segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Papa: Quaresma, tempo de "corpo a corpo" contra o mal

A Quaresma é um tempo de luta contra as insídias do demónio e desta luta nasce a conversão dos corações – disse o Papa Francisco durante o Angelus na Praça de São Pedro, no fim do qual o Papa fez distribuir aos presentes um pequeno subsídio para a reflexão pessoal na Quaresma. Além disso, o Papa anunciou que na próxima semana estará em retiro para viver os Exercícios espirituais.
Aos milhares de fiéis reunidos na Praça de S. Pedro para a oração mariana do Angelus o Papa Francisco falou antes de tudo da Quaresma iniciada na última quarta-feira, tempo litúrgico que se refere aos quarenta dias passados por Jesus no deserto após o seu baptismo no Jordão. Com palavras muito simples, disse Francisco, o Evangelista Marcos descreve a prova enfrentada voluntariamente por Jesus, antes de iniciar a sua missão messiânica, uma prova da qual o Senhor sai vitorioso e que o  prepara para anunciar o Evangelho do Reino de Deus. Ele, naqueles 40 dias de solidão, enfrentou Satanás "corpo a corpo", desmascarando as suas tentações, e o venceu, disse o Papa Francisco, explicando o sentido deste I domingo:
“A Igreja faz-nos recordar este mistério ao início da Quaresma, porque esse nos dá a perspectiva e o sentido deste tempo, que é tempo de combate espiritual contra o espírito do mal. E enquanto atravessamos o "deserto" quaresmal, mantemos o nosso olhar para a Páscoa, que é a vitória definitiva de Jesus contra o Maligno, contra o pecado e contra a morte. Eis pois o significado deste primeiro domingo da Quaresma: colocar-nos com determinação no caminho de Jesus, na estrada que conduz à vida”.
Esta estrada – prosseguiu o Papa – passa pelo deserto, e o deserto é o lugar onde se pode escutar a voz de Deus e a voz do tentador. No barulho e na confusão, reiterou, isto não se pode fazer; ouvem-se apenas vozes superficiais, ao passo que no deserto podemos descer em profundidade, onde se joga verdadeiramente o nosso destino, a vida ou a morte:
“E como escutamos a voz de Deus? Ouvimo-la na sua Palavra. E por isso é importante conhecer as Escrituras, porque senão nós não saberemos responder às insídias do maligno. E aqui gostaria de voltar ao meu conselho de cada um ler todos os dias Evangelho, meditá-lo um pouco, uns dez minutos, e também trazê-lo sempre connosco no bolso, ter o Evangelho na mão. O deserto quaresmal nos ajuda a dizer ‘não’ à mundanidade, aos "ídolos", ajuda-nos a fazer escolhas corajosas de acordo com o Evangelho e a reforçar a solidariedade para com os irmãos”.
E o Papa convidou a todos a entrar sem medo no deserto, pois não estamos sozinhos: estamos com Jesus, com o Pai e o Espírito Santo. E mais, como foi para Jesus, é mesmo o Espírito Santo que nos guia no caminho quaresmal, o mesmo Espírito que desceu sobre Jesus e que nos foi dado no Baptismo. A Quaresma é, portanto, disse ainda o Papa Francisco, um tempo privilegiado que nos deve levar a tomar cada vez mais consciência que o Espírito Santo que recebemos no Baptismo, operou e pode operar ainda hoje em nós e, no fim do caminho quaresmal, ou seja na Vigília Pascal, poderemos renovar com maior consciência a aliança baptismal e os compromissos que dela derivam.
E o Papa invocou a Virgem Santa, modelo de docilidade ao Espírito, para que ajude a todos a deixar-se guiar por Ele, que quer fazer de cada um de nós uma "nova criatura", tendo acrescentado:
“A ela confio em particular a semana de Exercícios Espirituais, que terá início esta tarde, e na qual vou participar juntamente com os meus colaboradores da Cúria Romana. Peço-vos que nos acompanheis com as vossas orações”.
Depois das ave-marias do Angelus e cordiais saudações às famílias, grupos paroquiais, associações e todos os peregrinos provenientes de Roma, da Itália e de diversas partes do mundo (e em particular os fiéis de Nápoles, Cosenza e Verona e os rapazes de Seregno vindos para a profissão da fé), o Papa fez um presente particular aos fiéis reunidos na Praça de S. Pedro, dizendo:
“A Quaresma é um caminho de conversão que tem como centro o coração. Por isso, neste primeiro domingo, pensei em dar-vos como presente a vós que estais aqui na praça, um pequeno livrinhos de bolso intitulado "Guarda o coração." Este livrinho reúne alguns ensinamentos de Jesus e os conteúdos essenciais da nossa fé, como por exemplo os sete sacramentos, os dons do Espírito Santo, os Dez Mandamentos, as virtudes, as obras de misericórdia ... Agora será distribuído pelos voluntários, entre os quais estão muitas pessoas sem-abrigo que vieram em peregrinação. Pegue um livrinho cada qual e levai-o convosco, como apoio para a conversão e o crescimento espiritual, que parte sempre do coração: lá onde se joga o jogo das escolhas quotidianas entre o bem e o mal, entre mundanidade e Evangelho, entre indiferença e partilha. A humanidade precisa de justiça e paz, e só poderá tê-las se se voltar com todo o coração para Deus, fonte de justiça e paz”.
O Papa terminou desejando bom domingo a todos e pedindo que não se esqueçam de rezar por ele e, como habitualmente, concluiu:
“Bom almoço e até logo!”

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA A QUARESMA DE 2015 - « Fortalecei os vossos corações» (Tg5,8)

Amados irmãos e irmãs!
Tempo de renovação para a Igreja, para as comunidades e para cada um dos fiéis, a Quaresma é  sobretudo um « tempo favorável » de graça (cf. 2  Cor6,2). Deus nada nos pede, que antes não no-lo  tenha dado: « Nós amamos, porque Ele nos amou  primeiro »  (1 Jo4,19). Ele não nos olha com indiferença; pelo contrário, tem a peito cada um de nós,  conhece-nos pelo nome, cuida de nós e vai à nossa  procura, quando O deixamos. Interessa-Se por cada  um de nós; o seu amor impede-Lhe de ficar indiferente perante aquilo que nos acontece. Coisa diversa se passa connosco! Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente  dos outros (isto, Deus Pai nunca o faz!), não nos  interessam os seus problemas, nem as tribulações  e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração  cai na indiferença: encontrando-me relativamente  bem e confortável, esqueço-me dos que não estão  bem! Hoje, esta atitude egoísta de indiferença atingiu uma dimensão mundial tal que podemos falar de uma globalização da indiferença. Trata-se de um  mal-estar que temos obrigação, como cristãos, de  enfrentar.
Quando o povo de Deus se converte ao seu  amor, encontra resposta para as questões que a história continuamente nos coloca. E um dos desafios  mais urgentes, sobre o qual me quero deter nesta  Mensagem, é o da globalização da indiferença. Dado que a indiferença para com o próximo e  para com Deus é uma tentação real também para  nós, cristãos, temos necessidade de ouvir, em cada  Quaresma, o brado dos profetas que levantam a voz  para nos despertar. A  Deus  não  Lhe  é  indiferente  o  mundo,  mas  ama-o  até  ao  ponto  de  entregar  o  seu  Filho  pela  salvação de todo o homem. Na encarnação, na vida  terrena, na morte e ressurreição do Filho de Deus,  abre-se definitivamente a porta entre Deus e o homem, entre o Céu e a terra. E a Igreja é como a mão  que mantém aberta esta porta, por meio da proclamação da Palavra, da celebração dos Sacramentos,  do testemunho da fé que se torna eficaz pelo amor  (cf. Gl 5,6).  O  mundo,  porém,  tende  a  fechar-se  em si mesmo e a fechar a referida porta através da  qual Deus entra no mundo e o mundo n’Ele. Sendo  assim, a mão, que é a Igreja, não deve jamais surpreender-se, se se vir rejeitada, esmagada e ferida. Por isso, o povo de Deus tem necessidade de  renovação, para não cair na indiferença nem se fechar em si mesmo. Tendo em vista esta renovação,  gostaria de vos propor três textos para a vossa meditação.
1. « Se um membro sofre, com ele sofrem todos os  membros » (1 Cor12,26)– A Igreja.
Com o seu ensinamento e sobretudo com o seu  testemunho, a Igreja oferece-nos o amor de Deus,  que rompe esta reclusão mortal em nós mesmos que  é a indiferença. Mas, só se pode testemunhar algo  que antes experimentámos. O cristão é aquele que  permite a Deus revesti-lo da sua bondade e misericórdia, revesti-lo de Cristo para se tornar, como Ele,  servo de Deus e dos homens. Bem no-lo recorda a liturgia de Quinta-feira Santa com o rito do lava-pés. Pedro não queria que Jesus lhe lavasse os pés, mas depois compreendeu que Jesus não pretendia apenas  exemplificar  como  devemos  lavar  os  pés  uns aos outros; este serviço, só o pode fazer quem,  primeiro, se deixou lavar os pés por Cristo. Só essa  pessoa « tem parte com Ele » (cf. Jo 13,8), podendo  assim servir o homem. A Quaresma é um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos  como  Ele.  Verifica-se  isto  quando  ouvimos  a Palavra de Deus e recebemos os sacramentos,  nomeadamente a Eucaristia. Nesta, tornamo-nos naquilo que recebemos: o corpo de Cristo. Neste corpo, não encontra lugar a tal indiferença que,  com tanta frequência, parece apoderar-se dos nossos corações; porque, quem é de Cristo, pertence  a um único corpo e, n’Ele, um não olha com indiferença o outro. « Assim, se um membro sofre,  com ele sofrem todos os membros; se um membro  é  honrado,  todos  os  membros  participam  da  sua  alegria » (1 Cor12,26). A Igreja é communio sanctorum, não só porque,  nela, tomam parte os Santos mas também porque é  comunhão de coisas santas: o amor de Deus, que  nos foi revelado em Cristo, e todos os seus dons;  e, entre estes, há que incluir também a resposta de  quantos se deixam alcançar por tal amor. Nesta comunhão dos Santos e nesta participação nas coisas  santas, aquilo que cada um possui, não o reserva  só para si, mas tudo é para todos. E, dado que estamos interligados em Deus, podemos fazer algo  mesmo pelos que estão longe, por aqueles que não  poderíamos jamais, com as nossas simples forças,  alcançar: rezamos com eles e por eles a Deus, para  que todos nos abramos à sua obra de salvação.
2. « Onde está o teu irmão? »  (Gn 4,9)– As paróquias e as comunidades
Tudo o que se disse a propósito da Igreja universal  é  necessário  agora  traduzi-lo  na  vida  das  paróquias e comunidades. Nestas realidades eclesiais, consegue-se porventura experimentar que  fazemos parte de um único corpo? Um corpo que,  simultaneamente, recebe e partilha aquilo que  Deus nos quer dar? Um corpo que conhece e cuida dos seus membros mais frágeis, pobres e pequeninos? Ou refugiamo-nos num amor universal  pronto a comprometer-se lá longe no mundo, mas  que esquece o Lázaro sentado à sua porta fechada
(cf. Lc16,19-31)? Para receber e fazer frutificar plenamente aquilo que Deus nos dá, deve-se ultrapassar as fronteiras da Igreja visível em duas direcções. Em primeiro lugar, unindo-nos à Igreja do Céu  na oração. Quando a Igreja terrena reza, instaura--se reciprocamente uma comunhão de serviços e  bens que chega até à presença de Deus. Juntamente  com os Santos, que encontraram a sua plenitude em  Deus, fazemos parte daquela comunhão onde a indiferença é vencida pelo amor. A Igreja do Céu não  é triunfante, porque deixou para trás as tribulações  do mundo e usufrui sozinha do gozo eterno; antes  pelo contrário, pois aos Santos é concedido já contemplar e rejubilar com o facto de terem vencido  definitivamente a indiferença, a dureza de coração  e  o  ódio,  graças  à  morte  e  ressurreição  de  Jesus.  E, enquanto esta vitória do amor não impregnar  todo o mundo, os Santos caminham connosco, que  ainda somos peregrinos. Convicta de que a alegria  no Céu pela vitória do amor crucificado não é plena  enquanto houver, na terra, um só homem que sofre e  geme, escrevia Santa Teresa de Lisieux, doutora da  Igreja:  « Muito  espero  não  ficar  inactiva  no  Céu;  o
meu desejo é continuar a trabalhar pela Igreja e pelas  almas »  (Carta254, de 14 de Julho de 1897).
Também nós participamos dos méritos e da alegria dos Santos e eles tomam parte na nossa luta e no  nosso desejo de paz e reconciliação. Para nós, a sua  alegria pela vitória de Cristo ressuscitado é origem de  força para superar tantas formas de indiferença e dureza de coração.
Em  segundo  lugar,  cada  comunidade  cristã  é  chamada a atravessar o limiar que a põe em relação  com a sociedade circundante, com os pobres e com os  incrédulos. A Igreja é, por sua natureza, missionária,  não fechada em si mesma, mas enviada a todos os  homens. Esta  missão  é  o  paciente  testemunho  d’Aquele  que quer conduzir ao Pai toda a realidade e todo o homem. A missão é aquilo que o amor não pode calar. A  Igreja segue Jesus Cristo pela estrada que a conduz a  cada homem, até aos confins da terra (cf.Act1,8). Assim podemos ver, no nosso próximo, o irmão e a irmã  pelos quais Cristo morreu e ressuscitou. Tudo aquilo  que recebemos, recebemo-lo também para eles. E, vice-versa, tudo o que estes irmãos possuem é um dom  para a Igreja e para a humanidade inteira.
Amados irmãos e irmãs, como desejo que os  lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas paróquias e as nossas comunidades, se  tornem ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença!
3. « Fortalecei os vossos corações »  (Tg 5,8)– Cada um dos fiéis
Também como indivíduos temos a tentação da  indiferença. Estamos saturados de notícias e imagens impressionantes que nos relatam o sofrimento  humano, sentindo ao mesmo tempo toda a nossa  incapacidade de intervir. Que fazer para não nos  deixarmos absorver por esta espiral de terror e impotência? Em primeiro lugar, podemos rezar na comunhão da Igreja terrena e celeste. Não subestimemos  a força da oração de muitos! A iniciativa 24 horas para o Senhor, que espero se celebre em toda  a Igreja – mesmo a nível diocesano – nos dias 13 e  14 de Março, pretende dar expressão a esta necessidade da oração. Em segundo lugar, podemos levar ajuda, com  gestos de caridade, tanto a quem vive próximo de  nós como a quem está longe, graças aos inúmeros  organismos caritativos da Igreja. A Quaresma é um tempo propício para mostrar este interesse pelo  outro, através de um sinal – mesmo pequeno, mas  concreto – da nossa participação na humanidade  que temos em comum.  E, em terceiro lugar, o sofrimento do próximo  constitui um apelo à conversão, porque a necessidade do irmão recorda-me a fragilidade da minha  vida, a minha dependência de Deus e dos irmãos.
Se humildemente pedirmos a graça de Deus e aceitarmos os limites das nossas possibilidades, então  confiaremos  nas  possibilidades  infinitas  que  tem  de reserva o amor de Deus. E poderemos resistir à  tentação diabólica que nos leva a crer que podemos  salvar-nos e salvar o mundo sozinhos. Para superar a indiferença e as nossas pretensões de omnipotência, gostaria de pedir a todos  para viverem este tempo de Quaresma como um  percurso de formação do coração, a que nos convidava Bento XVI (Carta enc. Deus caritas est, 31).  Ter  um  coração  misericordioso  não  significa  ter  um  coração  débil.  Quem  quer  ser  misericordioso  precisa de um coração forte, firme, fechado ao tentador mas aberto a Deus; um coração que se deixe  impregnar pelo Espírito e levar pelos caminhos do  amor que conduzem aos irmãos e irmãs; no fundo,  um coração pobre, isto é, que conhece as suas limitações e se gasta pelo outro. Por isso, amados irmãos e irmãs, nesta Quaresma desejo rezar convosco a Cristo: « Fac cor nostrum secundum cor tuum – Fazei o nosso coração  semelhante ao vosso » (Súplica das Ladainhas ao  Sagrado Coração de Jesus). Teremos assim um coração forte e misericordioso, vigilante e generoso,  que não se deixa fechar em si mesmo nem cai na  vertigem da globalização da indiferença.
Com estes votos, asseguro a minha oração por  cada crente e comunidade eclesial para que percorram, frutuosamente, o itinerário quaresmal,  enquanto, por minha vez, vos peço que  rezeis por  mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora  vos guarde!

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Oração de São Francisco de Assis.


Padre Marcelo Rossi conta como superou a depressão

As vitórias pessoais e profissionais do padre Marcelo Rossi  (47) vêm sempre acompanhadas de cifras astronômicas: seu novo CD, O Tempo de Deus, lançado pela Sony, gravadora com a qual mantém contrato, vendeu 1 milhão de cópias um mês depois de lançado. Mas este trabalho, que se soma aos mais de 13 milhões vendidos em 20 anos de evangelização, também é fruto de uma história de superação.
Eleito pelo Vaticano evangelizador moderno, em 2010, o religioso venceu recentemente uma forte depressão, provocada por vários fatores, como a solidão, segundo ele próprio. Por estar mais magro —  em 2009, quando na cadeira de rodas devido a fratura no pé, atingira 128kg e, dois meses atrás, pesava 60kg —, levantou suspeitas entre os fiéis de que tivesse alguma enfermidade grave. “Estou ótimo. Falaram que estava com câncer, diabetes e até aids. Mas tive depressão, da qual já estou curado, sem ter precisado de remédio ou ajuda médica. Deus quis que eu passasse por isso para levar às pessoas este ensinamento, de que todos podemos ter e que precisamos de ajuda para curá-la”, comenta, ao abrir para CARAS o seu refúgio no interior de SP, uma casa construída em um terreno da família, onde moram seus pais, mas que, no futuro, pode virar sua morada fixa, um lugar para descansar.
Pesando atualmente 85kg, o padre acha que está bem para sua altura, de 1,95m. Ele, que é formado em Educação Física, continua aficionado por exercícios, fazendo esteira diariamente e comendo chocolate e sorvete, suas paixões fora da apertada rotina de missas, bênçãos, visitas a hospitais, programas de rádio e TV. E ainda sobra tempo para compor as canções do novo CD e escrever mais um livro, que deve ser lançado em março de 2015, tudo para relatar sua experiência com a depressão.
O que causou a doença?
Não tem uma causa, são várias, que a gente vai somatizando. Desde a morte do meu cachorro, que eu amava muito, até o fato de me sentir isolado, sozinho. Como tive o problema no pé, quando caí da esteira, e tomei muito remédio, o que me inchou, quis emagrecer e adotei uma dieta maluca, radical, em que comia só alface e hambúrguer. Meu peso normal, de 20 anos atrás, é entre 85kg e 90kg, que tenho como meta hoje. Só que não percebi que estava ficando anoréxico. Olhava no espelho e achava que precisava emagrecer mais.
O padre é vaidoso?
Nem um pouco! Não pinto cabelo, olha como está branco! Não sou contra plástica, mas não faço. O padre não deve estar preso a vaidades. Minha única preocupação é com saúde, não estética. Por isso, continuo fazendo meus exercícios, minha esteira.
Qual foi o pior momento?
A sensação de vazio é inexplicável, perdi a alegria de viver. Não falo em suicídio. Mas não conseguia dormir. Nestes momentos difíceis, fui fazendo as músicas do CD e estou em um processo de reeducação, que vou usar no livro, banindo coisas ruins da minha vida. Percebi algo errado ao me ver viciado na globalização, na internet, a qual não sou contra, mas é preciso tomar cuidado e viver somente o real, não o virtual.
Onde buscou a cura?
Na família, que é fundamental, porque é quem identifica a depressão e nos ajuda a percebê-la. E, logicamente, nas orações.
Não acha que se expõe demais ao admitir a depressão?
Deus me permitiu que eu passasse por algo em que eu não acreditava. Achava que era frescura. Não é. No mundo que estamos, criamos uma sociedade ansiosa e com altíssima tendência à depressão. Se as pessoas não pararem para refletir e fazer uma autoanálise, é preciso buscar ajuda médica e tomar remédios, o que não foi meu caso. O Antigo Testamento, em Eclesiásticos, cap. 30, vers. 22 e 24, fala disso: ‘Não entregues tua alma à tristeza, não atormentes a ti mesmo em teus pensamentos. Tem compaixão de tua alma, torna-te agradável a Deus, e se firme; concentra teu coração na santidade, e afasta a tristeza para longe de ti’. Graças a Ele, eu estou curado.
Quais são os seus planos?
Neste ano, o santuário virou paróquia e já está em processo, em Roma, para se tornar catedral. Já passei tudo do meu nome para o da Igreja Católica. E a renda do CD vai para a construção da igreja do santuário, para celebrações menores. Eu me realizo fazendo o que gosto, evangelizando.

Por:http://caras.uol.com.br/bem-estar/padre-marcelo-rossi-supera-depressao-refugio-paulista-o-tempo-de-deus-evangelizador-moderno

Papa Francisco nomeia 20 cardeais em cerimônia com presença de Bento XVI

O papa Francisco nomeou 20 novos cardeais neste sábado (14). Na homilia de posse, Francisco disse-lhes para colocarem de lado o orgulho, o ciúme e os interesses próprios a fim de exercerem a caridade perfeita.
Os dois papas se cumprimentam em cerimônia de nomeação de cardeaisAposentado, o papa Bento XVI participou da cerimônia sentado na primeira fila da basílica. Francisco o abraçou e, ao fim da ordanação, um grupo de cardeais alinhados o cumprimentaram.
Muitos dos novos cardeais vêm de dioceses distantes, em que muitas vezes os católicos são minoria – um reflexo da insistência de Francisco para que a Igreja olhe para as periferias e as reflita em seu governo. Dentre os novos cardeais, vários, assim como o papa, concentram seus ministérios entre os pobres e marginalizados.
Em sua homilia, Francis lembrou seus mais novos colaboradores que ser um cardeal não é um prêmio, mas sim uma maneira de servir a igreja melhor em humildade e ternura.
Todos são tentados
Francisco lembrou que nem mesmo os clérigos estão imunes à tentação de ficar com ciúmes, raiva ou orgulhosos, ou para perseguir seus próprios interesses, mesmo quando "envolto em aparências nobres."
"Mesmo aqui, a caridade só caridade quando ela nos liberta", disse ele. 
De certa forma, suas palavras duras são uma versão amenizada de uma crítica que ele fez na noite do Natal aos burocratas do Vaticano.
Em seguida, ele enumerou 15 doenças, incluindo "espiritual Alzheimer" e o "terrorismo de fofoca", que pode afligir homens da Igreja, mesmo em seus níveis mais elevados.
Novos cardeais
Este é o segundo consistório para criação de novos cardeais e mais uma vez Francisco olhou para as "periferias".
Dentre os novos cardeais está Soane Patita Paini Mafi, de Tonga, um pequeno Estado ilha no meio do Oceano Pacífico na linha de frente do aquecimento global.
Outro nomeado é Francesco Montenegro de Agrigento, da Sicília, cuja igreja – que se estende até a ilha de Lampedusa – tem lidado com a chegada de dezenas de milhares de migrantes ao longo dos anos.
E há o arcebispo de David, no Panamá, o cardeal José Luis Lacunza Maestrojuan, que trabalha com os povos indígenas para protegê-los de interesses mineiros.
Tarefa
Além de auxiliar o papa, uma das tarefas dos cardeais é eleger um novo pontífice. Todos os cardeais com menos de 80 anos podem participar de um conclave. 

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2015-02-14/papa-francisco-nomeia-20-cardeais-em-cerimonia-com-presenca-de-bento-xvi.html

Não dá mais pra voltar - Padre Jonas Abib


Sim eu quero - Padre Jonas Abib


Eliana Ribeiro - Força e Vitória


Padre Marcelo Rossi - Maria de Nazaré


Padre Zezinho - Utopia


domingo, 1 de fevereiro de 2015

Presidente da CNBB abre consulta às dioceses sobre o Sínodo da Família

“Ficaria muito grato se o senhor promovesse uma consulta ampla com o Povo de Deus da sua diocese para o bom êxito do processo sinodal que se concluirá com a segunda e última etapa do Sínodo sobre a Família, em outubro próximo. Aproveito para pedir as orações de sua diocese para a família e a próxima Assembleia Sinodal”, disse o arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Raymundo Damasceno Assis, em carta enviada aos bispos do Brasil. 
Agência Brasil - ABr - Empresa Brasil de Comunicação - EBCA iniciativa do presidente da CNBB é motivada a partir do comunicado do secretário-geral do Sínodo, cardeal Lorenzo Baldisseri, que pede a realização de “uma ampla consulta com todo o povo de Deus sobre a família segunda a orientação do processo sinodal”.
Diante da solicitação da Santa Sé, dom Raymundo Damasceno, também delegado-presidente do Sínodo, pede a contribuição das dioceses do Brasil com a consulta sobre a família.
O texto de trabalho (Instrumentum laboris) da primeira fase do Sínodo, também contou com a colaboração das dioceses de diversos países. A consulta ao povo é um pedido do papa Francisco, que tem incentivado a participação das comunidades nas reflexões do Sínodo. A 3ª Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos foi realizada de 5 a 19 de outubro, no Vaticano.
Ouvir o povo
O primeiro dos documentos da 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, os Lineamenta, além das reflexões, apresenta uma série de perguntas. O objetivo é avaliar o texto produzido pelos bispos e solicitar o aprofundamento do trabalho começado durante a Assembleia. Ao todo, o documento propõe 46 questões para serem refletidas e orientadas a partir de temáticas:
“O contexto sociocultural”, “A relevância da vida afetiva”, “A família no desígnio salvífico de Deus”, “A indissolubilidade do matrimônio e a alegria de viver juntos”, “Cura pastoral de quantos vivem no matrimônio civil ou convivem”, “A atenção pastoral às pessoas com tendência homossexual”, “O desafio da educação e o papel da família na evangelização”.
Orientações
No site do Vaticano está disponível o questionário que deverá nortear os trabalhos de estudos nas dioceses, sob orientação do bispo local ou responsável. A CNBB irá receber as contribuições e produzirá uma síntese do material coletado nas igrejas particulares. Posteriormente, esse conteúdo será enviado à secretaria geral do Sínodo, responsável em preparar o texto de trabalho para a 14ª Assembleia Geral Ordinária, que ocorrerá de 4 a 25 de outubro próximo, no Vaticano. O tema proposto será “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”.
A secretaria do Sínodo orienta, ainda, que as Conferências Episcopais escolham as modalidades adequadas para produzir as reflexões, conforme orienta o documento. Outra sugestão é que agentes de pastorais das Igrejas particulares e instituições acadêmicas, organizações, movimentos laicais e outras instâncias eclesiais sejam envolvidos no trabalho.
Por CNBB com Secretaria do Sínodo/Vaticano