 27.527,00
 LEOPOLDINA - MG   10/11/2010 17.293,52
 LUZ - MG   18/08/2010 8.796,00
 MARIANA - MG
28/05/2010 e
03/05/2010
31.450,00
 MONTES CLAROS - MG   17/06/2010 16.148,00
 OLIVEIRA - MG   25/06/2010 6.745,60
 PARACATU - MG   23/04/2010 5.518,08
 PATOS DE MINAS - MG   28/05/2010 18.826,32
 POUSO ALEGRE - MG
02/06/2010
(01/12)
22.858,00
 SÃO JOÃO DEL REI - MG   04/05/2010 7.648,00
 SÃO MATEUS - ES   07/06/2010 30.713,07
 SETE LAGOAS - MG   30/04/2010 5.827,43
CF2012_Texto_base_FINAL3.indd   135 04.07.11   01:25:53136
 TEÓFILO OTTONI - MG   04/05/2010 5.286,54
 UBERABA - MG   23/06/2010 15.960,39
 UBERLÂNDIA - MG   21/05/2010 12.366,57
 VITÓRIA - ES
02/06/2010 e
05/07/2010
66.161,55
TOTAL   712.101,58
 REGIONAL SUL I
 Distribuição por Diocese   Data Fraternidade R$
 AMPARO - SP  23/11/2010 7.637,00
 APARECIDA - SP
12/04/2010 E
13/05/2010
10.744,82
 ARAÇATUBA - SP  26/05/2010 14.729,22
 ASSIS - SP   23/04/2010 17.383,19
 BARRETOS - SP
31/03/2010 e
14/06/2010
10.376,38
BAURU - SP  11/05/2010 31.860,12
BOTUCATU – SP 30/07/2010 18.439,62
 BRAGANÇA PAULISTA - SP   13/05/2010 16.800,00
 CAMPINAS - SP   21/05/2010 58.988,94
 CAMPO LIMPO - SP   28/05/2010 24.525,72
 CARAGUATATUBA - SP  14/05/2010 8.518,31
 CATANDUVA - SP  30/06/2010 17.350,29
 FRANCA - SP   27/05/2010 26.433,38
 GUARULHOS - SP   14/06/2010 24.861,26
 ITAPETININGA - SP  26/10/2010 9.081,00
 ITAPEVA - SP   18/06/2010 7.061,49
 JABOTICABAL - SP   10/05/2010 18.533,16
 JALES - SP   03/05/2010 22.649,58
 JUNDIAÍ - SP
19/05/2010
(23/11)
72.723,16
 LIMEIRA - SP   25/06/2010 56.000,00
 LINS - SP   10/05/2010 9.204,40
 LORENA - SP
18/06/2010
(12/11)
14.111,00
CF2012_Texto_base_FINAL3.indd   136 04.07.11   01:25:53137
 MARÍLIA - SP  04/05/2010 61.082,15
 MOGI DAS CRUZES - SP   14/06/2010 19.492,44
 OSASCO - SP   25/05/2010 19.297,33
 OURINHOS - SP  29/06/2010 12.149,61
 PIRACICABA - SP   01/06/2010 25.201,04
 PRESIDENTE PRUDENTE - SP  23/07/2010 30.038,64
 REGISTRO - SP   25/06/2010 6.959,14
 RIBEIRÃO PRETO - SP   04/05/2010 27.738,50
 RIO PRETO - SP   28/06/2010 41.191,20
 SANTO AMARO - SP    27/07/2010 22.500,00
 SANTO ANDRÉ - SP   18/06/2010 64.961,59
 SANTOS - SP   17/06/2010 29.458,02
 SÃO CARLOS - SP   12/11/2010 21.021,28
 SÃO JOÃO DA BOA VISTA - SP  08/07/2010 22.362,87
 SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SP  29/04/2010 83.677,56
 SÃO MIGUEL PAULISTA - SP  07/06/2010 31.740,00
 SÃO PAULO - SP  27/05/2010 202.098,16
 SOROCABA - SP   16/07/2010 25.042,24
 TAUBATÉ - SP   26/10/2010 17.503,25
TOTAL   1.261.527,06
 REGIONAL SUL II
 Distribuição por Diocese   Data Fraternidade R$
 APUCARANA - PR   30/08/2010 26.566,92
 CAMPO MOURÃO - PR   03/05/2010 24.074,36
 CASCAVEL - PR  27/04/2010 22.542,98
 CORNÉLIO PROCÓPIO - PR   26/05/2010 6.800,00
 CURITIBA - PR  02/07/2010 106.832,24
 FOZ DO IGUAÇÚ - PR  31/05/2010 19.893,46
 GUARAPUAVA - PR  25/06/2010 13.104,00
 JACAREZINHO - PR  13/05/2010 16.476,81
 LONDRINA - PR   18/06/2010 61.958,27
 MARINGÁ - PR
07/06/2010
(01/12)
37.024,59
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PALMAS – PR 12/08/2010 22.205,00
 PARANAGUÁ - PR  10/06/2010 5.860,00
 PARANAVAÍ - PR  03/05/2010 17.750,00
 PONTA GROSSA - PR  17/05/2010 34.665,12
 TOLEDO - PR  11/05/2010 30.012,42
 UMUARAMA - PR  21/06/2010 28.340,15
 UNIÃO DA VITÓRIA - PR  26/05/2010 12.297,77
 SÃO JOSÉ DOS PINHAIS - PR  29/06/2011 22.087,00
   TOTAL  508.491,09
 REGIONAL SUL III
 Distribuição por Diocese   Data Fraternidade R$
 BAGÉ - RS  07/05/2010 3.386,04
 CACHOEIRA DO SUL - RS   26/05/2010 2.702,14
 CAXIAS DO SUL - RS   13/07/2010 41.549,28
 CRUZ ALTA - RS  14/07/2010 13.197,69
 EREXIM - RS   14/05/2010 15.625,30
 FREDERICO WESTPHALEN - RS  04/06/2010 19.319,60
 MONTE NEGRO - RS   20/05/2010 15.775,84
 NOVO HAMBURGO - RS  02/06/2010 26.722,25
 OSÓRIO - RS  14/07/2010 5.713,66
PASSO FUNDO - RS  08/08/2010 22.595,75
 PELOTAS - RS  12/11/2010 7.836,00
 PORTO ALEGRE - RS  10/08/2010 36.138,91
 RIO GRANDE - RS   02/06/2010 2.843,84
 SANTA CRUZ DO SUL - RS  28/02/2011 14.852,79
 SANTA MARIA - RS   10/11/2010 9.280,00
 SANTO ÂNGELO - RS   15/07/2010 24.913,95
 URUGUAIANA - RS   11/05/2010 9.766,22
 VACARIA - RS  08/07/2010 6.631,00
   TOTAL   278.850,26
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 REGIONAL SUL IV
 Distribuição por Diocese   Data Fraternidade R$
 BLUMENAU - SC
11/03/2010 e
21/05/2010
28.294,15
 CAÇADOR - SC  08/06/2010 14.040,24
 CHAPECÓ - SC  24/06/2010 50.673,96
 CRICIÚMA - SC  24/05/2010 35.280,00
 FLORIANÓPOLIS - SC  11/06/2010 58.415,67
 JOAÇABA - SC  10/05/2010 14.000,00
 JOINVILLE - SC  03/12/2010 39.021,09
 LAGES - SC  11/06/2010 8.340,00
 RIO DO SUL - SC  14/06/2010 17.634,00
TUBARÃO – SC 27/05/2010 12.297,19
  TOTAL   277.996,30
 REGIONAL CENTRO OESTE
 Distribuição por Diocese   Data Fraternidade R$
 ARQUIDIOCESE MILITAR DO BRASIL  22/04/2010 5.982,48
 ANÁPOLIS - GO   11/11/2010 16.429,55
 BRASÍLIA - DF
07/05/2010 e
15/07 e
66.218,09
 CRISTALÂNDIA - TO  21/05/2010 3.185,00
 FORMOSA - GO   08/06/2010 6.311,00
 GOIÂNIA - GO   06/05/2010 55.132,76
 GOIÁS - GO   29/04/2010 7.241,20
 IPAMERI - GO   18/04/2011 5.130,57
 ITUMBIARA - GO - coleta enviada para o Haiti  0,01
 JATAÍ - GO   05/05/2010 9.063,02
 LUZIÂNIA - GO   24/06/2010 5.813,00
MIRACEMA DO TOCANTINS – TO 14/07/2010 2.540,24
 PALMAS - TO  01/07/2010 3.690,48
 PORTO NACIONAL - TO   26/05/2010 1.271,40
 RUBIATABA-MOZARLÂNDIA - GO  11/05/2010 5.105,35
 SÃO LUÍS DE MONTES BELOS - GO   04/05/2010 7.400,84
CF2012_Texto_base_FINAL3.indd   139 04.07.11   01:25:54140
 SÃO FÉLIX DO ARAGUAIA - MT   23/04/2010 2.091,60
 TOCANTINÓPOLIS - TO   26/05/2010 6.730,40
 URUAÇU - GO   14/05/2010 10.752,30
 TOTAL   220.089,29
 REGIONAL OESTE I  Data  Fraternidade R$
 Distribuição por Diocese
 CAMPO GRANDE - MS   06/07/2010 33.186,40
 CORUMBÁ - MS  29/04/2010 3.130,00
 COXIM - MS   14/04/2010 5.229,28
 DOURADOS - MS  11/11/2010 24.300,00
 JARDIM - MS  28/07/2010 3.325,20
 TRÊS LAGOAS - MS  29/04/2010 7.980,00
  TOTAL   77.150,88
REGIONAL OESTE II
 Distribuição por Diocese    Data Fraternidade R$
 BARRA DO GARÇA - MT   26/05/2010 4.219,34
 SÃO LUÍZ DE CÁCERES - MT
29/04/2010
(09/11)
13.442,78
 CUIABÁ - MT  28/05/2010 30.505,02
 DIAMANTINO - MT   30/04/2010 17.473,44
 GUIRATINGA - MT  16/04/2010 9.157,34
 JUÍNA - MT  31/05/2010 4.955,22
 PARANATINGA - MT  24/05/2010 1.321,18
 RONDONÓPOLIS - MT  29/04/2010 11.554,13
 SINOP- MT
17/08/2010
(01/12)
18.044,25
 TOTAL  110.672,70
REGIONAL NOROESTE
 Distribuição por Diocese Data Fraternidade R$
CRUZEIRO DO SUL – AC 04/05/2010 2.547,00
 GUAJARA MIRIM - RO  19/07/2010 6.925,84
CF2012_Texto_base_FINAL3.indd   140 04.07.11   01:25:54141
 HUMAITÁ - AM
27, 28, 29 e
30/04/2010
3.500,00
 JI-PARANÁ - RO   22/06/2010 34.731,00
 LÁBREA - AM  05/05/2010 726,48
 PORTO VELHO - RO  08/06/2010 17.743,16
 RIO BRANCO - AC   04/05/2010 15.177,48
 TOTAL  81.350,96
OUTROS Data Fraternidade R$
 2.952,10
 ADM. APOST. PESSOAL SÃO JOÃO MARIA
VIANNEY
10/06/2010 1.712,00
 PARÓQUIA EVANGÉLICA LUTERANA-BOM
PASTOR-BLUM
23/04/2010 175,10
  IRMÃOS DA FRATERNIDADE NOSSA Sra. DAS
GRAÇAS
22/03/2010 110,00
  IGREJA PRESBITERIANA DO IBES
15/04/2010 e
17/06/2010
495,00
  EXARCADO APOSTOLICO ARMÊNIO   26/05/2010 460,00
VALORES SEM IDENTIFICAÇÃO  84.333,27
 RENDIMENTO DO ANO - DESPESAS BANCÁRIAS   122.328,11
 RENDIMENTO DO ANO   122.328,11
  TOTAL DE :OUTROS +EPARCAS, EXAR. + REND
DO ANO
209.613,48
TOTAL GERAL 4.696.338,29
Brasília-DF, 29 de Junho de 2011
O resultado em dinheiro desta campanha, contando a coleta, as
contribuições individuais de pessoas físicas e rendimentos bancários
foi de R$ 4.696.338,29.

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